A geração que aprendeu a criar playlists personalizadas, montar rotinas de skincare e escolher produtos sob medida agora leva essa mesma lógica para um dos hábitos mais cotidianos: comer. Para a Geração Z, consumir deixou de ser uma opção pronta e passou a significar participar da construção da própria experiência.

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Na alimentação, isso se traduz em porções flexíveis, ingredientes escolhidos pelo cliente e refeições adaptadas ao estilo de vida de cada pessoa.

Mais do que uma preferência, a personalização tornou-se uma mudança de comportamento com impacto direto no mercado. Dados da Worldpanel by Numerator mostram que o consumo de alimentos e bebidas dentro de casa entre jovens nascidos entre 1995 e 2010 cresceu 7,1% entre o primeiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, impulsionado principalmente pelos momentos de lanche.

O estudo também aponta que praticidade, experiência e liberdade de escolha estão entre os fatores que mais influenciam as decisões dessa geração.

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Essa transformação ultrapassa o universo das dietas ou da alimentação saudável. O consumidor quer autonomia para decidir quanto vai consumir, quais ingredientes fazem sentido para sua rotina e como adaptar uma mesma refeição ao café da manhã, ao pós-treino ou à sobremesa. Em vez de um cardápio rígido, ganha força um modelo em que cada pessoa monta uma combinação única.

Para Elizângela Siqueira, fundadora da rede Açaí NoKilo, essa mudança alterou profundamente a forma como empresas do food service desenvolvem produtos e pensam na experiência do cliente.

“Há alguns anos, a pergunta mais comum era qual era o sabor mais vendido. Hoje, o consumidor quer saber se pode montar uma versão proteica, escolher uma opção sem adição de açúcar ou trocar determinados ingredientes. A decisão deixou de ser sobre um produto e passou a ser sobre como aquele alimento se encaixa na vida dele”, afirma.

Da padronização à autonomia GeraçãoZ

Durante décadas, a indústria alimentícia foi construída sobre a lógica da padronização: um produto, uma receita e poucas possibilidades de adaptação. A ascensão da Geração Z, no entanto, acelerou uma mudança importante. Acostumados a plataformas que recomendam músicas, filmes e conteúdos de forma personalizada, esses consumidores passaram a esperar o mesmo nível de individualização em outros setores.

GeraçãoZ

No food service, isso significa oferecer diferentes bases, tamanhos de porção, ingredientes, restrições alimentares e combinações possíveis. A personalização deixou de ser um diferencial para se tornar parte da estratégia de negócios.

Segundo Elizângela, essa demanda também reflete uma mudança na relação das pessoas com a alimentação.

“O consumidor não quer que a marca escolha por ele. Ele quer liberdade para adaptar a refeição ao treino, ao trabalho, às restrições alimentares ou simplesmente ao que está com vontade de comer naquele dia. É uma geração que valoriza o protagonismo, e as empresas precisam aprender a oferecer essa flexibilidade,” explica Elizângela.

O consumidor quer participar da experiência

A procura por versões com menos açúcar, opções proteicas, ingredientes naturais e combinações personalizadas mostra que o conceito de conveniência também evoluiu. Hoje, praticidade não significa apenas rapidez, mas a possibilidade de consumir algo que reflita preferências individuais sem abrir mão do sabor.

Modelos de self-service, por exemplo, ganham espaço justamente por permitir que cada cliente defina sua própria composição. Em vez de vender uma receita pronta, as marcas passam a oferecer possibilidades, tornando o consumidor coautor da refeição.

Para Elizângela, esse é um dos movimentos mais relevantes do setor de alimentação nos últimos anos.

“Personalizar não é complicar a operação; é entender que pessoas diferentes têm necessidades diferentes. Quando a marca oferece liberdade de escolha, ela consegue atender quem busca uma refeição funcional, quem quer um momento de indulgência e quem procura equilíbrio, tudo dentro da mesma experiência”, conclui a especialista.

A tendência indica que a próxima grande transformação da alimentação não será apenas nutricional, mas comportamental. Em um mercado cada vez mais orientado pela individualidade, oferecer um bom produto continua sendo essencial — mas permitir que o consumidor faça dele algo único pode ser o verdadeiro diferencial competitivo.

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