A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a aprovação do datopotamabe deruxtecana (Dato-Dxd) no Brasil para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama irressecável ou metastático receptor hormonal (RH) positivo, HER2 negativo (IHC 0, IHC 1+ ou IHC 2+/ISH-), que receberam terapia endócrina prévia e pelo menos uma linha de quimioterapia.[1],[2]

O datopotamabe deruxtecana é um conjugado anticorpo-droga (ADC) com tecnologia DXd, especificamente projetado para direcionamento ao TROP2, descoberto pela Daiichi Sankyo (TSE: 4568) e em desenvolvimento conjunto com a AstraZeneca (LSE/STO/Nasdaq: AZN). O datopotamabe deruxtecana é o segundo ADC com tecnologia DXd aprovado no Brasil com base na plataforma tecnológica DXd ADC da Daiichi Sankyo.

linfoma

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A aprovação foi baseada nos resultados do estudo de fase 3 TROPION-Breast01². No estudo, datopotamabe deruxtecana reduziu significativamente o risco de progressão da doença ou morte em 37% em comparação com a quimioterapia à escolha do investigador (hazard ratio [RH]=0,63; intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,52–0,76; p<0,0001) em pacientes com câncer de mama metastático RH positivo, HER2 negativo, conforme avaliação por revisão central independente cega (BICR).

A sobrevida livre de progressão (SLP) mediana foi de 6,9 meses nos pacientes tratados com datopotamabe deruxtecana, em comparação com 4,9 meses nos tratados com quimioterapia. Uma taxa de resposta objetiva confirmada (TRO) de 36% foi observada no braço de datopotamabe deruxtecana, em comparação com 23% no braço de quimioterapia. Foram observadas duas respostas completas (RC) (0,5%) e 131 respostas parciais (RP) (36%) no braço de datopotamabe deruxtecana, em comparação com nenhuma RC e 84 RP (23%) no braço de quimioterapia.2

anvisa

No estudo TROPION-Breast01, eventos adversos relacionados ao tratamento (EART) foram mais frequentes com datopotamabe deruxtecana do que com quimioterapia – 93,6% vs 86,3% – porém a proporção de eventos grau ≥3 foi inferior à metade com datopotamabe deruxtecana (20,8% vs 44,7%). Eventos adversos graves ocorreram em 5,8% dos pacientes no braço de datopotamabe deruxtecana versus 9,1% no braço de quimioterapia. Além disso, modificações de dose foram menos comuns com datopotamabe deruxtecana: reduções de dose ocorreram em 20,8% vs 30,2% e interrupções de tratamento em 11,9% vs 24,5%.

Não houve mortes relacionadas ao tratamento com datopotamabe deruxtecana, enquanto uma morte devido à neutropenia febril ocorreu no braço de quimioterapia. As reações adversas mais comuns com datopotamabe deruxtecana foram náusea (51,1% vs 23,6%), estomatite (50,0% vs 13,1%) e alopecia (36,4% vs 20,5%). O datopotamabe deruxtecana também apresentou menor taxa de neutropenia em comparação com a quimioterapia (10,8% vs 42,5%). Mucosite/estomatite e eventos oculares foram predominantemente de baixo grau e raramente levaram à descontinuação do tratamento.

Os conjugados anticorpo-droga (ADCs) representam uma modalidade de tratamento do câncer que combina um anticorpo monoclonal, capaz de se ligar a uma proteína específica na superfície das células tumorais, a um agente citotóxico, permitindo que o medicamento atue diretamente nas células cancerígenas[3],[4].

O datopotamabe deruxtecana tem como alvo o TROP-2, uma proteína altamente expressa em tumores sólidos, incluindo o câncer de mama metastático, para o qual foi aprovado. Após se ligar à célula tumoral, o medicamento é internalizado e libera sua carga citotóxica dentro da célula, levando à sua destruição enquanto reduz danos às células saudáveis.[5],[6],[7],[8]

Importância da aprovação da Anvisa

“A aprovação do datopotamabe deruxtecana oferece aos pacientes com câncer de mama metastático a oportunidade de serem tratados com um novo conjugado anticorpo-droga direcionado ao TROP-2”, afirma Gabriela Prior, diretora médica de Oncologia da Daiichi Sankyo Brasil. “Este marco fortalece ainda mais nosso portfólio de medicamentos oncológicos inovadores e reflete nosso compromisso em avançar novas opções de tratamento para pacientes com altas necessidades médicas não atendidas.”

