O mês de agosto é dedicado ao Agosto Dourado e à Semana Mundial da Amamentação, período focado na conscientização da importância do aleitamento materno. Durante essa fase, o corpo da mulher passa por uma intensa transformação hormonal e anatômica, sendo comum o aparecimento de caroços, nódulos ou áreas endurecidas nos seios.
+ NOTÍCIAS NO GRUPO NM DO WHATSAPP
Embora a maioria dessas alterações seja benigna, seu surgimento costuma assustar ao ser confundido com alguma lesão suspeita de câncer de mama. Segundo dados¹ do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o Brasil, são esperados cerca de 78,6 mil novos casos da doença para cada ano do triênio de 2026 a 2028. Dados² do Ministério da Saúde reforçam que a amamentação é um dos fatores naturais mais potentes de proteção: a cada 12 meses de aleitamento acumulados ao longo da vida, o risco de a mulher desenvolver a doença fica entre 4,3% e 6%.

Para tirar dúvidas e ensinar as lactantes a reconhecer os sinais do corpo, a dra. Andreia Brandão, radiologista especialista em exames de mama do Núcleo de Mama do Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa no Rio de Janeiro, responde às principais dúvidas sobre alterações mamárias na lactação.
1. É comum surgirem nódulos no seio durante a amamentação?
Quais são as causas mais frequentes?
É extremamente comum e, na maioria das vezes, esperado. A mama que está produzindo leite passa por um momento de intensa atividade glandular e vascular. Nesse período, o motivo mais frequente para o aparecimento de um caroço é o leite empedrado, tecnicamente chamado de ingurgitamento mamário; ou a obstrução de um ducto por onde o líquido deveria passar.
Também vemos muito a formação de galactoceles, que são cistos benignos preenchidos por leite, além de quadros inflamatórios, como a mastite. Outro ponto que vale destacar é que a mulher já pode ter um nódulo benigno antigo, como um fibroadenoma, que cresce um pouco mais durante a gestação e a amamentação por conta das alterações hormonais.

2. Como a mulher pode diferenciar um nódulo comum da amamentação de algo que exige investigação para câncer de mama?
A melhor forma de diferenciar é observando como esse nódulo se comporta antes e depois da ordenha ou de o bebê mamar. Nódulos benignos tendem a mudar de tamanho, amolecer ou até desaparecer.
Além disso, eles costumam ser doloridos ao toque e podem vir acompanhados de calor ou vermelhidão na pele. Já os sinais que pedem atenção e investigação são aqueles nódulos persistentes, endurecidos, que não diminuem de tamanho após a esvaziamento da mama e que geralmente não doem. Atenção, também, ao notar retrações na pele ou no mamilo, saída de secreção com sangue ou o aparecimento de caroços na região da axila.
3. Por que a amamentação atua como um fator de proteção contra o câncer de mama?
A amamentação protege o corpo feminino por meio de dois caminhos principais. O primeiro é hormonal: enquanto a mulher está amamentando exclusivamente, as taxas de hormônio como o estrogênio permanecem mais baixas, o que reduz a exposição do tecido mamário ao estímulo da divisão celular.
O segundo é um processo de renovação celular. Durante a produção e a saída do leite, o tecido mamário passa por uma espécie de esfoliação e eliminação natural de células que poderiam ter sofrido algum tipo de mutação genética. Quanto mais tempo a mulher amamenta, maior é esse efeito protetor.
4. Se a mãe notar um nódulo suspeito, é seguro fazer exames de imagem sem interromper o aleitamento?
Com certeza, e é fundamental reforçar que a mãe não precisa desmamar para se cuidar. O primeiro exame que indicamos para mulheres jovens e lactantes é a ultrassonografia das mamas, que não utiliza radiação e é indolor. Se o médico achar necessário complementar com uma mamografia ou tomossíntese, o exame pode ser feito com total segurança.
A única orientação prática é que a mãe amamente ou retire o leite logo antes do exame para que a mama fique mais vazia e a imagem saia com a melhor qualidade possível.
O diagnóstico precoce é nosso maior aliado, e agir rápido garante tranquilidade para a mãe e segurança para o bebê.
Leia + sobre saúde
