Promessa é de emocionar o público com narrativa inspirada na lenda de Cristóvão e coletiva abriu também a exposição “A Paixão em Cenas” no Tivoli; apresentações ocorrem de 31 de março a 5 de abril no Complexo Usina Santa Bárbara

A 27ª edição do Espetáculo Via Crucis de Santa Bárbara d’Oeste foi apresentada nesta quinta-feira (5) oficialmente em evento que reuniu autoridades, convidados e representantes da imprensa, revelando os detalhes da nova montagem do maior espetáculo a céu aberto da região. A cerimônia aconteceu no Tivoli Shopping e marcou o início de mais uma temporada que promete trazer uma perspectiva renovada sobre a Paixão de Cristo em narrativa inspirada na lenda de Cristóvão. As apresentações acontecerão de 31 de março a 5 de abril, sempre às 20 horas, no Complexo Usina Santa Bárbara, com entrada gratuita.

Na ocasião, foram apresentados os atores que interpretarão os personagens centrais desta 27ª edição: Almir Pugina (Cristóvão e autor do texto), Bruno Queiroz (Satanás), Cláudia Nudi (Maria de Nazaré), Fernando Martins César (Pôncio Pilatos), Maria José Gomes (Cláudia Prócula), Murilo Oliveira (Jesus Menino) e Renato Luis Garrido Monaro (Jesus de Nazaré).

O Espetáculo Via Crucis de Santa Bárbara d’Oeste – 27ª edição é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e da Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com patrocínio do Supermercados Pague Menos e da TRBR, apoio da Cristiantex Magazine e gestão da Amigos da Cultura Barbarense Associação Social e Artística.

Dramaturgia

Nesta edição, o personagem que fará a história avançar e conectá-la às diferentes passagens é inspirado na lenda de Cristóvão, cujo objetivo de vida era tão somente servir ao maior soberano que existisse. Começou servindo a um rei, mas percebeu que este temia o diabo. Ao passar a servir ao diabo, notou que este tremia diante de uma cruz. Então, compreendendo que Jesus Cristo era o senhor mais poderoso, Cristóvão buscou um eremita para aprender a servir a Cristo que o instruiu a usar sua força para ajudar viajantes a atravessarem um rio perigoso, segundo Pugina.

Movido pela ideia de que a vida, com todo o enfrentamento das dificuldades cotidianas, é uma árdua travessia, o texto dessa edição fará com que se reflita se os ensinamentos de Cristo são práticas diárias na vida da gente; se nós somos como Cristóvão que aprendeu a servir, amar e a respeitar o próximo e que, na verdade, Cristo poderia ser qualquer pessoa que lhe pedisse ajuda para atravessar o rio. O texto ainda, em algumas passagens, trará importantes reflexões quanto à prática dos ensinamentos cristãos nos dias atuais; se de fato são transformados em ação ou se tornaram apenas retórica.


Protagonistas

Renato Monaro volta a interpretar Jesus de Nazaré nesta 27ª edição e destaca a forte ligação que construiu com o espetáculo desde 2006. Ele já viveu diversos personagens ao longo dos anos, interpretou Jesus em 2011 e 2012, retornou ao papel em 2025 e, agora, assume novamente o protagonista. “É sempre uma honra representar alguém tão significativo para a história da humanidade e poder levar ao público um pouco da trajetória desse grande ser humano que passou pela Terra. Repetir o personagem mostra que conseguimos entregar emoção e atender às expectativas do diretor e do público”, afirmou.

Segundo o ator, cada nova encenação traz mais profundidade à construção. “A cada vez que interpretamos Jesus, estudamos mais, buscamos referências, conversamos com pessoas de diferentes religiões e nos apegamos a detalhes que ajudam na composição. Neste ano estamos construindo um Jesus mais humano, que passa por alegria, frustração, dor, raiva e indignação, alguém mais próximo das pessoas”, frisou.

