O limite biológico para a maternidade tem sido desafiado pela ciência. No Brasil, o número de mulheres que decidem ser mães após os 40 anos cresceu significativamente — segundo dados do Ministério da Saúde e do IBGE, o registro de nascimentos entre mães nesta faixa etária saltou mais de 60% nas últimas duas décadas.

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No entanto, o avanço das técnicas de reprodução assistida já permite que esse sonho se realize em idades ainda mais maduras, como é o caso de uma paciente do Dr. Alfonso Massaguer que engravidou e deu à luz aos 64 anos.

A gestação em idades avançadas é possibilitada, em muitos casos, pela recepção de óvulos doados. Segundo a ANVISA, o número de ciclos de fertilização com óvulos doados no Brasil tem apresentado crescimento constante, refletindo uma mudança no perfil das famílias brasileiras.

A epigenética e a herança além do DNA

Uma das maiores dúvidas de mulheres que recorrem à doação de óvulos é a semelhança física e biológica com o bebê. O Dr. Alfonso Massaguer explica que o útero materno não é apenas um “incubador”, mas um ambiente ativo que molda o desenvolvimento da criança através da epigenética.

“Temos o caso recente de uma paciente de 64 anos que realizou o sonho de ter um filho conosco. Como ela não havia congelado óvulos no passado, utilizamos a técnica de óvulo doado de uma doadora compatível com suas características físicas, em conjunto com o sêmen do marido. O que muitos não sabem é que, graças à epigenética, a criança desenvolve características similares às da mãe que gesta. O ambiente uterino tem o poder de ativar ou silenciar genes, fazendo com que o bebê herde traços biológicos e comportamentais da mulher que carrega a gestação, mesmo que o material genético inicial seja doado,” explica o Dr. Alfonso Massaguer.

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Congelamento de óvulos: O seguro reprodutivo

Embora a doação de óvulos seja uma alternativa eficaz, o especialista ressalta que o cenário está mudando para as próximas gerações. Há 10 ou 15 anos, as técnicas de vitrificação (congelamento) não eram tão precisas e o procedimento era pouco divulgado.

“Hoje, o congelamento de óvulos é uma ferramenta de liberdade. Ele permite que a mulher preserve sua fertilidade no auge biológico para utilizá-la quando se sentir pronta, seja por questões de carreira ou estabilidade emocional. Para aquelas que não tiveram acesso a essa tecnologia no passado, a medicina atual oferece caminhos seguros para que a idade não seja um impedimento absoluto para a construção de uma família,” continua o médico.

A segurança e o preparo para a gestação madura Maternidade

Para que uma gestação ocorra com sucesso após os 50 ou 60 anos, o Dr. Alfonso Massaguer enfatiza que o acompanhamento médico deve ser rigoroso e multidisciplinar.

Um dos pilares fundamentais é a avaliação cardiovascular minuciosa, procedimento essencial para garantir que o organismo da mulher suporte a sobrecarga hemodinâmica natural da gravidez em uma fase da vida em que o sistema circulatório exige maior atenção.

Além da saúde do coração, o sucesso da implantação depende de um preparo endometrial detalhado, onde o útero é condicionado hormonalmente para receber o embrião com a máxima segurança e receptividade.
Outro avanço tecnológico que traz tranquilidade às famílias é o acompanhamento genético de ponta. Através de testes pré-implantacionais realizados no embrião antes mesmo da transferência para o útero, os especialistas conseguem garantir a saúde cromossômica do bebê, minimizando riscos de síndromes e aumentando as taxas de sucesso da fertilização.

Esse conjunto de medidas, que une monitoramento físico e genética avançada, é o que permite que a medicina transforme o desejo da maternidade tardia em uma realidade segura para a mãe e para o recém-nascido.
SOBRE O DR. ALFONSO MASSAGUER (CRM 97335 | RQE 42794)

Com mais de 25 anos de dedicação à medicina reprodutiva, o Dr. Alfonso Massaguer é formado pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização pelo Hospital das Clínicas. É diretor responsável da Clínica Mãe e da Clínica Engravida, além de ser Diretor Clínico do Centro Brasileiro de Congelamento de Óvulos. Membro das sociedades americana e europeia de reprodução humana, o especialista também atuou como docente por anos e é autor de obras que buscam tornar a medicina reprodutiva mais acessível e humanizada para todos os perfis de pacientes.

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