Estar no topo do Google já não garante tráfego. Com a consolidação das respostas geradas por inteligência artificial na própria página de busca, sites na primeira posição podem perder até 79% dos cliques, um dado que ajuda a explicar por que o modelo tradicional de audiência digital está sendo colocado em xeque.

google

+ NOTÍCIAS NO GRUPO NM DO WHATSAPP

Esse foi o ponto de partida do encontro “Google 2026: entendendo o novo jogo da monetização para publishers”, que reuniu profissionais do mercado para discutir uma mudança silenciosa, mas profunda, na forma como conteúdo é distribuído, consumido e monetizado.

Conduzido por Jhollyne Skroch e Carol Chaim, especialistas com atuação no núcleo técnico da publicidade digital da PremiumAds, o encontro trouxe uma leitura direta do que já está acontecendo: menos tráfego vindo da busca, mais consumo dentro das plataformas e uma disputa cada vez mais desigual pela atenção do usuário.

Carol Chaim explica que na prática, o que se vê é uma combinação de fatores pressionando os publishers. O tráfego de referência da busca já caiu de 16% para 10% em grandes players, enquanto o CTR orgânico segue em retração.

“Ao mesmo tempo, o comportamento do público, especialmente das novas gerações, migra para experiências mais rápidas, visuais e integradas, muitas vezes sem sair do próprio ambiente do Google”, contextualiza.

Google discover

Nesse cenário, o Google Discover ganha força e já responde por mais de dois terços do tráfego gerado pela empresa para publishers. Mas há um ponto crítico, diferente da busca tradicional, ele opera com menos previsibilidade e maior dependência de algoritmos.

“O que estamos vivendo não é uma queda pontual, é uma mudança estrutural”, afirma Jhollyne Skroch, head de Sales e Customer Success na PremiumAds. Entre as principais recomendações está o aprofundamento no conhecimento do público-alvo, aliado à construção de uma audiência própria por meio de newsletters, cadastros e comunidades.

Segundo as especialistas, a produção de conteúdo original e de valor com dados exclusivos e análises inéditas, surge como fator determinante para o engajamento qualificado. Além disso, a diversificação das fontes de tráfego é vista como essencial para reduzir a dependência de plataformas específicas, enquanto o investimento em vídeos curtos, especialmente entre 30 e 90 segundos, acompanha o comportamento atual dos usuários.

Por fim, a adoção da inteligência artificial deve ocorrer com transparência e responsabilidade, reforçando o papel da curadoria humana na entrega de conteúdo confiável.

Leia + sobre  tecnologia e ciência