Ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico em Nova Odessa cita presunção da inocência e se defende
Agora ex-secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico e Promoção Social de Nova Odessa, Mateus Rosa Tognella usou suas redes sociais nesta sexta-feira (1º) para fazer um desabafo, intitulado “A verdade não pode ser cancelada. O dia mais doloroso da minha vida”.
Na quinta-feira (30) Tognella havia publicado mensagem agradecendo ao prefeito Cláudio Schooder-Leitinho (PSD) e informando que deixava o cargo para que sua defesa trabalhe e possa provar sua inocência após ter o nome relacionado em operação da Polícia Civil que apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Um endereço vinculado a Tognella, em Campinas, foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, na segunda-feira (27). Denominada Operação Contaminatio, a ação resultou na prisão de suspeitos e no cumprimento de 22 mandados judiciais em diferentes cidades. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos.
Segundo as informações, o grupo criminoso teria estruturado mecanismos para ocultar recursos provenientes, principalmente, do tráfico de drogas, além de tentar ampliar sua atuação política através da aproximação com administrações públicas municipais.
Apesar da atuação recente na Prefeitura de Nova Odessa, a investigação policial abrange mais a questão político-partidária de Tognella, uma vez que ele é presidente do PSB (Partido Socialista Brasileiro) no município e exerceu cargo comissionado na gestão de Jonas Donizette (PSB) como prefeito de Campinas.
Tognella exerceu dois cargos no Poder Executivo de Campinas entre 2013 e 2020. Além disso, a sua atuação partidária teria relação com o atual vice-prefeito campineiro, Wanderley de Almeida (Wandão). A esposa, Rebecca Farinella Tognella, é atualmente procuradora de Campinas.

Mandado de busca
“Vivi o dia mais doloroso da minha vida. Fui acordado por um mandado de busca e apreensão; levaram meu notebook, tablet, celular e pendrives. Fiquei em choque”, contou Tognella. “Até agora, alguns dias depois, ainda tento entender como meu nome foi envolvido em algo tão absurdo e distante de quem eu sou”, afirmou.
“São 16 anos de vida pública. Uma trajetória construída com esforço, degrau por degrau, que em poucas horas, vi uma vida inteira ser ‘cancelada'”, descreve o ex-servidor novaodessense. “Minha reputação e credibilidade foram expostas de forma tão cruel”, lamentou.
Mateus Tognella também citou a história familiar, que inclui bisavós imigrantes italianas a chegar de forma pioneira em Americana. Ainda menciona que uma avó fundou o primeiro restaurante de Nova Odessa. “Herdei delas o valor do trabalho e da honestidade”, ressaltou. Ele ainda questiona: “Quem irá reparar o dano causado à minha honra?”.
O articulador político afirma que “mesmo ferido segue acreditando nas instituições e no Estado Democrático de Direito” e que “a verdade vai aparecer” e provará, “com serenidade e firmeza”, que não tem qualquer envolvimento com o que tentam lhe atribuir.
Por fim, Tognella agradece aos amigos e cita uma parte de trecho bíblico (João 8:32): “Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (sic). Na verdade, o versículo destacado pelo ex-assessor é: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Montagem feita pelo jornal Todo Dia
Defesa
À imprensa, a defesa de Mateus Tognella disse que “a simples menção nominal em elementos informativos não constitui prova, tampouco autoriza conclusões precipitadas, devendo ser rigorosamente observados os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência”.
A Prefeitura de Campinas ressaltou que “a pessoa citada no caso deixou a administração no período de transição, nos dois primeiros meses de 2021. Desde então, não mantém qualquer vínculo com a Prefeitura”. Isso em relação a ele ter ocupado cargo no início da gestão do atual prefeito Dário Saadi (Republicanos).
Já a Prefeitura de Nova Odessa esclareceu não ter conhecimento dos fatos citados na operação. A gestão do prefeito Leitinho alega ainda que a investigação “abrange período anterior à nomeação do secretário adjunto em Nova Odessa”. A PMNO termina dizendo que “no que se refere ao desempenho da função do secretário adjunto na pasta, a Administração Municipal não possui informações que desabonem sua conduta”.
O deputado federal Jonas Donizette afirmou que “Tognella não integra mais sua equipe e que a investigação não tem qualquer relação com as atividades desenvolvidas em seu mandato”. Ele disse ainda que sua gestão como prefeito de Campinas se encerrou em 2020 e que “não há qualquer conhecimento sobre eventual atuação do ex-assessor Mateus Tognella no período mencionado.”.
A investigação policial segue em andamento e deve avançar a partir da análise dos materiais apreendidos. Até o momento, não há denúncia formal apresentada, e o caso permanece na fase de coleta de provas. Até o momento, não há qualquer imputação formal, indiciamento ou acusação contra Tognella no âmbito da investigação.