Ensino e avaliação não podem ser tratados como etapas separadas, defende artigo acadêmico

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Ensino e avaliação não podem ser tratados separadamente

Boa parte dos problemas na avaliação universitária nasce de um mal entendido: tratar o ato de ensinar e o ato de avaliar como dois momentos distintos da sala de aula. Um ensaio publicado pela revista Qualis A Open Minds (propriedade do CPAH, sob gestão técnica da Editora Atena) defende que essa separação prejudica tanto professores quanto estudantes do ensino superior.

O texto é assinado pela professora Maiza Taques Margraf Althaus, docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Avaliar é também ensinar?

Segundo a autora, quando a avaliação é entendida como processo contínuo, cada momento avaliativo se transforma em oportunidade de aprendizagem, tanto para quem ensina quanto para quem aprende. A ideia central é que planejar, ensinar e avaliar formam um ciclo único, e não uma sequência de fases isoladas.

Nota não é o problema, é o uso dela

O artigo esclarece que a avaliação somativa, aquela ligada à nota final, não precisa ser descartada da discussão sobre aprendizagem. O ponto central não está na escolha entre nota e processo, mas no alinhamento entre o que se pretende ensinar e o que, de fato, se avalia.

Quais ferramentas ajudam a integrar ensino e avaliação?

O estudo destaca duas estratégias de abordagem colaborativa amplamente usadas no ensino superior:

* portfólios, que reúnem trabalhos do estudante ao longo do tempo e favorecem a autoavaliação

* webquests, atividades de pesquisa orientada pela internet, criadas em 1995 na San Diego State University

Segundo o levantamento, essas ferramentas permitem observar o aprendizado sob três dimensões: o que o estudante sabe, o que ele sabe fazer e como ele se posiciona diante do próprio processo de aprender.

O papel do professor universitário

A conclusão do artigo é direta: ensinar bem exige saber analisar e avaliar a própria prática docente. Trabalhar a avaliação como parte do ensino, e não como uma etapa posterior a ele, exige investimento em formação continuada e disposição do professor para ajustar o próprio planejamento a partir do que observa em sala de aula.

 

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