Márcia Rebeschini cita tubulação rasa de adutora abaixo da Rua Neusa Guedes e possíveis problemas no abastecimento da cidade caso seja reaberta ao tráfego
A vereadora Márcia Rebeschini (União Brasil) garantiu: “Essa rua não pode ser aberta”. A frase dita na sessão da Câmara desta segunda-feira (11) em Nova Odessa diz respeito a Rua Neusa Guedes, cujo acesso está interditado há oito meses e tem gerado debates no município. A parlamentar cita como argumento a existência de tubulação rasa de adutora de água tratada.
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De acordo com Márcia Rebeschini, a via não deve receber tráfego de veículos enquanto possui muito próxima uma tubulação rasa da Coden Ambiental, construída em uma época na qual não se imaginava que o local poderia receber uma rua oficial. A sede da companhia fica bem ao lado e a tubulação atende a aproximadamente 60% do abastecimento do município.
A vereadora rechaçou a ideia de reabrir o tráfego no local. “Essa rua não pode ser aberta”, sentenciou. Rebeschini citou explicação recebida do diretor-presidente da Coden Ambiental, Rean Sobrinho. “Tem uma adutora (de água tratada) bem ao lado, o que acaba dificultando. É inadmissível reabrir desse jeito”, apontou.
“Não é simplesmente abrir uma calçada (na Avenida Eddy de Freitas Crissiuma), inclusive onde passam pedestres, idosos pra ir na agência do INSS e crianças no supermercado”, detalhou a parlamentar. Márcia criticou colegas que defendem a reabertura da via sem considerar o problema da adutora e da passagem de pedestres
A tubulação é de adutora do Córrego Recanto, que vem da captação nas represas e traz água para ser tratada na ETA da Coden. Rean explica que quando foi feita a adutora, décadas atrás, não se imaginava que aquele trecho pudesse receber uma rua pavimentada. A tubulação está a apenas 40 ou 50 centímetros abaixo do solo, quando a recomendação mínima é de um metro e meio.
Sendo assim, um possível vazamento na adutora, devido ao impacto do fluxo de veículos, afetaria cerca de 60% da vazão de atendimento no município. “Um vazamento pode deixar metade dos nossos bairros sem água. Por esse motivo essa via não é aberta”, alertou Márcia Rebeschini.

Abastecimento, segue a Vereadora
“Corre um sério risco de estourar essa adutora, que é muito superficial. Quando se passou não imaginava que um dia aquele pequeno trecho seria uma rua”, reforçou. A vereadora criticou inclusive a denominação passada pela Câmara Municipal, citando a possibilidade de se estudar até a retirar da nomenclatura.
“Podem fazer vídeos e vídeos, cobrar. Mas não vai ser aberta. Infelizmente”, frisou. “Somente quando tiver recurso pra rebaixar toda a tubulação da adutora que passa no local”, descreve a vereadora. Ela afirmou que quando houve a desapropriação de área para o prolongamento da Avenida João Pessoa a Prefeitura deveria ter planejado a pavimentação do local.
“Ficou uma multa de 6 milhões (de reais). E quem pagou? Nós, a população de Nova Odessa com seus impostos”, lamentou a vereadora. “Essa rua era pra estar aberta na época da gestão anterior. Estar pronto dez anos atrás”, acrescenta Rebeschini. “Então vamos parar de politicagem, de ‘auê’. Vamos parar de safadeza”, finalizou.
A Rua Neusa Guedes Rodrigues interliga a Avenida João Pessoa à Avenida Eddy de Freitas Crissiúma. Desde o início gerou discussões, seja pelo seu impacto na vizinhança – poeira no Condomínio Residencial Imigrantes – e questionamentos até mesmo políticos devido ao precatório superior a R$ 6 milhões pago pelo município como resultado de desapropriação.
O trecho margeia o muro do condomínio e fica nas proximidades da Câmara Municipal, onde existe também uma academia, uma escola infantil e uma igreja. A abertura da via foi possível graças à desapropriação de uma área (de 4.328.37 m²) realizada em 2015, ainda no governo do prefeito Benjamim Bill Vieira de Souza.
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