Governo de SP inicia atualização da lista da flora ameaçada de extinção com metodologia internacional

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Governo inicia atualização da lista da flora ameaçada

O Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, iniciaram um acordo de cooperação técnica para atualizar a lista das espécies de plantas ameaçadas de extinção do Estado de São Paulo.

 

A iniciativa marca a retomada das avaliações da flora paulista, cuja última lista oficial foi publicada em 2016 e registrava 1.088 espécies ameaçadas, das quais 368 eram consideradas presumivelmente extintas, 15 extintas na natureza, 57 em perigo crítico, 271 em perigo e 377 vulneráveis. A atualização permitirá que o Estado adote a metodologia internacional da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), utilizada nas avaliações nacionais e globais do risco de extinção. Além da avaliação de espécies ainda não analisadas, o trabalho prevê a reavaliação de todas as espécies incluídas na lista de 2016, à luz dos dados produzidos por estudos mais recentes sobre essas plantas e os habitats onde ocorrem, utilizando os critérios internacionalmente adotados pela UICN.

 

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, com cerca de 37 mil espécies nativas de plantas, das quais aproximadamente 9.100 ocorrem no Estado de São Paulo. Esse patrimônio natural, no entanto, enfrenta pressões crescentes decorrentes das mudanças no uso do solo, da fragmentação de habitats e, cada vez mais, das mudanças climáticas. Nesse contexto, a atualização periódica das listas de espécies ameaçadas é fundamental para refletir o avanço do conhecimento científico, incluindo a descoberta de novas espécies, mudanças na nomenclatura botânica e ampliação das informações sobre sua distribuição geográfica.

 

A ação capacita pesquisadores paulistas na aplicação da metodologia internacional da UICN adotada pelo CNCFlora, autoridade nacional na avaliação do risco de extinção da flora brasileira. A harmonização dos critérios permitirá que as futuras avaliações realizadas em São Paulo sejam compatíveis com os padrões nacionais e internacionais, contribuindo também para as listas brasileira e global de espécies ameaçadas.

 

O foco desta primeira fase do trabalho será a avaliação de 405 espécies endêmicas do Estado de São Paulo, ou seja, que ocorrem exclusivamente em território paulista e que nunca foram avaliadas quanto ao risco de extinção ou foram analisadas há mais de 12 anos. No Estado, o trabalho será coordenado pelas pesquisadoras do IPA, Cíntia Kameyama e Rosangela Simão Bianchini. A iniciativa permitirá identificar quais espécies estão sob maior risco de desaparecimento, gerando subsídios técnicos para ações de conservação, proteção de habitats, criação de áreas protegidas, programas de manejo e recuperação de populações ameaçadas. O projeto integra o Plano de Ação Territorial (PAT) Cinturão Verde de São Paulo e fortalece as políticas públicas de conservação da biodiversidade paulista.

 

“Além de orientar ações de conservação, as listas oficiais de espécies ameaçadas constituem importantes instrumentos para o planejamento ambiental. Elas subsidiam a criação e gestão de unidades de conservação, a definição de reservas legais, o zoneamento ecológico-econômico, análises de impacto ambiental, projetos de restauração de áreas degradadas e processos de licenciamento e fiscalização ambiental. A atualização periódica também garante maior segurança técnica e jurídica para essas políticas públicas”, informou Cíntia.
Metodologia padronizada

 

O curso foi ministrado por Eduardo Pinheiro Fernandez, coordenador de projetos da Coordenação de Avaliação do Estado de Conservação da Flora e Funga Brasileira no CNCFlora, do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e por Jaqueline Sousa Lima, analista em ciência e tecnologia da mesma instituição.

Segundo Eduardo, a metodologia anteriormente utilizada estava desatualizada e fora dos padrões internacionais atualmente adotados. “Esse trabalho promoverá a harmonização dos critérios paulistas com os padrões da UICN com o objetivo de capacitar pesquisadores paulistas para aplicar a metodologia oficial de avaliação do risco de extinção”, destacou.

 

A capacitação teve duração de 4 dias e foi voltada à transferência de conhecimento metodológico para pesquisadores, assistentes de pesquisas, estagiários e alunos do curso de pós-graduação do IPA. O treinamento abordou os critérios internacionais de avaliação do risco de extinção, a identificação e categorização das espécies ameaçadas, a aplicação dos protocolos da UICN e o uso de sistemas nacionais especializados, como as plataformas ProFlora e Avalia, que darão suporte às futuras análises conduzidas no Estado de São Paulo.

 

“É um processo estritamente técnico-científico que vai aferir a probabilidade de as espécies se extinguirem diante das circunstâncias prevalentes”, pontuou Jaqueline.

 

De acordo com a pesquisadora, a utilização de uma metodologia padronizada garante maior consistência às avaliações e permite que os resultados produzidos em São Paulo sejam comparáveis às realizadas em outras regiões do Brasil e do mundo.

 

Eduardo também ressalta que o diagnóstico é o ponto de partida para qualquer estratégia de conservação. “O diagnóstico é a base para políticas públicas de conservação, mas primeiro é necessário entender quais espécies estão ameaçadas e por quê. A partir desse diagnóstico é possível definir ações efetivas de conservação”.

 

Além de identificar as espécies mais vulneráveis, as avaliações permitem compreender os fatores responsáveis pelo risco de extinção, subsidiando a definição de medidas capazes de reduzir essas ameaças e orientar investimentos públicos voltados à proteção da biodiversidade.

 

Os pesquisadores destacaram que as futuras avaliações deverão incorporar, de forma cada vez mais abrangente, os impactos das mudanças climáticas sobre a flora. Alterações na temperatura, no regime de chuvas e nas condições dos microclimas podem modificar a distribuição das espécies e aumentar significativamente o risco de extinção de diversas plantas nativas, exigindo que esses fatores sejam considerados nas análises de conservação.

 

A principal estratégia para evitar a extinção das espécies continua sendo a proteção de seus habitats naturais. Entre as ações prioritárias estão a conservação de remanescentes de vegetação nativa, a criação e ampliação de unidades de conservação e a gestão adequada das áreas onde essas espécies ocorrem.

 

Outras medidas complementares incluem a formação de bancos de sementes, a manutenção de coleções vivas em jardins botânicos, a produção de mudas, a implantação de viveiros e hortos, a reintrodução de espécies na natureza e o desenvolvimento de estudos sobre genética da conservação e viabilidade populacional, fortalecendo as estratégias de preservação da flora paulista.

 

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