Convulsão exibida no BBB chama atenção para crises epiléticas
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A convulsão apresentada por Henri Castelli nesta quarta-feira (14/1) no BBB reacendeu o debate sobre crises epilépticas – condição neurológica que pode afetar pessoas de todas as idades eque, segundo especialistas, nem sempre está associada a um diagnóstico prévio de epilepsia. O episódio chamou a atenção do público para um tema cercado de dúvidas e desinformação.
De acordo com o coordenador do Serviço de Neurologia da Rede Mater Dei deSaúde, Dr. Henrique Freitas, o cérebro humano funciona por meio de impulsos elétricos, responsáveis pela comunicação entre os neurônios. “As crises epilépticas acontecem quando ocorre uma atividade elétrica anormal e síncrona no cérebro, ou
seja, muitos neurônios passam a disparar ao mesmo tempo, o que pode gerar diferentes tipos de crises”, explica.
Segundo o neurologista, nem toda crise se manifesta como convulsão. “Existem crises generalizadas, que podem cursar com movimentos involuntários e perda de consciência, mas também crises focais, que se apresentam apenas com alteração de consciência, sensações estranhas ou movimentos localizados. Por isso, nem sempre a crise é facilmente reconhecida”, destaca.
Estima-se que até 3% da população apresente algum fenômeno epiléptico ao longo da vida, e as causas são diversas. “As crises podem estar relacionadas a lesões estruturais no cérebro, como tumores, AVCs, tromboses ou infecções, mas também podem ter origem genética. Há ainda pessoas com alterações microscópicas na estrutura cerebral que as tornam mais suscetíveis a descargas elétricas anormais”, afirma Dr. Henrique Freitas.
Fatores do dia a dia também podem funcionar como gatilhos, como privação de sono, estresse intenso, infecções, estímulos luminosos ou físicos específicos podem desencadear crises, dependendo do perfil de cada paciente.
O especialista reforça que toda pessoa que apresenta uma primeira crise convulsiva deve ser avaliada por um médico, preferencialmente um neurologista. “É fundamental investigar a causa, descartar alterações estruturais no cérebro e iniciar o acompanhamento adequado. Hoje, os tratamentos são eficazes e permitem excelente controle dos sintomas na maioria dos casos”, ressalta.
Com o tratamento correto, a qualidade de vida pode ser plenamente preservada. “Pacientes com epilepsia bem controlada vivem normalmente, trabalham, praticam atividades físicas e, em muitos casos, podem até dirigir, desde que estejam sob acompanhamento médico e sem crises”, conclui o neurologista do Mater Dei.
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