O relato recente da jornalista Ju Massaoka trouxe novamente à tona um tema delicado e cada vez mais frequente dentro dos consultórios de cirurgia plástica e reconstrução facial: pacientes que descobrem anos depois a presença de substâncias permanentes no rosto, muitas vezes sem terem sido devidamente informados sobre o que foi aplicado.
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Segundo a jornalista, a descoberta aconteceu após ela procurar ajuda médica por dificuldade respiratória e alterações na região nasal. Durante a investigação clínica, foi identificada a presença de PMMA no nariz, substância que, de acordo com o relato, teria sido utilizada em um procedimento realizado anos atrás sem seu conhecimento claro sobre o material empregado.
Vídeo- Ju Massaoka
O caso ganhou repercussão justamente porque vai além da estética. Ele levanta discussões importantes sobre consentimento, segurança, responsabilidade profissional e os riscos silenciosos de procedimentos realizados sem a devida informação ao paciente.
Para o cirurgião plástico Dr. Hugo Sabath, da Clínica Libria, situações como essa infelizmente deixaram de ser raras.
“Temos recebido um número crescente de pacientes que chegam ao consultório com complicações tardias relacionadas a materiais permanentes aplicados na face. Muitos sequer sabem exatamente o que foi utilizado anos atrás. Descobrem apenas quando começam a apresentar inflamações, infecções, deformidades ou alterações funcionais”, afirma.

O especialista explica que o PMMA (polimetilmetacrilato) é uma substância permanente e que seu uso exige extrema cautela, indicação muito específica e acompanhamento médico rigoroso.
“O PMMA não é absorvido pelo organismo. Diferente de preenchedores temporários, ele permanece no tecido de forma definitiva. O problema é que algumas complicações podem surgir anos depois da aplicação”, explica Dr. Hugo Sabath.
Entre as complicações mais relatadas estão:
– processos inflamatórios crônicos
– formação de nódulos
– endurecimento dos tecidos
– infecções
– assimetrias faciais
– necrose
– migração do produto
– deformidades permanentes
Em regiões delicadas como o nariz, os riscos podem ser ainda maiores.
“O nariz é uma estrutura extremamente complexa. Existe irrigação sanguínea delicada, cartilagem, pele fina e função respiratória. Qualquer substância aplicada de maneira inadequada pode comprometer não apenas a estética, mas também a funcionalidade da região”, alerta o médico.
Segundo Dr. Hugo Sabath, muitos pacientes acabam sendo atraídos por procedimentos aparentemente simples, rápidos e pouco invasivos sem compreender os riscos envolvidos.
“A banalização da estética criou uma falsa sensação de segurança. Hoje vemos procedimentos sendo vendidos como algo trivial, quando na realidade estamos falando de intervenções que podem gerar consequências permanentes”, afirma.
Outro ponto que o caso de Ju Massaoka levanta é a importância do consentimento médico adequado.
“O paciente precisa saber exatamente o que está sendo feito em seu corpo. Qual substância será utilizada, quais são os riscos imediatos e futuros, se o produto é reversível ou permanente e quais complicações podem surgir ao longo do tempo. Isso não deveria ser opcional. É um direito do paciente”, reforça.
Para o especialista, a falta de informação é um dos fatores mais preocupantes dentro da estética atual.
“Muitas pessoas fazem procedimentos sem sequer perguntar qual produto está sendo aplicado. Em alguns casos, o paciente acredita estar realizando algo simples e descobre anos depois que convive com um material permanente no rosto”, relata.
Além das complicações físicas, o impacto emocional costuma ser profundo.
“Quando falamos de face, falamos de identidade. São pacientes que chegam extremamente abalados, com medo, insegurança e muitas vezes sem saber como será o processo de correção”, comenta.
Dr. Hugo Sabath explica ainda que remover PMMA pode ser um desafio cirúrgico complexo.
“Nem sempre é possível retirar completamente o material sem causar danos adicionais. Dependendo da região e do grau de inflamação, o tratamento pode exigir múltiplas abordagens cirúrgicas e reconstruções”, afirma.
Nos últimos anos, especialistas também vêm observando uma mudança importante no perfil dos pacientes.
“Hoje existe uma busca muito maior por naturalidade e segurança. Muitos pacientes que passaram por exageros estéticos no passado agora procuram justamente reverter procedimentos antigos”, explica.

Para o cirurgião plástico, casos como o de Ju Massaoka ajudam a ampliar um debate necessário sobre os limites da estética moderna.
“A medicina estética trouxe avanços importantes, mas também abriu espaço para excessos e irresponsabilidades. O paciente precisa entender que nenhum resultado estético vale o risco de perder saúde, função ou qualidade de vida”, pontua.

Entre as principais orientações do especialista para quem pensa em realizar qualquer procedimento facial estão:
* pesquisar o histórico e formação do profissional
* entender exatamente qual produto será utilizado
* desconfiar de promessas milagrosas ou procedimentos muito simples
* evitar decisões impulsionadas apenas por redes sociais
* priorizar segurança acima de preço ou tendência estética
“O rosto não pode ser tratado como teste ou tendência passageira. Estamos falando de estruturas delicadas, permanentes e extremamente importantes para a saúde física e emocional do paciente”, reforça.
Conclusão
Para o Dr. Hugo Sabath, o caso de Ju Massaoka representa um alerta importante sobre transparência, responsabilidade e segurança dentro da estética moderna.
“A estética precisa caminhar junto com ética médica, informação e responsabilidade profissional. Nenhum paciente deveria conviver anos sem saber o que foi colocado no próprio rosto. Beleza nunca pode estar acima da saúde. O paciente informado consegue tomar decisões mais conscientes e seguras e isso precisa ser prioridade em qualquer procedimento”, conclui.

Mais sobre: Dr. Hugo Sabath Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP
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