A disputa global por liderança em inteligência artificial generativa entrou em uma nova fase, e o movimento mais recente vem do avanço acelerado do Claude, modelo da Anthropic, dentro do mercado corporativo.

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Dados do Ramp AI Index indicam que a Anthropic passou a vencer cerca de 70% das disputas diretas contra a OpenAI quando empresas contratam soluções de IA pela primeira vez. Em paralelo, a base de companhias pagantes saltou de 1 em cada 25 para 1 em cada 4 em menos de um ano, um crescimento que sinaliza mudança relevante na dinâmica competitiva do setor.

Além disso, o Claude dobrou o número de assinantes pagos em 2026, enquanto seu aplicativo móvel alcançou 11,3 milhões de usuários diários, com crescimento de 183%. O tráfego web também avançou, atingindo 290 milhões de visitas mensais. No mesmo período, o ChatGPT registrou retração de 6,5% no volume de acessos.

Para especialistas, os números refletem uma mudança de posicionamento mais profunda do que uma simples disputa tecnológica. “O que está acontecendo não é só uma troca de ferramenta. É uma mudança de lógica: as empresas estão deixando de buscar a IA mais ‘impressionante’ e passando a adotar a mais ‘operacional’”, afirma Breno Lobato, especialista em inteligência artificial para negócios.

Diferentemente de concorrentes que ampliaram funcionalidades voltadas ao consumidor final, como voz, imagem e multimodalidade, o Claude avançou com foco direto na rotina corporativa.

Claude

A plataforma passou a oferecer geração de documentos estruturados (como relatórios, apresentações e planilhas), além de integrações com ferramentas amplamente utilizadas no ambiente empresarial, como Excel e PowerPoint. Recursos como extensões de navegador, automação de tarefas recorrentes (“Skills”) e operação direta em arquivos locais indicam uma estratégia centrada em produtividade. “O Claude entendeu algo que muita gente ignorou: no mundo dos negócios, valor não está na resposta, está na entrega pronta para uso. Quem resolve o trabalho, ganha o contrato”, diz Breno Lobato.

Claude Code em alta

Outro fator relevante é o avanço do Claude Code, solução voltada para desenvolvimento de software. A ferramenta atingiu US$ 1 bilhão em receita anualizada em apenas seis meses, segundo dados do mercado.

Relatos de empresas indicam que o sistema consegue executar tarefas de programação de forma autônoma por horas. Estudos com desenvolvedores apontam que entre 41% e 68% já utilizam soluções da Anthropic, posicionando a empresa entre as principais plataformas do segmento, ao lado de ferramentas consolidadas como GitHub Copilot.

Um episódio recente também contribuiu para o reposicionamento da marca. Em fevereiro de 2026, a Anthropic recusou **condições** para uso militar de sua tecnologia em um contrato com o Pentágono, mantendo restrições relacionadas a vigilância e armamento autônomo.

A decisão gerou repercussão imediata no mercado e nas redes sociais, impulsionando um movimento de migração de usuários e reforçando a percepção de alinhamento ético da empresa. “Pela primeira vez, estamos vendo decisões de compra em IA serem influenciadas por valores corporativos, não apenas por performance técnica. Isso muda completamente o jogo competitivo”, afirma o especialista.

O avanço da Anthropic também se reflete em grandes contratos. A empresa já ultrapassou 300 mil clientes corporativos e atingiu cerca de 70% de adoção entre companhias da Fortune 100.

Organizações como BlackRock, Accenture e Cognizant estão entre as que adotaram a solução em larga escala, seja para automação de processos, análise de dados ou suporte operacional.

Em termos financeiros, a Anthropic saiu de US$ 1 bilhão em receita anualizada no início de 2025 para cerca de US$ 5 bilhões poucos meses depois, com projeções que chegaram a US$ 9 bilhões no mesmo ano. A empresa foi avaliada em mais de US$ 60 bilhões.

A OpenAI, por sua vez, ainda lidera em receita absoluta, superando US$ 25 bilhões anualizados em 2026. No entanto, analistas apontam que a taxa de crescimento da Anthropic é atualmente superior, um indicador relevante em mercados de tecnologia. “Quem lidera hoje não necessariamente lidera o próximo ciclo. Em tecnologia, velocidade de crescimento costuma antecipar mudança de liderança”, diz Lobato.

Para o mercado corporativo, o avanço do Claude indica uma mudança estrutural na forma como a inteligência artificial é adotada.

A tendência aponta para soluções mais integradas ao fluxo de trabalho, com foco em execução, precisão e automação, em vez de interfaces generalistas voltadas ao consumo. “O ChatGPT continua sendo a porta de entrada da IA. Mas o mercado que paga — o que usa IA para operar — está migrando para plataformas que entregam resultado direto no negócio”, conclui Lobato.

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