4 caminhos que devem redefinir a forma de diagnosticar doenças nos próximos anos

Da inteligência artificial ao sequenciamento genético, avanços em diagnóstico ampliam a precisão, aceleram decisões clínicas e impulsionam a medicina personalizada

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A medicina diagnóstica vive um dos momentos mais transformadores de sua história. Impulsionadas pela inovação tecnológica e pela crescente demanda por diagnósticos mais rápidos, precisos e personalizados, novas abordagens vêm redefinindo a forma como doenças são identificadas, monitoradas e tratadas.

Tendências como o uso de inteligência artificial, o avanço do sequenciamento genético, a consolidação da biópsia líquida com a PCR digital e a expansão dos testes rápidos sindrômicos já impactam a rotina clínica, laboratorial e hospitalar, no Brasil e no mundo.

Segundo Paulo Gropp, vice-presidente da QIAGEN na América Latina, o movimento reflete uma mudança estrutural na forma de cuidar da saúde. “Estamos falando de um novo paradigma, em que o diagnóstico deixa de ser apenas reativo e passa a ter um papel estratégico na prevenção, no acompanhamento contínuo e na personalização do tratamento, sempre com mais agilidade e segurança”, afirma.

1. Inteligência artificial aplicada ao diagnóstico

A incorporação da inteligência artificial (IA) em sistemas diagnósticos tem ampliado a capacidade de análise de grandes volumes de dados clínicos e laboratoriais. Algoritmos avançados conseguem identificar padrões, reduzir falhas humanas e apoiar decisões médicas com mais rapidez e confiabilidade. “Na prática, isso significa laudos mais precisos, fluxos laboratoriais mais eficientes e maior segurança tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes”, complementa Gropp.

2. Sequenciamento genético e diagnósticos de câncer cada vez mais precoces

O sequenciamento genético desponta como um dos pilares da medicina personalizada. A partir de amostras simples, como sangue ou saliva, é possível identificar mutações associadas a diferentes tipos de câncer e outras doenças hereditárias, muitas vezes antes mesmo do surgimento de sintomas.

“Esses dados permitem estratégias de monitoramento mais rigorosas, rastreamento direcionado e intervenções antecipadas, com potencial impacto na redução da mortalidade”, explica o executivo. Apesar dos avanços e de já existir cobertura em alguns planos de saúde, o acesso ainda é desigual no sistema público, o que reforça a importância do debate sobre ampliação dessas tecnologias.

3. Biópsia líquida e PCR digital: precisão sem procedimentos invasivos

A biópsia líquida avança como alternativa menos invasiva às biópsias tradicionais. A partir da análise de biomarcadores presentes no sangue, como fragmentos de DNA tumoral circulante, é possível diagnosticar e acompanhar a evolução da doença e avaliar a resposta ao tratamento ao longo do tempo.

Nesse contexto, a PCR digital se destaca por sua alta sensibilidade, permitindo detectar mutações raras mesmo em condições desafiadoras. A combinação dessas tecnologias oferece uma visão dinâmica da doença e amplia as possibilidades de personalização terapêutica.

4 caminhos que devem redefinir a forma de diagnosticar doenças nos próximos anos

4. Testes rápidos sindrômicos: agilidade que salva vidas

Os testes rápidos sindrômicos, baseados em PCR multiplex, representam um avanço importante na identificação de infecções. Em cerca de uma hora, uma única amostra pode revelar múltiplos patógenos, incluindo casos de coinfecção.

Essa rapidez é decisiva para diferenciar infecções virais das bacterianas em diferentes cenários – gastrointestinais, respiratórios e de meningites -, orientar o uso adequado de antibióticos e evitar tratamentos desnecessários. O resultado é uma conduta médica mais assertiva, com benefícios diretos para o paciente e para o sistema de saúde.

Para Gropp, essas tendências apontam para um futuro em que o diagnóstico ocupa posição central na jornada do cuidado. “Quanto mais cedo e com mais precisão conseguimos entender o que acontece no organismo, maiores são as chances de sucesso no tratamento. A medicina diagnóstica está no centro dessa transformação e continuará sendo um dos principais motores da inovação em saúde nos próximos anos”, conclui.

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