A estreia do Brasil na Copa do Mundo contra Marrocos alterou a dinâmica de consumo no varejo brasileiro. Segundo dados do Índice Cielo do Varejo.

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Ampliado (ICVA), o varejo total registrou queda de 1,3% no dia da partida, em comparação com o mesmo sábado do ano anterior. Mais do que uma desaceleração pontual, os números mostram uma reorganização da jornada de compra, com antecipação de consumo em alguns setores, migração para o digital e concentração de gastos em categorias diretamente associadas ao jogo.

O movimento mais evidente ocorreu na comparação entre canais. Enquanto o varejo físico recuou 3,7%, o e-commerce avançou 15,5%, indicando que o consumidor reduziu a

circulação pelas lojas, mas manteve parte das compras por meios digitais. O dado reforça a importância da presença multicanal para o varejo, especialmente em datas e eventos que alteram a mobilidade e a rotina dos consumidores.

“O jogo do Brasil mostra como grandes eventos nacionais têm capacidade de reorganizar o consumo ao longo do dia. O consumidor não deixa necessariamente de comprar: ele muda o horário, o canal e a ocasião de consumo. Para o varejo, entender esse comportamento é essencial para se preparar melhor, ajustar operação, estoque, atendimento e canais digitais”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

Estreia e JOGO EM CASA X BARES E RESTAURANTES

estreia

“Os dados mostram que a Copa cria uma espécie de nova agenda para o varejo. Supermercados e lojas de alimentação capturam a preparação pré-jogo; bares ganham relevância como ponto de encontro; e o digital se fortalece como alternativa para quem quer resolver compras sem sair de casa. É um comportamento muito brasileiro: muda o jogo, muda o caixa”, complementa Alves.

O perfil de vendas por horário também aponta uma redistribuição do consumo ao longo do dia. Durante o período da partida, houve redução no volume de transações, seguida por recuperação posterior em determinados segmentos. Esse comportamento reforça o impacto direto de grandes eventos esportivos na jornada de compra, especialmente em dias de jogos da Seleção Brasileira.

Para a Cielo, os dados evidenciam a relevância da inteligência transacional para compreender mudanças rápidas no comportamento do consumidor. O ICVA, calculado a partir de transações reais capturadas pela companhia, permite acompanhar tendências do varejo em diferentes setores, regiões e períodos, oferecendo uma visão concreta sobre o desempenho do comércio brasileiro.

“O varejo precisa olhar para grandes eventos como oportunidades de planejamento. Quem entende quando o consumidor compra, por qual canal e com qual finalidade consegue se preparar melhor para capturar demanda. Em dias como esse, dados ajudam o empreendedor a sair do improviso e entrar em campo com estratégia”, afirma Alves.

PRÉ-COPA IMPULSIONA E-COMMERCE DE LOJAS DE DEPARTAMENTO

A preparação dos brasileiros para acompanhar a Copa do Mundo já aparece no comportamento do varejo. Dados do ICVA mostram que, na semana antes do campeonato, o e-commerce de lojas de Móveis, Eletro e Departamento registrou alta de 13,1% no faturamento nominal em relação ao mesmo período do ano anterior. O movimento indica que a busca por itens ligados à casa, eletrônicos e produtos associados à experiência de assistir aos jogos ganhou força sobretudo no ambiente digital.

O levantamento considera o período de 1º a 7 de junho de 2026, comparado com 2 a 8 de junho de 2025. No geral, o setor cresceu apenas 2,5% porque o comércio físico registrou queda de 2% do faturamento nesses dias.

COMÉRCIO DE RUA X SHOPPING

No entanto, apesar da queda no varejo físico, o ICVA também identificou uma diferença relevante entre lojas de shopping e lojas de rua. No setor agregado de Móveis, Eletro e Departamento, as vendas em shopping cresceram 8,4%, enquanto as lojas de rua registraram queda de 4,5%.

“O comportamento do varejo na semana pré-Copa mostra que o consumidor está cada vez mais digital, especialmente em categorias nas quais comparação de preço, conveniência e variedade pesam muito na decisão. O dado não aponta apenas uma alta de vendas online; ele mostra como grandes eventos ajudam a revelar mudanças estruturais no jeito de consumir”, afirma Alves.

 

O resultado pode indicar que os shoppings concentraram parte do fluxo de consumidores em busca de itens de maior valor agregado ou de compras associadas à experiência de lazer e preparação para os jogos. Já o avanço do e-commerce reforça a importância da jornada omnicanal, na qual o consumidor transita entre pesquisa online, visita à loja física e conclusão da compra no canal mais conveniente.

“A questão de segurança pode ter influenciado a jornada do consumidor: que preferiu receber o produto em casa ou usar a segurança dos shopping centers para levar seus produtos com maior segurança”, acrescenta Alves.

SOBRE O ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.

COMO É CALCULADO

A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix. Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.

ENTENDA O ÍNDICE

ICVA Nominal – Indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.

ICVA Deflacionado – ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.

ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário – ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.

ICVA E-commerce – Indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.

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