Super El Niño: mudanças climáticas exigem planos de contingência municipais e atenção redobrada contra aumento das arboviroses

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Super El Niño: mudanças climáticas exigem planos de contingência municipais

As mudanças climáticas extremas e os reflexos do fenômeno El Niño, que altera os padrões de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país, trazem novos desafios para a saúde pública brasileira. De acordo com dados baseados em projeções da Fiocruz, o governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses, a partir das previsões do Super El Niño, que deverá ser ainda mais intenso este ano.

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um alerta para o risco de alta de arboviroses com o avanço do fenômeno climático.

De acordo com o Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn (uma das principais indústrias brasileiras de saúde e bem-estar), a instabilidade climática tem potencial para desencadear impactos diretos na saúde da população, indo desde desastres relacionados a enchentes e inundações até o aumento na incidência de doenças transmissíveis.

Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn “Embora o comportamento das chuvas passe por variações conforme a região, aumentando em algumas e diminuindo em outras, o alerta principal recai sobre a combinação de umidade e calor, cenário propício para a proliferação de vetores de zoonoses, especialmente as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya”, destaca o especialista.

Historicamente, o período de pico das arboviroses no Brasil ocorre entre a segunda quinzena de dezembro e os meses de abril e maio, diminuindo no segundo semestre com a queda das temperaturas e das chuvas. No entanto, sob a influência de alterações climáticas atípicas, os municípios devem se manter em alerta para um possível aumento no número de casos fora de época, ainda que uma epidemia em larga escala seja menos provável neste período.,

Nesse contexto, o diagnóstico precoce e a testagem rápida ganham papel estratégico. “Como os sintomas iniciais de zika, chikungunya e dengue são muito parecidos, a identificação rápida da doença por meio de testes rápidos amplamente disponíveis para a população em farmácias e clínicas de todo o país não é importante apenas para o diagnóstico e tratamento individual correto, mas também fundamenta as ações das secretarias de saúde no bloqueio e contenção do mosquito na região afetada, além de garantir a notificação oficial dos casos, essencial para frear a cadeia de transmissão”, diz, Chieppe.

Embora qualquer pessoa suscetível ao vírus possa adoecer, a atenção deve ser redobrada para grupos específicos, como as gestantes, que exigem cuidado rigoroso devido ao risco de complicações associadas ao Zika vírus, que possui potencial para causar malformações fetais, como a microcefalia, e as crianças, por terem menor histórico de contato prévio com os vírus e apresentarem maior suscetibilidade.

Serviços de saúde e população devem estar atentos com o aumento dos casos de arboviroses diante do Super El Niño
Para conter o aumento do número de infectados pelo vírus e evitar o agravamento dos casos, é importante orientar a população sobre os sinais de gravidade, ensinar a identificá-los e procurar imediatamente o serviço de saúde. Dr. Chieppe alerta que nenhum sistema consegue absorver uma explosão de casos sem planejamento prévio. Por essa razão, a recomendação central é a elaboração imediata de planos de contingência por parte dos gestores públicos e privados.

“O planejamento prévio deve contemplar uma reorganização dos serviços para fluxo ágil de atendimento, a estruturação de polos de hidratação, uma medida primordial no manejo da dengue para reduzir o risco de complicações severas, e a capacitação das equipes médicas, para o manejo clínico adequado de cada arbovirose, diferenciando os sintomas, como as dores intensas da chikungunya e as particularidades de hidratação da dengue”, explica o especialista.

Já para a população, manter a imunização em dia é fundamental para a prevenção primária. “A vacinação deve ser estimulada. Além disso, o combate ao vírus com a eliminação de focos de água parada continua sendo indispensável”, conclui o especialista.

 

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