Nova Odessa e região são alvo de operação contra organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 225 milhões
Para quem achou que o caso do Banco Master e operações policiais envolvendo milhões ou até bilhões de reais seria algo apenas distante, se enganou. A cidade de Nova Odessa esteve entre os municípios que receberam, na manhã de sexta-feira (26), uma grande operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo contra uma organização criminosa investigada por estelionato qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Batizada de ‘Operação Duplicata Fantasma’, a ação foi coordenada pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD), da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Piracicaba. No total, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e Minas Gerais, incluindo Nova Odessa, Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Limeira, Santa Rita de Caldas e Andradas.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a organização utilizava empresas de fachada para emitir notas fiscais e duplicatas sem operações comerciais reais. Os títulos fraudulentos eram negociados junto a securitizadoras e fundos de investimento, provocando prejuízos milionários.
As apurações começaram após denúncias de empresas do setor de crédito e foram reforçadas por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e análises de inteligência financeira. A movimentação considerada atípica já supera R$ 225 milhões, de acordo com a investigação.
Ainda conforme a Polícia Civil, os recursos obtidos com as fraudes eram pulverizados entre diversas contas para dificultar o rastreamento e posteriormente reinseridos na economia por meio da compra de imóveis, investimentos em planos de previdência privada e aquisição de veículos de luxo.
Durante a operação, foram apreendidos documentos, contratos, anotações contábeis, celulares, computadores e três veículos de alto valor. O material será periciado e integrado ao inquérito policial, que segue em andamento para identificar outros envolvidos e localizar o patrimônio da organização criminosa.
A Polícia Civil não informou, até o momento, quais endereços foram alvo das buscas em Nova Odessa.

Estratégia de Banco Master
A Polícia Civil comparou ao caso do Banco Master à estratégia usada pela organização criminosa investigada por movimentar mais de R$ 225 milhões em fraudes na região. De acordo com o delegado Ivan Constâncio, a investigação começou após uma securitizadora de Americana denunciar ter sido vítima de duplicatas simuladas. O principal investigado é um empresário de Sumaré, que não foi localizado durante a operação.
De acordo com o delegado do Seccold , vinculada à Deic de Piracicaba, o grupo emitia notas fiscais e duplicatas sem lastro comercial para obter antecipação de crédito junto às securitizadoras.
No início, os títulos eram pagos normalmente para transmitir confiança ao mercado. O delegado comparou esse mecanismo ao caso do Banco Master, apenas para exemplificar como os criminosos conquistavam credibilidade e conseguiam aportes financeiros cada vez maiores. Depois disso, segundo a investigação, a empresa desaparecia, deixando prejuízos milionários.
As investigações apontam que o esquema utilizava empresas registradas em nome de “laranjas”. Em um dos casos citados pelo delegado, o último proprietário formal de uma das empresas era um usuário de crack que, segundo ele, “não tinha nem noção do que estava acontecendo”.