Qualquer família pode ter um filho com nanismo, e é sobre esse olhar que fala o novo livro de Juliana Yamin
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Em “Na Altura do Coração”, Juliana Yamin, fundadora do Instituto Nacional de Nanismo, reúne quase duas décadas de atuação para expor o capacitismo naturalizado e propor um letramento cultural que vai além das leis. Obra tem dois lançamentos, em São Paulo e em Goiânia.
Enquanto piadas sobre nanismo continuam arrancando risadas em horário nobre, um dado costuma passar despercebido: a maioria das crianças com a condição nasce de pais sem qualquer histórico genético dela. Em outras palavras, qualquer família pode receber esse diagnóstico. É a partir dessa realidade que Juliana Yamin, líder social e fundadora do Instituto Nacional de Nanismo, o INN, lança o livro Na Altura do Coração, uma obra sobre capacitismo, nanismo e o lugar que todas as pessoas ocupam no mundo.
A tese central do livro é direta. O maior obstáculo imposto a quem tem nanismo não está no corpo, mas no olhar de uma sociedade que ainda precisa aprender a enxergar o valor das pessoas para além de sua estatura. Juliana defende que o capacitismo não é exceção, e sim estrutura, e que desconstruí-lo exige informação humanizada, linguagem correta e compromisso coletivo.
A autora fala a partir de uma vivência real. Mãe de Gabriel, diagnosticado com acondroplasia ainda na gestação, ela recebeu a notícia em meio ao silêncio e à ausência quase completa de informação acessível. Diante desse vazio, transformou a experiência da própria família em propósito coletivo, fundou o Instituto Nacional de Nanismo, idealizou o movimento Somos Todos Gigantes e passou a dedicar sua vida à desconstrução do preconceito e à defesa da dignidade da pessoa com deficiência.
Um cuidado atravessa toda a obra. Juliana deixa claro que seu lugar de fala não é o de uma pessoa com nanismo, e sim o de mãe e aliada. Ela costuma dizer que seu papel é preparar o palco para que as próprias pessoas com nanismo sejam protagonistas de suas histórias, de suas lutas e de suas conquistas.
O livro também escancara a face mais dura do preconceito. Ao longo de sua atuação, a autora reuniu relatos de violência cotidiana enfrentada pela comunidade, situações em que o escárnio, a infantilização e a objetificação transformam uma condição genética em alvo de deboche. A obra argumenta que essa tolerância com a chacota foi cultivada ao longo de séculos, desde os antigos espetáculos de curiosidades até as redes sociais, e que o respeito começa pela linguagem e pela recusa em participar de papéis sociais desumanizantes.
Para além da denúncia, Na Altura do Coração se propõe a ser um instrumento prático. O último capítulo funciona como um manual anticapacitista, com diretrizes voltadas a pais, educadores, profissionais de saúde, empresas e à mídia, reforçando que a inclusão não é favor nem concessão, mas um direito que o Estado e a sociedade têm o dever de garantir. A obra também aborda a construção de políticas públicas e a importância da representatividade nos espaços de decisão, tema que Juliana acompanha de perto por meio de sua atuação em audiências no Congresso Nacional.
O livro conta com prefácio de Damares Alves e posfácio de Rosângela Moro, e chega ao mercado em um momento de crescente debate sobre diversidade, inclusão e representatividade no Brasil.
Livro: Na Altura do Coração
Autora: Juliana Yamin
Editora: Way Unity
Prefácio: Damares Alves
Posfácio: Rosângela Moro
Lançamento em São Paulo
Data: 12 de agosto, às 19h
Local: Livraria da Travessa
Lançamento em Goiânia
Data: 18 de agosto, às 19h
Local: Livraria da Vila
Onde comprar on-line: Amazon, Mercado Livre e Livraria Way (disponível em breve)
SOBRE A AUTORA
Juliana Yamin é líder social e presidente do Instituto Nacional de Nanismo, com uma trajetória de vinte e cinco anos no setor empresarial que foi profundamente ressignificada após o nascimento de seu filho Gabriel, diagnosticado com acondroplasia. Precursora do letramento anticapacitista no país, idealizou o movimento Somos Todos Gigantes, que deu origem ao primeiro portal de orientação sobre a condição no Brasil. Sua atuação inclui a organização de grandes encontros nacionais voltados a famílias, a capacitação de educadores, o desenvolvimento de cartilhas pedagógicas e a defesa de políticas públicas em audiências no Congresso Nacional.
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