Fernando Martins César assume Pôncio Pilatos com uma leitura menos fria e mais humana. Ele enxerga o personagem como um homem pressionado politicamente e dividido internamente. “Eu construí o Pilatos como um homem conflituoso. Ele precisava manter a ordem, mas também era humano. O mais forte nele é essa luta interna entre fazer o que é certo e fazer o que era mais conveniente naquele momento”, disse.

A cena da sentença é, para ele, o maior desafio. “É quando o conflito interno chega ao auge. Externamente ele demonstra firmeza, mas internamente existe tensão e peso. Acho que a principal reflexão é sobre nossas escolhas. Muitas vezes sabemos o que é certo, mas a pressão e o medo falam mais alto. A omissão também é uma decisão”, explicou César.

Maria José Gomes interpreta Cláudia Prócula, esposa de Pilatos, e destaca a força da personagem, que tenta impedir a condenação de Jesus após um sonho revelador. “Ela enxerga que Jesus não tinha culpa nenhuma, que era um homem simples que só queria pregar o evangelho. Ela tenta alertar o marido para não se envolver. No sonho, ela vê que ele é inocente”, comentou.

A atriz ressalta a importância simbólica de viver a personagem como mulher negra. “Eu acho que a Cláudia nunca foi interpretada por uma mulher negra aqui no Espetáculo. Assim como aconteceu quando fiz Herodíades, que também era sempre representada por mulheres brancas. Dar voz a uma rainha sendo uma mulher negra é muito significativo”.

Bruno Queiroz vive Satanás e constrói o personagem equilibrando o simbólico e o humano. Integrante do projeto desde 2015, ele já passou por papéis como apóstolos e Judas Iscariotes. “Buscamos fugir dos estereótipos. Satanás já vem pronto no imaginário das pessoas. O desafio foi criar um novo corpo, uma nova proposta cênica. Quanto mais humano ele se torna, mais perigoso ele é, porque o público reconhece essas atitudes no dia a dia”, destacou. “Quando ele entra em cena, há um silêncio diferente. Algumas pessoas demonstram desconforto, outras curiosidade. Isso faz parte da proposta”.

Almir Pugina interpreta Cristóvão, personagem que conduz a narrativa e conecta as passagens da jornada de Jesus. “Cristóvão é um homem que busca servir ao senhor mais poderoso que existe. Ele faz a história avançar e, mais do que narrar, conecta as diferentes passagens da jornada de Jesus”, falou.

O ator destaca que a preparação ainda está em construção. “Os ensaios e as gravações me ajudaram a mensurar a importância dramática do personagem. Agora vamos para a caracterização e as marcações cênicas, que vão concluir essa composição coletiva. Existe uma passagem em que ele se encontra com Cristo de forma muito poética. Ali compreendemos que Jesus pode ser qualquer pessoa que precise do nosso auxílio nessa caminhada”, complementou.

Cláudia Nudi retorna como Maria de Nazaré e fala da entrega emocional ao papel. “Para mim não é difícil transmitir fé e sofrimento, porque isso é meu. Eu leio e faço. Só imagino o quanto essa mulher sofreu. Qualquer mãe sofreria diante de uma situação assim”, salientou. “Maria representa todas as mães. Ela chorou aos pés da cruz, mas nunca deixou de crer. Ser mãe é amar em silêncio e suportar dores profundas. Sem fé a gente não é nada”, declarou.

O elenco conta ainda com Murilo Oliveira, de apenas 4 anos, no papel de Jesus Menino. Espontâneo, ele resume sua admiração pelo personagem: “Eu gosto que ele cura as pessoas, que ele nos ensine e que ele faz milagre. Eu fico feliz e alegre. Eu fico ansioso para começar os ensaios no Teatro”, revelou.

Exposição

A partir desta quinta-feira (5), o público poderá conferir a mostra fotográfica “A Paixão em Cenas” com registros marcantes da edição de 2025 no Tivoli Shopping. Para visitação, o Tivoli está localizado na Rua do Ósmio, 699, no Mollon, e funciona de segunda-feira a sábado, das 10 às 22 horas, e domingo das 11 às 22 horas.

