Aos sete anos, Theo Viana Magalhães já viveu uma travessia que poucos adultos suportariam. De Açailândia, no interior do Maranhão, ele veio a São Paulo com a família em busca da chance de continuar vivendo. O destino foi o transplante de fígado — e, junto com ele, a possibilidade concreta de um futuro ao lado do irmão que acabou de nascer.
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Theo convive desde muito cedo com uma condição genética rara, a deficiência de alfa-1 antitripsina, que compromete progressivamente o funcionamento do fígado. Os primeiros sinais surgiram quando ele tinha cerca de um ano e meio, após uma crise grave que resultou em internação hospitalar, ainda sem diagnóstico conclusivo. Começava ali uma longa peregrinação da família por diferentes serviços de saúde, em busca de respostas.
Família com o novo integrante: Rael. (Fonte: Divulgação Rede D’Or)
Anos depois, em Belo Horizonte, veio a confirmação da doença. O cenário se agravou quando exames identificaram um nódulo hepático, elevando o grau de urgência do tratamento. Em 2025, a situação ganhou contornos ainda mais delicados: no meio do acompanhamento médico, a mãe, Jhulyere Viana Lima, descobriu que estava grávida do segundo filho, enquanto a condição clínica de Theo exigia decisões rápidas.
O transplante foi realizado no Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, em São Paulo, com sucesso. “Foi tudo muito intenso, muitos altos e baixos, mas graças a Deus e a todos os profissionais envolvidos deu tudo certo”, resume Jhulyere, emocionada.
Segundo o cirurgião João Seda, responsável pelo procedimento, o transplante hepático pediátrico pode ser feito a partir de doador falecido ou vivo. “Nos casos infantis, a doação intervivos costuma ser a melhor alternativa, especialmente por questões de tamanho do órgão e especificidades clínicas. A compatibilidade é relativamente simples, já que o principal critério é o tipo sanguíneo”, explica.
A história de Theo marca também o início de um novo serviço nacional da Rede D’Or voltado à hepatologia e ao transplante hepático pediátrico, destinado a crianças e adolescentes de até 17 anos. Estruturado a partir de São Paulo, o programa tem como objetivo ampliar o diagnóstico precoce e facilitar o acesso ao tratamento de alta complexidade em todo o país.
Com bases no complexo do Itaim e no Hospital da Criança, no Jabaquara, o serviço atua como um hub de apoio técnico às 79 unidades da Rede D’Or distribuídas em 13 estados e no Distrito Federal, integrando equipes locais e reduzindo o tempo entre a identificação da doença e o cuidado especializado. A equipe é referência há mais de 20 anos e acumula mais de 1,5 mil casos acompanhados e transplantados. A liderança clínica é da hepatologista pediátrica Gilda Porta, com a frente cirúrgica conduzida por João Seda e Eduardo Antunes.
Para Gilda Porta, o diagnóstico precoce é decisivo para mudar o prognóstico das crianças. “Muitas doenças hepáticas evoluem de forma silenciosa e, quando identificadas tardiamente, podem levar a complicações graves ou até ao óbito nos primeiros anos de vida”, alerta. A hepatologista Adriana Hirschfeld reforça que o transplante é apenas uma etapa dentro de um processo mais amplo. “O sucesso depende de uma avaliação criteriosa, do preparo adequado e do acompanhamento rigoroso no pós-operatório, sempre com equipes atuando de forma coordenada”, afirma.
Um dos diferenciais do serviço é a atuação integrada com profissionais de diferentes regiões do país, permitindo que casos suspeitos ou confirmados sejam discutidos precocemente, inclusive à distância, ampliando o acesso ao cuidado especializado.

Theo tem alta
Hoje, Theo já recebeu alta hospitalar e se recupera ao lado da família, que acabou de ganhar um novo integrante: em fevereiro, nasceu o irmãozinho Rael, na Maternidade Star. “Pudemos entender a importância da doação de órgãos. Acho mágico pensar que uma pessoa vive dentro de outra, dando saúde a ela”, diz Jhulyere.
Para Theo, o novo fígado não representa apenas um procedimento médico bem-sucedido — é a chance concreta de crescer, brincar e assumir o papel de irmão mais velho.
Sobre a Rede D’Or
Maior empresa de saúde da América Latina, com presença em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal, a Rede D’Or tem foco em atendimento humanizado, qualificação da equipe, adoção de novas tecnologias, sendo referência em gestão hospitalar e na prestação de serviços médicos. Fundada em 1977, no Rio de Janeiro, a Rede D’Or conta com 79 hospitais, 55 clínicas oncológicas, serviços complementares, e investe em inovação e pesquisa clínica, por meio do IDOR – Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.
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