Segurança além do crachá ganha espaço na gestão de fornecedores
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Quando o assunto é segurança no trabalho, o limite entre funcionário próprio e prestador de serviço precisa ganhar um conceito mais amplo: todos que participam de uma mesma operação precisam conhecer, compreender e aplicar padrões comuns de prevenção. Em setores com atividades de maior risco, como o elétrico, essa integração da cadeia de fornecedores ganha ainda mais relevância.
A preocupação com segurança é acompanhada de perto pelo próprio setor. Dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) mostram que 2024 registrou o menor número total de acidentes da população com a rede elétrica desde 2017, embora tenha havido aumento das fatalidades. Em 2026, a entidade chegou à 20ª edição de sua campanha nacional de prevenção de acidentes com a rede elétrica, reforçando uma discussão que permanece permanente para as distribuidoras: informação, comportamento e prevenção precisam caminhar juntos.
Embora esses indicadores estejam relacionados especificamente aos acidentes da população com a rede elétrica, eles ajudam a dimensionar a atenção que o setor dedica à segurança. Dentro das empresas, essa preocupação assume outras frentes e passa também pelo desafio de fazer com que procedimentos, percepção de riscos e comportamento seguro sejam incorporados não apenas pelos empregados diretos, mas por todos os profissionais envolvidos nas operações.
É nesse contexto que ganha força a ideia de segurança além do crachá. Na prática, significa estender treinamento, informação, protocolos e cultura preventiva à cadeia de prestadores de serviços, reduzindo diferenças de orientação entre equipes próprias e contratadas e estabelecendo referências comuns para a execução das atividades.
Na CPFL Energia, uma das estratégias adotadas são encontros periódicos com empresas parceiras. Neste mês de setembro, a companhia realiza mais uma edição de seu Workshop de Segurança, iniciativa semestral que reúne diversos profissionais entre colaboradores e representantes de empresas participantes. O conteúdo passa pela análise de ocorrências, indicadores de segurança, mitigação de riscos, revisão de procedimentos e aspectos comportamentais relacionados à prevenção.
Além do conteúdo técnico, a proposta é criar espaços de imersão e troca capazes de ampliar a conexão entre o público interno e os profissionais das empresas participantes. Um desses encontros ocorre no Café Filosófico, no Instituto CPFL, ambiente utilizado para aproximar equipes, compartilhar experiências e estimular uma discussão conjunta sobre como transformar diretrizes de segurança em práticas incorporadas à rotina.
Para Rafael Lazzaretti, diretor-presidente da CPFL Paulista, levar essa cultura para além da estrutura interna é parte essencial da gestão de segurança. “Uma operação segura não pode ter padrões diferentes dependendo do crachá de quem está executando uma atividade. Quando diferentes empresas trabalham dentro de uma mesma cadeia, precisamos compartilhar princípios, procedimentos e, principalmente, a percepção de que nenhuma tarefa é mais importante do que a segurança das pessoas. Esse alinhamento precisa ser permanente.”
A proposta vai além do cumprimento de normas. Encontros periódicos permitem analisar situações concretas, compartilhar aprendizados e discutir também o componente comportamental da segurança. A lógica é transformar prevenção em uma prática cotidiana, na qual identificar um risco, comunicar uma condição insegura e adotar a conduta adequada sejam atitudes incorporadas por todos os envolvidos na operação.
Segundo Osvanil Oliveira Pereira, diretor-presidente da CPFL Piratininga e CPFL Santa Cruz, esse envolvimento é fundamental para manter uma cultura uniforme ao longo da cadeia. “Segurança se constrói com consistência. Não basta estabelecer uma regra e pressupor que ela será naturalmente incorporada por todos. É necessário conversar, capacitar, acompanhar indicadores, aprender com as ocorrências e revisar práticas continuamente. Quanto maior o alinhamento entre nossas equipes e as empresas que atuam conosco, mais sólida se torna essa cultura.”
A integração também abre espaço para que os prestadores contribuam com a perspectiva de quem vivencia diariamente diferentes etapas da operação. Dessa forma, deixam de ser apenas receptores de procedimentos e passam a integrar as discussões sobre riscos, prevenção e aperfeiçoamento das práticas.
Uma das empresas participantes é a MG Setel, de Araraquara, que presta serviços voltados à medição do consumo de energia elétrica, com atuação em leitura e consistência de dados de consumo. Para Genésio José Macedo Filho, diretor da empresa, a aproximação contribui para que as orientações cheguem efetivamente à rotina das equipes. “Quando existe esse diálogo permanente, a segurança deixa de ser apenas uma orientação recebida e passa a fazer parte da forma como as equipes trabalham. Participar dos treinamentos, das discussões e dos aprendizados ajuda a manter todos alinhados e fortalece a prevenção no dia a dia.”
A lógica de ir além do crachá amplia, assim, o alcance das políticas internas de segurança. Ao compartilhar conhecimento, discutir ocorrências e aproximar profissionais de diferentes empresas, treinamentos sistemáticos podem contribuir para criar uma linguagem comum de prevenção e fazer com que boas práticas acompanhem os trabalhadores independentemente do vínculo ou da empresa a que pertencem.
Para organizações que dependem de extensas cadeias de prestação de serviços, o desafio passa a ser justamente transformar segurança em um valor compartilhado. Mais do que transmitir regras, isso significa criar condições para que procedimentos e comportamentos sejam compreendidos, discutidos e replicados por todos que fazem parte da operação.
Serviço
· Evento: Workshop de Segurança das Contratadas – CPFL Energia
· Data: 29/09/2026
· Local: Café Filosófico – Campinas
· Horário: 08h às 13h
· Público: +150 pessoas (interno e externo)
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