As fotografias que dão vida à exposição são de autoria de André Luiz de Moraes, Isabelly Cardoso, José Luis Peres, José Roberto Bueno, Larissa Melo, Luis Eduardo Deffanti, Marcel Carloni, Natália Chaves, Rogério de Lima, Rudi Silva, Thiago Janoni e Thiago Oliveira.

Após este período, conforme edição passada, a “A Paixão em Cenas” será enviada para os dias de espetáculo no Complexo Usina Santa Bárbara e, posteriormente, ao Centro Cultural e Biblioteca “Professor Léo Sallum”.

Confira o currículo dos protagonistas:

Almir Pugina (Cristovão/autor do texto)

Almir Pugina, 58 anos, atua na área teatral como ator, diretor, produtor cultural e dramaturgo desde 1986. É funcionário da Secretaria de Cultura e Turismo de Santa Bárbara d’Oeste desde 2002, onde já coordenou projetos e eventos culturais como o Projeto Via Crucis, Festivais de Teatro e Seletivas Municipais e Regionais do Mapa Cultural Paulista, além de desenvolver oficinas, workshops e montagens com jovens e adultos. Entre os prêmios recebidos destacam-se o Destaque Cultural da Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste em 2015 (pelos trabalhos de dramaturgia do Via Crucis de 2005 a 2015) e em 2017 (pela Coordenação Geral do Projeto Recitar – A Palavra em Verso Vivo). Em 2025 recebeu o Prêmio de Funcionário do Ano da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. É autor do texto “Ir e Vir: Cidadão Vigilante”, apresentado em turnê pela Cia de Teatro Parafernália, que em 2025 passou por 102 cidades de cinco estados, sendo assistido por mais de 51 mil espectadores.

Bruno Queiroz (Satanás)

Bruno Queiroz é ator, bailarino, pedagogo e pós-graduado em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo e Deficiência Intelectual. Iniciou sua formação artística na Fábrica das Artes (2013–2016), com continuidade de estudos na Escola de Atores Nilton Travesso, em São Paulo, e no curso técnico em teatro pelo SENAC Piracicaba. Participou de montagens como Léo Não Pode Mudar o Mundo (2013), Da Raiz ao Grito (2014), Contos de Farsas (2014), Cenas de Lugares Distantes (2015), Liberdade, Liberdade (2015), O Primeiro Voo de Ícaro (2015), Romeu e Julieta – Não é uma História de Amor (2016), NU (2022) e do espetáculo Via Crucis nas edições de 2015, 2016, 2017, 2018, 2021 e 2026. Atuou como ator e diretor no Grupo Lumos de Teatro, sendo premiado como Melhor Esquete no festival “Recitar – A Palavra em Verso Vivo” e 1º Lugar como Melhor Declamador em 2019. Também integrou o Manada Grupo de Teatro e participou do Projeto Ademar Guerra. No audiovisual, esteve em curtas, webséries e videoclipes com alunos da Unimep. Na dança, participa de festivais desde 2019, com espetáculos como Rei do Show (2019), SING (2022), Uma Noite no Museu (2023), Cinderella (2024) e Escola do Rock (2025), atuando em musicais como ator, cantor e bailarino.

Cláudia Nudi (Maria de Nazaré)

Cláudia Cristina de Araujo Nudi, 58 anos, viúva, é dona de casa, cozinheira e cuidadora de idosos. Ingressou no Espetáculo Via Crucis por volta de 1999, quando a direção ainda era de Jerônimo, iniciando como figurante e depois interpretando Herodíades. Ao longo dos anos, assumiu outros papéis, como a mãe do cego curado por Jesus, em 2013, e Maria de Nazaré, em 2014. Após um período afastada, retornou ao projeto a convite de Lays Ramires, coordenadora geral do Espetáculo, sentindo-se extremamente feliz e realizada por integrar novamente um projeto que define como grandioso e lindo.

