O ex-deputado federal Alexandre Ramagem deixou a prisão nos Estados Unidos nesta quarta-feira (15), dois dias após ter sido detido em Orlando, na Flórida. A saída dele do sistema de custódia foi confirmada após seu nome desaparecer dos registros oficiais de detenção.
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A prisão ocorreu na segunda-feira (13) e, segundo informações preliminares, está ligada a questões migratórias. Durante o período em que esteve sob custódia, Ramagem foi encaminhado a um centro de detenção no condado de Orange, onde permaneceu em cela separada.
A liberação aconteceu no período da tarde, por volta das 14h52 no horário local (15h52 em Brasília), mas ainda há poucas informações sobre os termos da soltura ou possíveis restrições impostas ao ex-parlamentar.
O caso segue cercado de incertezas. A Polícia Federal brasileira informou que acompanha a situação e aguarda esclarecimentos oficiais das autoridades norte-americanas sobre os desdobramentos da ocorrência.
Prisão de Alexandre Ramagem nos EUA levanta debate entre deportação e extradição
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement, o serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos. A informação consta no sistema do Departamento de Segurança Interna norte-americano, que indica sua situação como “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi divulgado.

A prisão reacende uma discussão jurídica relevante: Ramagem pode ser deportado ou extraditado?
De acordo com o advogado licenciado nos Estados Unidos e especialista em Direito Migratório, Vinicius Bicalho, ambas as possibilidades existem — mas seguem caminhos distintos.
“A deportação está ligada à situação migratória do indivíduo. Já a extradição envolve acusações criminais e depende de um pedido formal entre países”, explica.
Condenação e fuga do Brasil
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.
Mesmo proibido de deixar o país, ele fugiu do Brasil pela fronteira com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos utilizando passaporte diplomático, que não havia sido apreendido.
Atualmente, o nome de Ramagem consta na lista de difusão vermelha da Interpol, que reúne foragidos procurados internacionalmente.
Pedido de extradição
O governo brasileiro formalizou, no fim de dezembro de 2025, um pedido de extradição por meio da Embaixada do Brasil em Washington. A solicitação foi encaminhada ao Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Segundo Bicalho, esse fator pode influenciar diretamente o desfecho do caso:
“Quando há um pedido de extradição ativo, ele pode prevalecer sobre a deportação, já que envolve cooperação jurídica internacional e análise do Judiciário americano”, afirma.
Caminhos possíveis
Na prática, a deportação costuma ser mais rápida, pois é um procedimento administrativo ligado a eventuais violações migratórias. Caso o ICE confirme irregularidades, o processo pode avançar de forma mais célere.
Já a extradição depende de análise judicial nos Estados Unidos, podendo envolver audiências, direito de defesa e avaliação de tratados internacionais — o que tende a tornar o processo mais demorado.
Histórico recente
Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento por videoconferência ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da ação penal relacionada à trama golpista, que voltou a tramitar após a perda de seu mandato.
Ele foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025 e, após a condenação, também foi desligado da Polícia Federal, onde atuava como delegado de carreira.
Próximos passos
O futuro de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos dependerá de uma combinação de fatores: sua situação migratória, o andamento do pedido de extradição, as estratégias de defesa e o contexto diplomático entre os dois países.
Para especialistas, o caso ilustra a complexidade jurídica envolvendo imigração e cooperação internacional — e deve se desenrolar nos próximos meses.
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