Apps e o Brasil- A combinação entre o início das férias escolares, a retomada do ritmo corporativo após os feriados de maio e a Copa do Mundo alterou significativamente o comportamento dos brasileiros no ambiente mobile em junho.
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Na prática, ganharam espaço apps ligados a deslocamento, turismo, produtividade e trabalho, como Google Maps, Uber, Booking.com, Airbnb, Microsoft Teams, Zoom e Microsoft 365. Já a audiência da Copa se concentrou mais em plataformas de vídeo e transmissão ao vivo, como YouTube e Globoplay, do que em aplicativos esportivos tradicionais.
Levantamento do Índice RankMyApp, baseado em dados anonimizados de 142 aplicativos monitorados na Google Play Store, mostra que aplicativos de viagem, produtividade e negócios foram os que mais cresceram no período, enquanto categorias como esportes, compras e utilidades registraram retração, principalmente na entrada de novos usuários.

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O estudo acompanha mensalmente o desempenho de aplicativos monitorados pela RankMyApp e analisou uma base pareada entre maio e junho de 2026, permitindo comparar exatamente os mesmos aplicativos nos dois períodos.Entre as categorias que apresentaram maior crescimento em usuários ativos mensais (MAU), Travel & Local liderou com avanço de 10,6%, seguida por Productivity (+3,7%) e Business (+2,7%).
O crescimento também apareceu no uso diário. Em usuários ativos diários (DAU), Business avançou 6,7%, Travel & Local 6,6% e Entertainment 5,9%, indicando que a utilização desses aplicativos foi mais frequente ao longo do mês.
“Junho mostrou um movimento diferente do esperado. Mesmo sendo um mês marcado pela Copa do Mundo, o crescimento não aconteceu dentro dos aplicativos esportivos. A atenção do consumidor migrou para outros canais, enquanto categorias ligadas à rotina e às férias ganharam espaço”, afirma Leandro Scalise, CEO da RankMyApp.
Copa impulsiona audiência, mas não os aplicativos esportivos
Embora junho tenha sido marcado pela Copa do Mundo FIFA 2026, a categoria Sports registrou queda de 5,8% em usuários ativos mensais, retração de 23,9% no uso diário e redução de 33,1% na aquisição de novos usuários.Segundo a RankMyApp, o fenômeno está relacionado à mudança na forma como os brasileiros acompanharam o torneio.
Grande parte da audiência migrou para plataformas de streaming, YouTube, TV conectada e transmissões digitais, reduzindo a necessidade de utilizar aplicativos esportivos tradicionais durante as partidas. Dados públicos reforçam esse comportamento. A transmissão entre Brasil e Japão na CazéTV registrou recorde mundial de mais de 21 milhões de aparelhos conectados simultaneamente, enquanto o Grupo Globo informou audiência de 80,2 milhões de espectadores nos primeiros dias da competição.

“O interesse pelo esporte existiu, mas aconteceu fora dos aplicativos tradicionais monitorados. O consumo migrou para outros formatos de tela”, explica Scalise.
Apesar da retração dos apps esportivos, segmentos relacionados ao evento, como varejo esportivo e aplicativos de segunda tela (placares e estatísticas), apresentaram crescimento de utilização.
Aquisição desacelera, mas usuários fiéis permanecem ativos
O levantamento mostra que a principal mudança de junho ocorreu no topo do funil de aquisição.A taxa mediana de aquisição de usuários caiu 19,1%, enquanto o CTR das páginas dos aplicativos nas lojas digitais recuou 32,3%, a maior variação registrada entre todas as métricas analisadas.Por outro lado, a base ativa permaneceu praticamente estável.
Os indicadores de usuários ativos mensais (MAU) ficaram próximos da estabilidade, assim como o stickiness, métrica que mede a frequência de uso dos aplicativos, sugerindo que os aplicativos conseguiram preservar seus usuários mais recorrentes, mesmo diante da desaceleração na entrada de novos consumidores.
“Os números mostram que o desafio deixou de ser retenção e passou a ser aquisição. O usuário continua utilizando os aplicativos que já conhece, mas está muito menos propenso a instalar novas soluções. Isso exige estratégias mais eficientes de ASO, criatividade e personalização nas lojas de aplicativos”, afirma Scalise.
Viagens lideram crescimento antes das férias
A categoria Travel & Local foi a única a apresentar crescimento simultâneo em usuários ativos mensais e diários.Segundo a RankMyApp, o resultado está associado ao planejamento antecipado das férias escolares de julho, período em que cresce a busca por passagens, hospedagens, mobilidade urbana e serviços relacionados ao turismo. Já os aplicativos corporativos acompanharam a retomada do ritmo de trabalho após os feriados prolongados de maio, impulsionando categorias como Business e Productivity.
Compras preservam usuários, mas reduzem aquisição
Outra tendência identificada pelo levantamento foi a desaceleração dos aplicativos de compras.Embora a base ativa tenha permanecido praticamente estável, a aquisição de novos usuários caiu 16%, indicando um comportamento mais cauteloso do consumidor antes dos grandes eventos promocionais do segundo semestre.
Segundo a RankMyApp, o cenário cria oportunidades para estratégias focadas em retenção e reativação da base existente, especialmente em datas como Dia dos Pais, Semana do Brasil e Black Friday.Para a RankMyApp, junho marca uma mudança importante na dinâmica do mercado mobile.
Enquanto eventos de grande audiência passaram a disputar a atenção dos usuários fora dos aplicativos tradicionais, empresas precisarão investir em criatividade, otimização das páginas nas lojas (ASO) e estratégias de retenção para recuperar eficiência no topo do funil.
“Junho de 2026 foi um mês de contração do topo do funil, não da base. Conseguimos perceber claramente um deslocamento da atenção para canais fora dos aplicativos tradicionais. Para o segundo semestre, o desafio será reconstruir a aquisição de usuários sem perder a base já conquistada”, conclui Leandro Scalise.
Sobre o Índice RankMyApps
O Índice RankMyApp acompanha mensalmente o desempenho de aplicativos monitorados pela empresa na Google Play Store. Nesta edição, foram analisados 142 aplicativos pareados entre maio e junho de 2026, distribuídos em 22 categorias e avaliados por meio de 16 indicadores de performance, incluindo usuários ativos mensais (MAU), usuários ativos diários (DAU), stickiness, CTR nas lojas, conversão, aquisição e perda de usuários, entre outros.O levantamento representa a inteligência da base monitorada pela RankMyApp e não configura um censo do mercado brasileiro de aplicativos.
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