“Nossos esforços como empresa estão focados em redefinir o tratamento do câncer. A chegada de uma nova alternativa terapêutica no Brasil com resultados promissores – como a redução significativa do risco de progressão da doença ou morte – reforça o potencial dos ADCs como uma opção eficaz para os pacientes”, afirma Danilo Lopes, diretor médico de Oncologia e Doenças Raras da AstraZeneca Brasil. “A aprovação representa mais um avanço importante na jornada do tratamento do câncer de mama metastático.”

O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre mulheres em todo o mundo, com aproximadamente 2,2 milhões de novos diagnósticos e cerca de 685 mil mortes anualmente. ⁹

Sobre a Daiichi Sankyo

A Daiichi Sankyo é uma empresa global inovadora de saúde que contribui para o desenvolvimento sustentável da sociedade por meio da descoberta, desenvolvimento e oferta de novos padrões de tratamento, com o objetivo de enriquecer a qualidade de vida em todo o mundo. Com mais de 120 anos de experiência, a Daiichi Sankyo utiliza ciência e tecnologia de ponta para criar novas modalidades e medicamentos inovadores para pessoas com câncer, doenças cardiovasculares e outras condições com altas necessidades médicas não atendidas. Para mais informações, visite: www.daiichisankyo.com.br

Sobre a AstraZeneca

A AstraZeneca é uma empresa biofarmacêutica global, orientada pela ciência, focada na descoberta, desenvolvimento e comercialização de medicamentos sob prescrição nas áreas de Oncologia, Doenças Raras e Biofarmacêuticos, incluindo Cardiovascular, Renal & Metabolismo, Respiratório e Imunologia. Com sede em Cambridge, no Reino Unido, a AstraZeneca opera em mais de 100 países, e seus medicamentos inovadores são utilizados por milhões de pacientes em todo o mundo. Para mais informações, visite: www.astrazeneca.com.br e siga a empresa no Instagram @astrazenecabr.

 

Referências:

[1] Bula do produto. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/datroway-r-datopotamabe-deruxtecana

[2] Bardia A, et al. Datopotamab Deruxtecan Versus Chemotherapy in Previously Treated Inoperable/Metastatic Hormone Receptor-Positive Human Epidermal Growth Factor Receptor 2-Negative Breast Cancer: Primary Results From TROPION-Breast01. J Clin Oncol. 2025 Jan 20;43(3):285-296.

[3] CLEVELAND CLINIC. Antibody-Drug Conjugates. Cleveland Clinic, 2024. Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/treatments/antibody-drug-conjugates. Acesso em: 5 fev. 2025.

[4] ADC REVIEW. What are Antibody-Drug Conjugates? ADC Review, 2024. Available at: https://www.adcreview.com/the-review/antibody-drug-conjugates/what-are-antibody-drug-conjugates/. Accessed on: 5 fev. 2025.

[5] Okajima D, Yasuda S, Maejima T, et al. Datopotamab deruxtecan, a novel TROP2-directed antibody-drug conjugate, demonstrates potent antitumor activity by efficient drug delivery to tumor cells. Mol Cancer Ther. 2021;20:2329–2340. doi: 10.1158/1535-7163.MCT-21-0206.

[6] Shvartsur A, Bonavida B. TROP2 and its overexpression in cancers: Regulation and clinical/therapeutic implications. Genes Cancer. 2015;6:84–105. doi: 10.18632/genesandcancer.40.

[7] Ambrogi F, Fornili M, Boracchi P, et al. Trop-2 is a determinant of breast cancer survival. PLoS One. 2014;9:e96993. doi: 10.1371/journal.pone.0096993.

[8] Vidula N, Yau C, Rugo H. Trophoblast cell surface antigen 2 gene (TACSTD2) expression in primary breast cancer. Breast Cancer Res Treat. 2022;194:569–575. doi: 10.1007/s10549-022-06660-x.

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