Crise de ansiedade: saiba quais atitudes ajudam e pioram em momentos críticos
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Taquicardia, falta de ar, tremores, suor excessivo e a sensação de que algo muito grave está prestes a acontecer. Para quem vive uma crise de ansiedade, os sintomas podem ser tão intensos que muitas vezes são confundidos com um infarto ou outro problema de saúde. Apesar de ser uma condição relativamente comum, ainda há muita desinformação sobre como agir nesses momentos, tanto por parte da própria pessoa quanto de familiares e amigos.
Segundo o psiquiatra Dr. Gustavo Omena, o primeiro passo é entender que uma crise de ansiedade nunca deve ser banalizada, mas também não deve ser diagnosticada sem investigação médica. “A crise de ansiedade é um diagnóstico de exclusão. Antes de atribuir os sintomas à ansiedade, precisamos afastar doenças cardiovasculares, metabólicas e neurológicas que podem se manifestar de forma semelhante e representar risco à vida”, explica.
Quando as causas clínicas são descartadas, o quadro pode estar relacionado ao transtorno de ansiedade ou ao transtorno do pânico. Nesses casos, além dos sintomas físicos, é comum surgir um medo intenso de morrer, perder o controle ou enlouquecer. “Um aspecto que assusta muito os pacientes é que, muitas vezes, a crise acontece sem qualquer gatilho aparente. A pessoa pode estar descansando, assistindo televisão ou em um ambiente tranquilo e, ainda assim, desenvolver uma crise”, afirma.
O que fazer durante uma crise
A primeira orientação é buscar manter a calma. Embora seja uma situação angustiante, o comportamento de quem está ao redor influencia diretamente a intensidade da crise. Entre as atitudes que podem ajudar estão orientar uma respiração lenta e controlada, utilizando inspirações pelo nariz e expirações prolongadas pela boca, permanecer ao lado da pessoa, oferecer frases de acolhimento e utilizar técnicas de aterramento, como pedir que ela identifique objetos, sons ou sensações do ambiente. Essas estratégias ajudam a reduzir a hipervigilância e favorecem o retorno gradual ao equilíbrio emocional.
“O cérebro em uma crise de ansiedade está em estado de alerta máximo. Neste momento, a pessoa precisa primeiro sentir que está segura. Só depois faz sentido conversar sobre o que aconteceu”, explica Dr. Gustavo Omena.
O que evitar
Algumas atitudes, mesmo quando bem-intencionadas, podem agravar o sofrimento. Entre elas estão minimizar os sintomas com frases como “isso é frescura”, “você está exagerando” ou “não há motivo para esse desespero”. Também não é indicado discutir racionalmente durante o pico da crise, já que o cérebro está voltado para a sensação de ameaça e não consegue processar argumentos com clareza.
Ambientes barulhentos, excesso de estímulos, muitas pessoas falando ao mesmo tempo e o consumo de cafeína ou energéticos também podem intensificar os sintomas. “O acolhimento é muito mais eficaz do que tentar convencer alguém de que não há motivo para sentir medo. A lógica só volta a funcionar quando o organismo deixa o estado de alerta”, destaca o psiquiatra.
Quando procurar atendimento médico
Embora muitas crises estejam relacionadas aos transtornos de ansiedade, existem situações em que a avaliação médica deve ser imediata.
Segundo o especialista, pessoas sem diagnóstico prévio, idosos ou pacientes com doenças cardíacas precisam ser avaliados sempre que apresentarem sintomas como dor no peito, falta de ar intensa, alterações do ritmo cardíaco ou perda de consciência.
Já o acompanhamento psiquiátrico é recomendado quando as crises passam a ocorrer com frequência, começam a interferir na rotina, provocam isolamento social ou levam a pessoa a evitar determinados lugares por medo de uma nova crise.
“O tratamento é individualizado. Em muitos casos, a combinação entre psicoterapia, medicação quando indicada e mudanças no estilo de vida permite um excelente controle dos sintomas. O mais importante é entender que ansiedade tem tratamento e que procurar ajuda é um passo fundamental para recuperar a qualidade de vida”, conclui Dr. Gustavo Omena.
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