A decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) de manter o Discord classificado como não recomendado para menores de 18 anos reacendeu um debate que vem ganhando força no Brasil e em outros países: como proteger crianças e adolescentes em ambientes digitais que permitem interação entre usuários, transmissões ao vivo e compartilhamento de conteúdo em tempo real.
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Ao justificar a manutenção da classificação, o órgão apontou riscos relacionados à exposição a conteúdos com violência, drogas e sexualidade, além da dificuldade de fiscalização prévia das transmissões ao vivo e da possibilidade de contato direto entre usuários desconhecidos.
Para Leandro Kitamura, especialista em verificação etária e CEO do ProtegeID, a discussão revela uma questão que vai além da natureza do conteúdo disponível em uma plataforma. “O caso do Discord mostra que o desafio da proteção infantil não está apenas no conteúdo, mas no acesso. A classificação indicativa é uma ferramenta importante, mas ela tem alcance limitado quando não existem mecanismos capazes de verificar efetivamente a idade dos usuários”, afirma.
Segundo ele, a internet vive uma mudança de paradigma. Durante anos, a principal estratégia adotada por plataformas digitais para restringir o acesso de menores foi a autodeclaração, baseada apenas na informação fornecida pelo próprio usuário durante o cadastro. “Na prática, bastava informar uma data de nascimento diferente para acessar ambientes destinados a adultos. Esse modelo vem sendo questionado por reguladores do mundo inteiro porque não oferece garantias reais de proteção”, explica.
Debate que ultrapassa as plataformas adultas Discord
Embora a discussão sobre verificação de idade tenha ganhado destaque nos últimos anos em setores como entretenimento adulto e apostas online, especialistas apontam que o tema se tornou muito mais amplo.
Redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de vídeo, comunidades online e ambientes de jogos passaram a enfrentar pressões regulatórias semelhantes diante do aumento das preocupações com a segurança de menores na internet.

“Este é mais um caso que deixa claro que a preocupação das autoridades não está restrita a um tipo específico de conteúdo. O foco passou a ser qualquer ambiente digital que permita interações potencialmente sensíveis entre usuários, especialmente quando existem transmissões ao vivo, comunicação privada ou compartilhamento de material sem moderação prévia”, destaca Kitamura.
Classificação indicativa é suficiente?
Para especialistas em segurança digital, a classificação indicativa continua sendo uma ferramenta importante para orientar famílias e responsáveis, mas sua eficácia depende da existência de mecanismos que garantam o cumprimento das restrições estabelecidas.
Nesse cenário, tecnologias de verificação de idade vêm sendo adotadas em diferentes mercados para confirmar se o usuário realmente possui a idade mínima exigida antes de acessar determinados ambientes ou funcionalidades.
“O grande desafio do setor é encontrar soluções que conciliem proteção de menores, privacidade dos usuários e uma boa experiência de uso. Hoje já existem tecnologias capazes de fazer isso de forma rápida e segura, sem a necessidade de armazenar informações excessivas”, afirma o CEO do ProtegeID.
Tendência regulatória global

A decisão envolvendo o Discord ocorre em um momento em que governos de diferentes países ampliam a fiscalização sobre plataformas digitais e discutem novas regras para proteção de crianças e adolescentes online.
No Brasil, a pauta ganhou ainda mais relevância após a aprovação da Lei 15.211/2025, que estabeleceu novas exigências para plataformas com tráfego brasileiro em relação à verificação de idade e à proteção de menores.
Para Kitamura, a tendência é que a discussão avance rapidamente para além da classificação indicativa. “Os próximos anos serão marcados por uma pergunta simples: como garantir que uma restrição etária seja efetivamente cumprida? A resposta passa pela adoção de mecanismos de verificação de idade cada vez mais robustos. O mercado está percebendo que não basta informar para quem um conteúdo é destinado. É preciso garantir que apenas esse público consiga acessá-lo.”
Sobre o ProtegeID
O ProtegeID é uma plataforma brasileira de verificação de idade baseada em Inteligência Artificial que auxilia empresas digitais a proteger menores e cumprir exigências regulatórias, como a Lei nº 15.211/2025 (ECA Digital), LGPD e Marco Civil da Internet. A tecnologia combina estimativa facial com prova de vida, validação documental e tokens reutilizáveis para oferecer verificações rápidas, seguras e de baixo atrito. Já validada em plataformas que somam mais de 30 milhões de usuários, a ProtegeID atende setores como conteúdo adulto, apostas, redes sociais e marketplaces.
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