Em um cenário de avanços na medicina de transplantes, o Brasil alcançou em 2025 o maior número de transplantes já registrado em sua história. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), nesta última quarta-feira (6), o país realizou 31 mil procedimentos ao longo do ano, um crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram contabilizados 25,6 mil transplantes.

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O avanço também se refletiu no número de doadores efetivos. Em 2025, o Brasil registrou 4.335 pessoas que doaram ao menos um órgão, o equivalente a 20,3 doadores por milhão de população (pmp), outro recorde histórico nacional. O número de notificações de potenciais doadores também atingiu sua maior marca: foram 15.940 notificações no período.

Entre os órgãos mais transplantados, o rim segue liderando o ranking nacional, com 6.697 cirurgias realizadas em 2025, alta de 5,9% em relação ao ano anterior. O fígado também bateu recorde, com 2.573 transplantes e crescimento de 4,8% na comparação com 2024. Em ambos os casos, o aumento foi impulsionado principalmente pelos transplantes realizados com doadores falecidos.

Cultura da doação ainda precisa crescer no Brasil

Para o Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), os números representam um avanço importante, mas o cenário ainda exige atenção. “Embora o número de transplantes tenha progredido nos últimos anos, ainda há milhares de pessoas na fila de espera. Isso mostra que precisamos fortalecer a cultura de doação de órgãos no país, conscientizando cada vez mais a população sobre a importância de se tornar um doador”, destaca.

Brasil

Apesar do crescimento nos índices, a recusa familiar segue como o principal obstáculo para a efetivação das doações de órgãos no Brasil. Atualmente, as famílias recusam a autorização em 45% dos casos de potenciais doadores.

A necessidade de diálogo sobre doação de órgãos nunca foi tão evidente. As campanhas nacionais enfatizam que a decisão de doar deve ser comunicada à família, já que é ela quem autoriza o procedimento no momento do falecimento. “A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode transformar vidas”, afirma o especialista.

No que tange à fila de espera, o Dr. Nacif explica que o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) mantém uma lista única que reúne todos os pacientes brasileiros que aguardam por um órgão, independentemente de estarem em hospitais públicos ou privados. “Muitas pessoas acreditam que existe algum tipo de privilégio nos transplantes, mas a realidade é completamente diferente. A lista única nacional é um dos sistemas mais justos e transparentes que temos na medicina brasileira”, explica.

A prioridade não segue apenas a ordem cronológica de inscrição. “Pacientes em estado mais grave podem subir na lista, assim como aqueles com maior compatibilidade com o órgão disponível. O sistema também considera a distância entre doador e receptor, já que alguns órgãos, como o coração, têm poucas horas de viabilidade fora do corpo.”

Doação de órgãos: como funciona e como ser um doador

A doação de órgãos pode acontecer de duas formas: após a morte encefálica ou em vida. No primeiro caso, um único doador pode salvar até dez vidas, doando coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestino, córneas e tecidos. Já a doação em vida ocorre em casos específicos, como a doação de órgãos duplos, principalmente rins, ou de parte do fígado e pulmão, além da medula óssea.

O processo de doação após morte encefálica é criterioso. Fatores como idade avançada, histórico de tabagismo, uso de drogas ou consumo excessivo de álcool podem ser limitadores, mas não impedem automaticamente a doação. A decisão final sempre cabe à equipe médica especializada.

“Todo doador em vida passa por uma avaliação completa para garantir que a doação será segura tanto para ele quanto para o receptor”, explica o médico transplantador. “No caso da doação após morte encefálica, a avaliação é feita por equipes especializadas, considerando diversos critérios técnicos”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.

Saiba mais sobre o Dr. Lucas Nacif: Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como  gordura no fígado; câncer colorretal;  doenças inflamatórias intestinais; pancreatite  até cirurgias e transplantes em geral.

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