Movimento novo na região- Americana, uma das cidades mais populosas e economicamente relevantes da Região do Polo Têxtil (RPT), enfrenta um paradoxo alarmante: a ausência total de representação na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
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Este vácuo político, resultado das eleições de 2022, transformou o município em um “deserto de representatividade”, termo cunhado para descrever áreas cujos votos não se traduzem em padrinhos políticos, resultando em um prejuízo direto na captação de recursos e no desenvolvimento local.
Uma análise detalhada do orçamento de 2025 revela uma disparidade gritante na distribuição de emendas parlamentares impositivas. Enquanto Hortolândia, que tem uma deputada estadual, garantiu R$ 9,4 milhões em verbas, Americana recebeu apenas R$ 1,52 milhão. A diferença de quase R$ 8 milhões ilustra o custo da falta de representação.

Esse é quase o montante que Americana recebeu, por exemplo, na legislatura de 2011 a 2015, quando a cidade chegou a ter simultaneamente três deputados estaduais. Em valores atuais a discrepância seria ainda mais expressiva – cerca de R$ 14 milhões, considerando a inflação acumulada de 83% nos últimos dez anos.
No ano passado, cidades vizinhas com deputados eleitos, como Sumaré, também foram significativamente mais beneficiadas, recebendo R$ 3,8 milhões.
“Os números comprovam essa sensação de injustiça que os moradores da nossa região sentem. Precisamos corrigir esse atraso. Daí a importância da união de todos em torno desse objetivo maior”, declara Orestes Camargo Neves, porta-voz do Gente Nossa Pela Nossa Gente, movimento apartidário criado pela sociedade civil.
O fenômeno dos “desertos políticos” foi documentado em uma investigação de alcance nacional, que demonstrou como cidades sem representação direta são sistematicamente alijadas da distribuição de recursos públicos, afetando áreas críticas como saúde, infraestrutura e educação.
A situação de Americana é um microcosmo desse problema: uma cidade de mais de 240 mil habitantes que, após décadas contando com forte representação, hoje se vê em desvantagem na busca por investimentos estaduais.
A perda de representatividade levanta um debate urgente sobre o modelo eleitoral e o seu impacto na governança municipal.
Movimento Gente Nossa Pela Nossa Gente
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