Fernando Martins César (Pôncio Pilatos)

Fernando Martins César, 31 anos, participa do Espetáculo Via Crucis pela primeira vez, retornando aos palcos após anos sem atuar. Engenheiro de produção, trabalha atualmente como analista comercial, mas sempre manteve o teatro como uma paixão. Ao ingressar no projeto neste ano, não imaginava conquistar um papel de tanta importância como o que está interpretando nesta edição.

Maria José Gomes (Cláudia Prócula)

Maria José Gomes (Mazé) iniciou seu interesse pelo teatro aos nove anos, na escola, ingressando depois no anfiteatro, tendo como primeira peça Pluft, o Fantasminha. É formada em Artes Cênicas pela Escola Carlos Gomes, em Campinas, atriz premiada e participante de três curtas-metragens. Começou no Via Crucis em 2005 com Almir Pugina, interpretando Verônica por cinco anos, além de Samaritana, Herodíades (duas vezes), Maria Madalena (duas vezes), Marta e, agora, Cláudia, mulher de Pilatos.

Murilo Fernando de Oliveira (Jesus Menino)

Murilo Fernando de Oliveira, 4 anos, é estudante do Jardim I, filho de Bruna e Eduardo de Oliveira, morador do Jardim das Laranjeiras, em Santa Bárbara d’Oeste. Alegre, espontâneo, inteligente e carinhoso, fez sua primeira participação no Via Crucis no ano passado e se apaixonou pelo projeto junto com a família. Neste ano, encara o desafio de seu primeiro papel com fala, superando expectativas para sua idade. É dedicado, gosta de participar dos ensaios e adora fazer amizades.

Renato Luis Garrido Monaro (Jesus de Nazaré)

Renato Luis Garrido Monaro, 41 anos, engenheiro, contador e empresário, iniciou sua trajetória no teatro em 2003, na Unimep, integrando o grupo da instituição. Entre 2003 e 2006 participou de outros grupos em Santa Bárbara d’Oeste, apresentou projetos em festivais e atuou em comerciais de televisão. No Via Crucis, estreou em 2006 como Judas, interpretou Pedro em 2008 e Pilatos em 2010. Viveu Jesus em 2011 e 2012, retornou como Tomé em 2013, fez uma pausa entre 2014 e 2023, retomou em 2024 como Caifás e, em 2025, voltou a interpretar Jesus.

Otávio Delaneza (Diretor artístico)

Mestrando em Artes Cênicas, especialista em Direção Teatral e Artes da Cena, pós-graduado pelo Teatro Escola Célia Helena e Licenciado em Artes Visuais, com formação no método Dance Of Intentions (Holstebro/Dinamarca) e residências artísticas imersivas com Eugênio Barba, estudando as técnicas laboratoriais do Odin Teatret. Atua na formação e embasamento de grupos teatrais desde 2004, tendo como focos de pesquisa o corpo como ferramenta elementar, o teatro narrativo e o Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski. Otávio é um dos idealizadores da Mostra de Teatro Cena Bárbara. É diretor convidado do espetáculo Via Crucis desde 2013, onde realiza um trabalho anual com atores e não-atores culminando numa grande produção externa. Teve sua trajetória como diretor reconhecida pelo PROAC LAB, conquistando pontuação equivalente a grandes mestres do teatro paulista. Validação esta que permitiu a instituição de seu Laboratório de Investigação Cênica (uma célula de pesquisa teatral no município de Santa Bárbara d’Oeste). Das obras concebidas por ele, destacam-se: “N”, espetáculo de sua autoria que propõe uma reflexão sobre a condição dos refugiados na contemporaneidade, “Trovoa”, trabalho híbrido de teatro e audiovisual, e “O Broto”, obra que circulou pelo país rendendo reconhecimentos para sua direção em importantes circuitos. Como convidado dirigiu espetáculos para as cias D’Vergente e Karuna. É fundador da Cia Arte-Móvel (2009), onde é diretor de seis, dos sete espetáculos em repertório da Cia.