Mutirão inicia cirurgias de vesícula para pacientes de Sumaré
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Começou neste domingo, 27, o mutirão de cirurgias de colecistectomia para pacientes de Sumaré que aguardam pelo procedimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Quatro pacientes foram os primeiros a passar pela cirurgia de retirada da vesícula, realizada no Hospital Irmãos Penteado, em Campinas. Ao todo, cerca de mil pessoas serão atendidas nos próximos meses.
As cirurgias serão realizadas diariamente, no período noturno e aos finais de semana. O trabalho faz parte do programa Mais Acesso à Saúde e tem como objetivo zerar a fila de espera pelo procedimento. Segundo a Prefeitura de Sumaré, há pacientes que aguardam pela cirurgia há vários anos, em alguns casos, quase uma década.
Os procedimentos estão sendo realizados pelo Grupo Surgical, responsável por todas as colecistectomias do mutirão, incluindo as consultas pré e pós-cirurgia. “Os mutirões exigem um planejamento diferente para atender, com qualidade, toda essa demanda. Nossa equipe tem bastante experiência nesse processo. Já organizamos mutirões em Campinas e Piracicaba, onde atendemos diversas especialidades ao mesmo tempo”, explica o cirurgião e vice-presidente do Grupo Surgical, Dr. Rafael Ruano.
Todas as colecistectomias do mutirão de Sumaré serão feitas por videolaparoscopia. “São cirurgias minimamente invasivas, realizadas por equipe qualificada e com estrutura adequada. Muitos pacientes poderão receber alta no mesmo dia ou no dia seguinte, desde que apresentem condições clínicas adequadas”, afirma o Prof. Dr. Bruno Tavares Pereira, cirurgião e presidente do Grupo Surgical.
A cozinheira escola Fernanda da Silva Bezerra do Nascimento, de 32 anos, fez a cirurgia no primeiro dia de mutirão, depois de passar cinco anos com dor aguardando o procedimento. “Eu comecei a sentir muita dor na barriga, com crises de dor. Fiz alguns exames para descobrir o que era. Isso demorou quase um ano (para ter o diagnóstico). Depois fiquei cinco anos esperando a cirurgia”, conta. Nesse período, ela ia ao hospital pelo menos duas vezes por mês por causa das crises. Ele teve alta no mesmo dia da cirurgia e está animada. “Vai melhorar muito. Só de saber que não vou sentir mais aquela dor insuportável…”, comemora.
A colecistectomia está entre as cirurgias mais realizadas no mundo. Apenas em 2025, o SUS realizou 269.492 procedimentos desse tipo no Brasil. Desse total, 95.783 foram realizados pela técnica convencional, também chamada de cirurgia aberta, e 173.709 por videolaparoscopia. Entre 2016 e 2025, o Grupo Surgical fez 7.526 colecistectomias. O procedimento é o mais realizado pelo grupo.
Quando a cirurgia é indicada
A colecistectomia é geralmente indicada quando cálculos na vesícula provocam sintomas, inflamações ou outras complicações. O órgão faz parte do aparelho digestório e tem a função de armazenar e concentrar a bile produzida pelo fígado, que é liberada no intestino durante a digestão.
A presença de cálculos pode causar cólica biliar e também complicações como a colecistite aguda, que é a inflamação da vesícula biliar. Pacientes com cálculos sintomáticos podem apresentar crises recorrentes de dor, enquanto a colecistite aguda exige avaliação médica rápida por poder evoluir com complicações.
“Nos pacientes com cálculos, a cólica biliar costuma causar episódios recorrentes de dor. Quando ocorre colecistite aguda, a dor tende a ser mais persistente e pode estar associada a náuseas, vômitos, febre e outros sinais inflamatórios”, explica Pereira.
Entre as possíveis complicações da colecistite aguda, estão perfuração da vesícula, peritonite, formação de abscessos, fístulas, sepse — uma resposta grave do organismo à infecção — e pancreatite, além de outras complicações relacionadas à doença biliar.
“O paciente com suspeita de colecistite aguda deve procurar atendimento rapidamente. Uma vez confirmado o diagnóstico e havendo condições clínicas, a cirurgia precoce é, em geral, a estratégia preferencial, porque reduz o risco de progressão da doença e de outras complicações”, afirma Pereira.
Foi o que aconteceu com a paciente Elieti Alvez Tagliari dos Santos, que descobriu a pedra na vesícula em um exame preventivo de rotina. “Ela doía pouco. Não precisava ir em hospital, pronto-socorro. Tomava um remedinho em casa mesmo. Mas os médicos falavam todo ano que precisava fazer a cirurgia”, diz.
A formação de cálculos na vesícula é mais frequente em alguns grupos, incluindo mulheres, pessoas com mais de 60 anos, pacientes com excesso de peso, histórico familiar, diabetes ou alterações do colesterol, além de indivíduos que tiveram perda rápida de peso ou utilizam determinados medicamentos. A presença desses fatores, isoladamente, não significa necessariamente que haverá indicação cirúrgica.
A retirada da vesícula não impede que o paciente tenha uma vida normal. Segundo Pereira, o organismo normalmente se adapta muito bem à ausência do órgão. “A vesícula tem a função de armazenar e concentrar a bile, mas não é um órgão indispensável. A vesícula saudável não deve ser retirada sem indicação. Porém, quando os cálculos provocam sintomas ou complicações e existe indicação cirúrgica, a colecistectomia evita novos episódios e suas possíveis consequências. Depois da cirurgia, a bile produzida pelo fígado passa diretamente pelas vias biliares até o intestino, e a grande maioria dos pacientes leva uma vida normal”, explica.
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