Chegando nova regra- Mudança silenciosa na faixa de renda promete surpresa desagradável para famílias de baixa renda nas agências da Caixa. A especialista Ingred Rosa detalha o impacto do novo corte.
Uma mudança silenciosa nos critérios do PIS/Pasep promete pegar milhares de famílias de baixa renda de surpresa na hora de ir ao banco. A atualização nos cálculos para liberar o abono salarial ficou mais rígida e já acendeu o alerta de quem acompanha o bolso do trabalhador de perto.
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O benefício, que sempre funcionou como aquele alívio financeiro esperado o ano todo por quem tem carteira assinada, agora vai passar por um filtro bem mais apertado, encolhendo drasticamente a lista de pessoas que realmente vão conseguir sacar o dinheiro.

Na prática, a partir de 2026, o limite de renda para acesso ao benefício passou a ser reajustado anualmente pelo INPC, deixando de acompanhar a política de valorização do salário mínimo. Além disso, esse limite será reduzido gradualmente nos próximos anos, até atingir o equivalente a 1,5 salário mínimo por volta de 2035, o que tende a restringir o acesso ao benefício e reduzir o número de famílias elegíveis.
Impacto da nova regra
O impacto dessa mudança tende a ser sentido com mais força justamente nas casas onde cada real faz diferença. “Esse novo modelo parece pequeno no papel, mas, na ponta, ele fecha o cerco para quem já vive no aperto. Famílias de baixa renda, sobretudo aquelas com salário variável, adicional, hora extra ou comissão, podem ser as primeiras a sentir esse afastamento do abono. É uma mudança silenciosa, mas com efeito direto no orçamento doméstico”, afirma Dra. Ingred Rosa Portela.
No calendário de 2026, têm direito ao benefício os trabalhadores que, no ano-base de 2024, receberam remuneração média de até R$ 2.766,00, desde que também cumpram os demais requisitos legais, como estar inscrito no programa há pelo menos cinco anos e ter trabalhado por no mínimo 30 dias no período-base.
Com os pagamentos do abono salarial iniciados em fevereiro de 2026, a recomendação é que os trabalhadores verifiquem previamente sua situação antes de se deslocarem até agências bancárias ou lotéricas. A orientação é consultar os canais oficiais, especialmente o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, para confirmar se a média salarial do ano-base considerado permaneceu dentro do limite exigido para a concessão do benefício. “Muitas pessoas só descobrem que não têm direito ao abono quando chegam ao local de saque. Uma consulta prévia pode evitar deslocamentos desnecessários e muita frustração”, alerta a especialista.
Com o novo cenário desenhado, entidades de classe já tentam calcular o tamanho do estrago na economia, já que a medida vai reter milhões de reais que iriam direto para o comércio local. Enquanto isso, o trabalhador que está na corda bamba precisa redobrar a atenção aos detalhes do holerite para entender se ainda faz parte, ou não, do grupo que vai receber o abono.
Fonte: Ingred Rosa Portela – Advogada Trabalhista e Previdenciária.
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