Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas alertam para um desafio frequente na prática clínica: adultos que recebem tardiamente a confirmação do diagnóstico e, ao longo da investigação, também identificam o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

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A condição afeta entre 5% e 8% da população mundial¹ e cerca de 11 milhões de brasileiros². Em aproximadamente 60% dos casos, os sintomas persistem na vida adulta³, o que ajuda a explicar por que muitos pacientes convivem por anos com dificuldades sem diagnóstico.

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente em pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla, o que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como:

 

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente entre pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como:

 

  • desatenção
  • desorganização
  • dificuldade de planejamento
  • regulação emocional

Ferramentas como a escala ASRS-18, da Organização Mundial da Saúde (OMS), podem auxiliar na triagem⁶, mas a confirmação do TDAH exige uma análise clínica criteriosa, que considere o histórico desde a infância e o impacto funcional. É fundamental procurar um especialista (psiquiatra, neurologista ou pediatra) para diferenciar os sinais, confirmar o diagnóstico e indicar a abordagem terapêutica mais adequada.

 

Reconhecimento parcial de TEA ou TDAH: o risco de uma abordagem incompleta

 

Quando apenas uma das condições é considerada, a abordagem tende a ser limitada, com a manutenção de prejuízos no dia a dia e resposta incompleta às intervenções propostas. Por isso, especialistas reforçam a importância de uma avaliação integrada, capaz de contemplar possíveis comorbidades⁷.

TEA

Esse cenário é ainda mais desafiador entre mulheres, que historicamente apresentam maior subdiagnóstico tanto de TEA quanto de TDAH. A presença de manifestações menos evidentes e a chamada “camuflagem social” podem atrasar o reconhecimento dos transtornos⁴,⁵. Além disso, oscilações hormonais ao longo da vida podem influenciar a intensidade dos sintomas do TDAH⁸,¹⁰, com impacto também na cognição¹¹.

 

Tratamento e manejo do TDAH

O cuidado com o TDAH pode envolver intervenções comportamentais, acompanhamento psicológico e, em alguns casos, farmacoterapia⁷. Além dos psicoestimulantes, há alternativas não estimulantes, como a atomoxetina, que atua como inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina¹² e está disponível no Brasil desde 2023¹². A definição da estratégia deve ser individualizada, levando em conta o perfil do paciente, a presença de condições associadas, como o TEA, e a resposta ao longo do acompanhamento.

Evidências recentes destacam o papel dos não estimulantes no TDAH. Um estudo da Nature Mental Health mostra que a atomoxetina pode ter eficácia semelhante à dos estimulantes para muitos pacientes, ampliando a escolha terapêutica desde o início do cuidado¹³. A análise de ensaios clínicos e dados de mundo real indica que o uso de não estimulantes pode favorecer estratégias mais individualizadas, reduzir ajustes sucessivos de medicação e oferecer alternativa em casos de baixa tolerabilidade ou restrições a substâncias controladas¹³.

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