Casos de diabetes dobram em menos de 20 anos

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Os diagnósticos de diabetes cresceram 135% no Brasil em 18 anos, com a prevalência entre adultos variando de 5,5% da população, em 2006, a 12,9% em 2024. O número de registros de obesidade entre os brasileiros também avançou de forma expressiva no país. Os dados são do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.

De acordo com a professora do curso de Nutrição do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, Érica Blascovi, um dos aspectos mais alarmantes do cenário global é o subdiagnóstico. A IDF estima que cerca de 43% das pessoas com diabetes, aproximadamente 252 milhões de adultos, não sabem que têm a doença, o que aumenta o risco de evolução para complicações graves antes do diagnóstico e do tratamento adequado. “A proporção de não diagnosticados é ainda mais elevada em países de baixa e média renda, ampliando desigualdades em saúde”, alerta a profissional.

Brasil: magnitude e tendências

No Brasil, a vigilância nacional e as sociedades médicas confirmam um panorama de crescimento constante. A última edição do Vigitel registrou, em 2024, que a prevalência autorreferida de diabetes nas capitais brasileiras atingiu aproximadamente 10% da população adulta, um marco histórico na série temporal do inquérito e um indicativo do avanço da doença nas áreas urbanas.

“Esses números representam um aumento relevante nas últimas décadas e são acompanhados por altas taxas de fatores de risco, como excesso de peso, sedentarismo e consumo de ultraprocessados, que alimentam a epidemia de Diabetes tipo 2”, explica a Érica.

Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a prevalência nacional em patamares que variam conforme as fontes e metodologias é de 7% a 10% da população adulta, ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas vivendo com Diabetes no país. A SBD também ressalta que uma parcela significativa permanece sem diagnóstico e que a carga de complicações (retinopatia, nefropatia, amputações) segue como desafio.

O que os números significam: implicações práticas

  1. Subdiagnóstico elevado: milhões de pessoas não recebem rastreamento regular; por isso, campanhas de triagem (glicemia de jejum, hemoglobina glicada em grupos de risco) e acesso primário fortalecido são urgentes.

  2. Prevenção primordial: controle do excesso de peso, alimentação saudável e atividade física continuam sendo as estratégias mais efetivas para reduzir o aparecimento do Diabetes tipo 2.

  3. Custo econômico e social: o gasto global com Diabetes já ultrapassa um trilhão de dólares; investir em prevenção e manejo precoce reduz custos hospitalares e perdas de produtividade.

  4. Desigualdades: o peso da doença recai de forma desproporcional sobre populações de menor renda e regiões com acesso restrito a serviços de saúde. Políticas públicas precisam priorizar equidade.

De acordo com a professora do curso de Nutrição, é necessário intensificar o rastreamento dirigido a grupos de risco (idade avançada, obesidade e histórico familiar); fortalecer ações intersetoriais de prevenção (taxação e rotulagem de ultraprocessados, promoção de ambientes ativos e políticas escolares); e garantir acesso a diagnóstico, educação em Diabetes e terapias essenciais (insulina, medicamentos orais e tecnologias de monitorização) para reduzir complicações.

 

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