Petróleo e Bradesco O mundo financeiro amanheceu tentando transformar a diplomacia em valuation. A simples possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã foi suficiente para manter bolsas globais próximas das máximas, derrubar novamente o petróleo e enfraquecer o dólar frente às moedas fortes. O curioso é que o mercado age como alguém que ouviu “vamos conversar” e já começou a pesquisar vestidos de casamento.

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Na Ásia, o apetite por risco continuou impressionando. O Nikkei disparou 5,58% e renovou recordes históricos, enquanto o Kospi sul coreano voltou a subir impulsionado por tecnologia, semicondutores e inteligência artificial. O SoftBank avançou mais de 18% em um único pregão, numa demonstração quase poética de que o mercado continua disposto a pagar qualquer múltiplo que contenha as letras “I” e “A” na mesma frase.

A Europa abriu majoritariamente em alta, mas já dando sinais clássicos de realização após o rali recente. Ao mesmo tempo, a Alemanha surpreendeu positivamente com encomendas industriais subindo 5% em março, muito acima da expectativa de 1,3%. É um dado relevante porque mostra que a maior economia europeia talvez esteja menos fraca do que parecia. Ou, no mínimo, que a indústria alemã continue funcionando melhor do que boa parte dos governos europeus.

Petróleo

Nos Estados Unidos, o foco segue dividido entre geopolítica e atividade econômica. O mercado aguarda os dados de auxílio desemprego e, principalmente, o payroll de sexta-feira, enquanto dirigentes do Fed voltam ao palco para tentar convencer investidores de que política monetária ainda existe em meio ao espetáculo geopolítico. O problema é que hoje cada míssil no Oriente Médio tem mais impacto sobre os ativos do que três discursos seguidos do Federal Reserve.

O petróleo segue no centro emocional dos mercados.

O Brent voltou a cair e opera próximo de US$ 100, enquanto o WTI recua para a faixa de US$ 94. A tese dominante é de descompressão do risco no Estreito de Ormuz. Mas basta uma manchete atravessada para tudo voltar violentamente na direção contrária. O mercado quer acreditar em estabilidade energética. O Oriente Médio, historicamente, prefere suspense.

O ouro, por outro lado, continua contando uma história diferente. Mesmo com bolsas em alta e petróleo em queda, o metal sobe novamente e a China completou o décimo oitavo mês consecutivo de compras de reservas. Isso revela algo importante: os bancos centrais estão menos preocupados com o próximo pregão e mais preocupados com a próxima década. Quando países começam a trocar confiança monetária por barras de ouro, talvez não seja apenas diversificação. Talvez seja mensagem.

No Brasil, o grande evento do dia será o encontro entre Lula e Donald Trump na Casa Branca. A pauta mistura minerais críticos, segurança pública, comércio, Pix e risco de novas tarifas americanas contra produtos brasileiros. A relação entre Brasil e Estados Unidos vive um momento curioso: ambos precisam um do outro, mas nenhum dos dois quer parecer muito dependente. É quase um namoro adolescente entre commodities e geopolítica.

O mercado local ainda acompanha produção industrial, balança comercial e uma bateria pesada de balanços corporativos após a boa recepção aos números do Bradesco em Nova York. O EWZ continua em alta, o dólar segue pressionado e o fluxo estrangeiro permanece sustentando ativos brasileiros. O Brasil vive um daqueles momentos raros em que juros elevados, commodities relevantes e fragilidade global trabalham simultaneamente a favor da atração de capital.

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