Órfãs e com poucas semanas de vida, duas filhotes de furão-pequeno (Galictis cuja) encontraram no Cetras (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres) uma nova chance de sobreviver. Desde que chegaram ao espaço, em abril, as pequenas recebem cuidados intensivos de veterinários, biólogos e tratadores, em um delicado processo de recuperação e desenvolvimento que busca prepará-las, no futuro, para o retorno à natureza.
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As duas fêmeas foram acolhidas após a mãe ser atropelada por um maquinário. Atualmente, os animais estão em fase de reabilitação e desmame, tanto do leite quanto da ração, e recebem alimentação em intervalos frequentes ao longo do dia. Neste primeiro momento, permanecem em um recinto adaptado às necessidades da espécie, com estímulos voltados ao desenvolvimento comportamental.
Em breve, elas serão transferidas para um espaço maior, onde continuarão o processo de adaptação, incluindo estímulos para caça, busca por alimento e redução gradual do contato com humanos.
Furão-pequeno
O Galictis cuja é um mamífero carnívoro silvestre nativo da América do Sul e encontrado em diferentes biomas brasileiros, como a Mata Atlântica e o Pampa. De corpo alongado, patas curtas e pelagem marcante — com tons acinzentados no dorso e partes inferiores escuras —, a espécie possui hábitos predominantemente diurnos e exerce importante papel no equilíbrio ambiental ao controlar populações de pequenos roedores, aves e répteis. Trata-se de um animal extremamente ágil e inteligente, fundamental para o ecossistema. Apesar da semelhança física, ele não tem relação com os furões domésticos comercializados em outros países e sua criação como pet é proibida no Brasil.
Embora esteja classificado globalmente como espécie de menor preocupação em relação ao risco de extinção, o furão-pequeno enfrenta ameaças constantes provocadas pela ação humana, como atropelamentos e perda de habitat. “É uma espécie difícil de ser observada na natureza, mas isso não significa necessariamente que existam poucos indivíduos ou que esteja ameaçada”, explicou o biólogo Guilherme Cervelle Rubio, da equipe do Cetras. Sobre a reintrodução dos filhotes à natureza, ele destacou que não há um prazo definido, que dependerá do comportamento e do desenvolvimento delas.

“Cuidar do meio ambiente é algo muito importante, cuidar dos animais fez parte da minha história como biólogo. Sempre que posso eu venho aqui no Cetras, setor que faz parte do Cesb no antigo Viveiro Municipal, onde trabalhei como biólogo e pelo qual tenho muito orgulho e carinho”, ressaltou o prefeito Rafael Piovezan.
Em quase dois anos de funcionamento, o Cetras já atendeu cerca de 900 animais de aproximadamente 80 espécies diferentes, com 220 animais reintroduzidos na natureza e outros 130 transferidos para empreendimentos autorizados. “É um espaço extremamente importante para o acolhimento, tratamento e recuperação dos animais silvestres, um trabalho realizado com muita responsabilidade por toda a equipe técnica”, complementou o Chefe do Executivo durante visita aos furões.
Além dos furões, outros animais em recuperação também chamam a atenção da equipe técnica do Cetras, como um macho idoso de macaco-prego (Sapajus nigritus), resgatado pela GPA de Americana em estado debilitado, e uma fêmea de ouriço-cacheiro (Sphiggurus spinosus), que possui visão parcial em apenas um dos olhos. O macaco-prego vem apresentando boa recuperação após tratamentos clínicos, suplementação alimentar e procedimentos veterinários.

Em operação desde setembro de 2024, o Cetras é responsável pelo recebimento de animais silvestres oriundos de resgates, apreensões e entregas voluntárias. Após a chegada, os animais passam por triagem, identificação da espécie, exames clínicos, marcação com anilhas ou microchips e, quando necessário, tratamento veterinário e reabilitação.
O espaço tem como objetivo acolher, tratar e recuperar animais silvestres, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Após avaliação da equipe técnica, os animais podem ser reintroduzidos na natureza ou destinados a empreendimentos de fauna e programas de educação ambiental devidamente autorizados.
Os primeiros animais recebidos pelo Cetras foram cerca de 220 aves transferidas do Oeste Paulista após incêndios, entre elas araras e papagaios de diversas espécies. Atualmente, o centro também abriga e recupera tucanos, cachorro-do-mato, gaviões, saguis, gambás, ouriço-cacheiro e cobras.
O Cetras funciona no Cesb, localizado na Rua da Cachoeira, 1220, no bairro São Joaquim. O espaço não é aberto para visitação.
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