Carros elétricos e exposição eletromagnética entram no debate sobre saúde mental

Psicóloga Maria Klien analisa possíveis impactos da permanência prolongada em veículos eletrificados

O avanço da mobilidade elétrica tem sido associado à redução de emissões e à transição energética. Ao mesmo tempo, cresce o interesse científico sobre os efeitos da exposição cotidiana a campos eletromagnéticos em ambientes fechados, especialmente quando essa exposição ocorre de forma contínua e próxima ao corpo humano.

Carros elétricos funcionam por meio de baterias de íon-lítio de grande porte integradas a sistemas digitais interconectados. GPS, Bluetooth, Wi-Fi, sensores, câmeras e softwares de inteligência artificial operam simultaneamente durante a condução. Esses dispositivos trocam dados de maneira constante dentro de um espaço reduzido.

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Carros elétricos e exposição eletromagnética entram no debate sobre saúde mental 

A exposição a campos eletromagnéticos não é um fenômeno exclusivo desse tipo de veículo. Ela já faz parte do cotidiano por meio de redes de telecomunicação, equipamentos domésticos e dispositivos móveis. No entanto, o ambiente interno de um carro eletrificado reúne múltiplas fontes emissoras em proximidade direta com o corpo durante períodos prolongados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém acompanhamento sobre pesquisas relacionadas à exposição a campos eletromagnéticos não ionizantes, destacando que os estudos seguem em andamento para compreender possíveis efeitos de longo prazo.

Para a psicóloga Maria Klien, o tema precisa ser abordado com base em investigação científica e observação clínica. “Não estou defendendo oposição à tecnologia nem propondo conclusões precipitadas. Estou chamando atenção para a necessidade de estudar como o sistema nervoso reage quando permanece imerso, por horas, em um campo eletromagnético contínuo dentro de um espaço fechado”, afirma.

Segundo ela, o organismo humano responde a estímulos ambientais mesmo quando não há percepção consciente. “O sistema nervoso foi estruturado para processar variações de luz, som, temperatura e movimento. Quando o corpo permanece em um ambiente onde predominam sinais invisíveis e constantes, pode ocorrer alteração na forma como essa regulação acontece. Isso não significa necessariamente doença, mas pode significar adaptação fisiológica que ainda não compreendemos totalmente”, declara.

Muitas pessoas ao redor do mundo mencionam sensação de cansaço, dificuldade de concentração e irritabilidade após deslocamentos extensos em veículos eletrificados. “Esses sintomas têm múltiplas causas possíveis e não podem ser atribuídos automaticamente a um único fator. No entanto, quando um padrão se repete, é responsabilidade do campo da saúde investigar. Precisamos de estudos independentes que meçam níveis reais de exposição dentro desses veículos e avaliem impactos cumulativos”, diz.

A psicóloga destaca que inovação tecnológica e saúde humana não são agendas excludentes. “Mobilidade elétrica representa avanço ambiental. O que proponho é que o debate seja ampliado para incluir também a dimensão biológica. Sustentabilidade precisa considerar o planeta e o corpo que habita esse planeta”, conclui.

 Sobre Maria Klien:

Maria Klien exerce a psicologia, se orientando pela investigação dos distúrbios ligados ao medo e à ansiedade. Sua atuação clínica integra métodos tradicionais e práticas complementares, visando atender às necessidades emocionais dos indivíduos em seus universos particulares. Como empreendedora, empenha-se em ampliar a oferta de recursos terapêuticos que favorecem a saúde psíquica, promovendo instrumentos destinados ao equilíbrio mental e ao enfrentamento de questões que afetam o bem-estar psicológico de cada paciente.

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