Após dez anos, SUS atualiza protocolo para endometriose e amplia opções de tratamento hormonal

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SUS atualiza protocolo para endometriose

O Ministério da Saúde publicou a nova versão do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose, que atualiza as recomendações nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O documento substitui o protocolo anterior, de 2016, e teve o apoio metodológico da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde (UATS) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em sua elaboração, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

 

Entre as principais mudanças está a ampliação das alternativas hormonais disponíveis no SUS. O novo protocolo contempla o desogestrel e o dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG), tecnologias incorporadas ao sistema público em 2025. Contraceptivos orais combinados e progestágenos são considerados tratamentos hormonais de primeira linha. No caso do DIU-LNG, o protocolo prevê seu uso para pacientes com contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados.

 

Para o Dr. Rogério Felizi, ginecologista e coordenador do Centro Especializado em Endometriose do Hospital Alemão Oswaldo Cruz a atualização representa um avanço importante na assistência às pacientes com endometriose, especialmente pela ampliação das possibilidades terapêuticas e pela valorização do diagnóstico clínico. “A atualização do protocolo é importante porque incorpora novas opções de tratamento e reforça uma abordagem mais individualizada da endometriose. Isso permite considerar as características e necessidades de cada paciente na definição da estratégia terapêutica, além de contribuir para reduzir atrasos no diagnóstico e no início do cuidado.”

 

O PCDT também atualiza a abordagem diagnóstica. Embora a laparoscopia já tenha sido considerada padrão-ouro para a identificação da doença, o documento ressalta que, em situações selecionadas, é possível considerar o diagnóstico presuntivo e discutir o início do tratamento a partir da história clínica e do exame físico, sem necessariamente aguardar confirmação cirúrgica. Exames como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética também podem auxiliar no diagnóstico e no planejamento cirúrgico.

 

A mudança é especialmente relevante diante do atraso ainda observado no correto diagnóstico da doença. Segundo o PCDT, o intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode chegar, em média, a 8 a 12 anos. A identificação precoce e o encaminhamento adequado para atendimento especializado são apontados pelo documento como fundamentais para melhorar os resultados do tratamento.

 

A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, principalmente em estruturas da pelve. Entre as manifestações mais frequentes estão dor pélvica, cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais e infertilidade. Os sintomas podem repercutir nas atividades cotidianas, no trabalho, nos estudos, na vida social, na intimidade e no bem-estar emocional.

 

No Brasil, estudo citado pelo novo protocolo aponta prevalência de 6,4% entre mulheres em idade reprodutiva, percentual que pode chegar a 34,2% entre mulheres sintomáticas atendidas em serviço especializado.

O tratamento deve ser individualizado e pode envolver medicamentos hormonais ou não hormonais, cirurgia ou a combinação dessas estratégias. A escolha considera fatores como intensidade dos sintomas, extensão e localização da doença, idade, desejo de engravidar e potenciais efeitos adversos. O objetivo é controlar a dor e melhorar a qualidade de vida e, quando desejado, preservar ou restaurar a fertilidade.

 

O protocolo também reconhece que pessoas transgênero podem viver com endometriose e ressalta que as recomendações não devem resultar em exclusão ou discriminação de pacientes em razão de identidade ou das diferentes experiências relacionadas à condição.

 

O novo PCDT tem caráter nacional e deve orientar estados, Distrito Federal e municípios na organização do acesso, dos fluxos assistenciais e dos procedimentos relacionados ao cuidado das pessoas com endometriose no SUS.

 

O documento completo do PCDT pode ser acessado no portal da CONITEC( Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde). Link

 

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