Vereador conclui denúncias do ‘Concreto Invisível’ em Nova Odessa
André Faganello publicou série de oito vídeos com dossiê apontando suposto desvio de R$ 4,4 milhões em obras de calçamento pela cidade
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Esta semana o vereador André Faganello (Podemos) concluiu a publicação, em redes sociais, da série de vídeos na qual traz um dossiê chamado por ele de “O Escândalo do Concreto Invisível”. É apontado que mais de R$ 4,4 milhões em verbas públicas teriam ‘desaparecido’, montante que deveria ser aplicado na construção de calçadas e foi pago, mas parte das obras correspondentes não foi executada.
Nos oito vídeos, o vereador expôs detalhes de diversas obras após meses de investigações, envio de requerimentos, juntada de documentos oficiais das respectivas compras e também de sindicâncias realizadas pela Administração Municipal para apurar situações supostamente irregulares envolvendo servidores.
No último episódio, Faganello abordou o Calçadão da Feltrin. “Somente nessa obra o desvio foi de mais de 2 milhões de reais”, revela. Foram duas compras diferentes: a primeira, em junho de 2023, houve pagamento de R$ 936 mil, mas documentos comprovam a execução de apenas R$ 314 mil. “Ou seja, 620 mil reais sumiram só aqui”, aponta.
A apuração é que houve a compra de 1.030 metros cúbicos de concreto, o equivalente a 206 caminhões. “É concreto suficiente pra fazer mais de 8 quilômetros de calçada”, argumenta Faganello. Também foram adquiridas 12 rampas de acessibilidade e 12 metros de piso tátil, além de 156 metros de sarjeta a mais.
Entretanto, segundo sindicância, nessa obra só foram usados 75 caminhões de concreto. “Isso mesmo, sumiram 131 caminhões somente nessa primeira compra”, acrescenta o vereador. E no mês de setembro daquele ano foi emitida uma nova nota fiscal, no valor de R$ 1,4 milhão. “E dessa compra não foi feito nada!”, ressaltou.

Aquisições
De acordo com Faganello, a nota indicava a aquisição de 624 m³ de concreto, o equivalente a 125 caminhões. Na segunda compra também era pra serem adquiridas 421 rampas de cadeirante, assim como 8.804 metros de piso tátil e 4.130 metros de sarjeta. “Não tem nenhum piso tátil nessa rua”, garante.
De acordo com o vereador, “é fisicamente impossível justificar essas compras” no Calçadão da Feltrin. Conforme Faganello explica, ao todo foram comprados 1.654 m³ de concreto (331 caminhões). “É concreto suficiente pra fazer 13 quilômetros de calçadas”, calcula. Ainda 433 rampas de cadeirante, 8.816 metros de piso tátil, 4.286 metros de guia de sarjeta.
Para o vereador, são números incompatíveis com a realidade local. “É uma rua de apenas 950 metros. E o mais surpreendente: 19.230 quilômetros de caminhão basculante pra tirar entulho dessa obra. Distância pra levar daqui até Tóquio, no Japão”, frisa.

Ação
O parlamentar solicita a ação imediata do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por se tratar de possíveis crimes contra a administração pública.
“Cabe agora aos órgãos de controle, Ministério Público, Tribunal de Contas, fazer realmente o que precisa ser feito. O meu papel de vereador é esse: fiscalizar, denunciar e dar transparência ao dinheiro público. Tenho certeza que a investigação não termina aqui”, conclui.
Questionada sobre as denúncias, a Prefeitura informou que “concluiu, no final do ano passado, o procedimento instaurado para averiguação e apuração das irregularidades apontadas neste caso. O MP-SP foi oficiado, bem como estão sendo tomadas as medidas judiciais pertinentes por parte da municipalidade para preservação dos interesses e recursos públicos”.
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