Sprays para mau hálito funcionam?
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Cresce a busca por soluções rápidas para melhorar a aparência e o hálito. Entre elas, os sprays bucais “milagrosos”, que prometem acabar com o mau hálito instantaneamente. Mas será que funcionam de verdade? A Andressa Zacarro, coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera Ribeirão Preto, explica que a maioria desses produtos não trata a causa da halitose, apenas disfarça o odor temporariamente.
Segundo a especialista, o mau hálito é um problema multifatorial e, na maioria dos casos, está associado ao acúmulo de placas bacterianas, especialmente na língua. “Os sprays comercializados como solução imediata têm ação momentânea. Eles refrescam a boca por alguns minutos, mas não eliminam os compostos sulfurados produzidos por bactérias. Ou seja, não tratam a origem do problema”, afirma.
Além de não resolver, o uso constante desses produtos pode atrapalhar. Alguns sprays contêm álcool ou substâncias irritantes que provocam ressecamento da mucosa bucal, justamente o oposto do que se recomenda para quem tem halitose. “A boca seca é um dos principais gatilhos do mau hálito. Quando a saliva diminui, as bactérias se multiplicam e o cheiro se intensifica. Muitos sprays mascaram o odor, mas pioram a condição ao longo do dia”, explica a coordenadora.

Para quem deseja evitar o problema, a professora sugere medidas simples como a escovação adequada, uso de fio dental e limpeza da língua com raspador diariamente. A hidratação regular também é fundamental, assim como evitar longos períodos em jejum. “A halitose é um sinal de alerta do corpo. Quando persiste mesmo com higiene adequada e boa hidratação, é essencial buscar avaliação profissional, pois pode estar relacionada a gengivite, periodontite, saburra lingual intensa, problemas digestivos ou até alterações respiratórias”, afirma.
A professora reforça que a halitose tem tratamento e que soluções caseiras ou produtos ‘refrescantes’ não substituem acompanhamento especializado. “O mau hálito não é apenas um desconforto social, ele pode indicar desequilíbrios na saúde bucal ou sistêmica. Quanto antes o paciente busca ajuda, mais rápido conseguimos identificar a causa e orientar o tratamento adequado”, conclui.
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