Nikolas Ferreira, Pablo Marçal e a guerra dos deuses pelo voto do Sudeste

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Nikolas Ferreira, Pablo Marçal e a guerra pelo voto do Sudeste

As eleições municipais de 2024 revelaram uma disputa que ultrapassa os números das urnas. Um estudo do jornalista Marcio Ferreira, mestre em sociologia política e doutorando em sociologia política pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, mostra como a religião se tornou peça central na consolidação da extrema direita em estados do Sudeste, sobretudo Minas Gerais e São Paulo. De acordo com uma investigação partilhada pela revista Qualis A Open Minds (propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena), esse movimento pode ser lido à luz do conceito de guerra dos deuses, formulado pelo sociólogo alemão Max Weber para descrever o choque entre visões de mundo rivais mediadas pela fé.

Fé, medo e voto: como funciona a engrenagem

A pesquisa, conduzida com metodologia de netnografia (observação do comportamento de grupos conservadores nas redes) e história digital, aponta que líderes religiosos e políticos usam o chamado pânico moral para mobilizar eleitores. O conceito, criado pelo sociólogo britânico Stanley Cohen na década de setenta, descreve o processo pelo qual certos grupos são apresentados como ameaça à ordem social, o que amplia o medo e a sensação de urgência.

O papel de lideranças evangélicas

Segundo o levantamento, pastores como Silas Malafaia e figuras como Damares Alves ajudaram a consolidar a ideia de que a família tradicional estaria sob ataque, usando plataformas como YouTube, Instagram e Telegram para ampliar o alcance de sermões e vídeos que reforçam essa narrativa.

Nikolas Ferreira e a nova direita digital

O deputado federal Nikolas Ferreira aparece no estudo como símbolo de uma direita jovem e agressiva, que soma milhões de seguidores nas redes sociais e usa linguagem direta para se opor ao que chama de ideologia de gênero. A pesquisa cita, como exemplo, o episódio em que o parlamentar usou peruca em discurso na Câmara dos Deputados para ridicularizar identidades trans, ato amplamente classificado como transfóbico.

Pablo Marçal, o coach que promete missão divina

Já o empresário e coach Pablo Marçal é descrito como um outsider que combina retórica empreendedora com discurso religioso, apresentando sua entrada na política como uma espécie de missão para restaurar valores cristãos no país.

Direita fragmentada, discurso radicalizado

O estudo destaca que, embora dividida em diferentes facções, a direita brasileira compartilha bandeiras que se reforçam mutuamente. Entre os temas mais explorados pelas lideranças analisadas, estão:

• a defesa da família tradicional

• a oposição à chamada ideologia de gênero

• o discurso de proteção à infância diante de supostas ameaças culturais

• o combate ao que classificam como establishment político

O que está em jogo até 2026

A pesquisa conclui que essa radicalização, somada ao uso intenso de redes sociais, enfraquece instituições como a imprensa e os partidos tradicionais, favorecendo a polarização. Com as eleições presidenciais de 2026 no horizonte, o autor do estudo alerta que o fenômeno tende a ganhar ainda mais força, ampliando o desafio para a convivência democrática no país.

 

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