A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu manter a cidadania por nascimento e rejeitou a tentativa do presidente Donald Trump de restringir esse direito por meio de uma ordem executiva. Por 6 votos a 3, a Corte preservou o entendimento de que crianças nascidas em território americano são cidadãs dos Estados Unidos, mesmo quando seus pais estão no país de forma irregular ou temporária.

+ NOTÍCIAS NO GRUPO NM DO WHATSAPP

A ordem executiva, assinada no início do segundo mandato de Trump, pretendia impedir que filhos de imigrantes sem status legal, visitantes temporários, estudantes internacionais e outros estrangeiros em determinadas categorias migratórias recebessem automaticamente a cidadania americana ao nascer. A medida, no entanto, havia sido barrada por tribunais de instâncias inferiores e nunca chegou a entrar em vigor.

O julgamento foi acompanhado de perto por comunidades imigrantes, especialistas em Direito, organizações de defesa dos direitos civis e autoridades públicas, já que colocava em discussão uma das interpretações constitucionais mais consolidadas da história dos Estados Unidos.

A decisão se fundamenta na 14ª Emenda da Constituição americana, aprovada após a Guerra Civil, que estabelece que todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos e sujeitas à sua jurisdição são cidadãs do país. Ao longo de décadas, esse dispositivo passou a assegurar a cidadania automática para praticamente todos os nascidos em solo americano, com exceções bastante restritas, como os filhos de diplomatas estrangeiros.

Para Murtaz Navsariwala, advogado de imigração, o julgamento representa uma reafirmação dos limites constitucionais do Poder Executivo e fortalece a segurança jurídica em torno de um dos princípios mais consolidados do direito constitucional americano.

Suprema Corte

Mudança enorme na Suprema Corte

“Uma mudança dessa magnitude não poderia ser feita por ordem executiva. A Suprema Corte reafirma que a cidadania por nascimento é uma garantia constitucional consolidada e que não pode ser retirada por uma decisão unilateral do Executivo”, afirma Murtaz.

A tentativa de restringir a cidadania por nascimento fazia parte da política migratória mais rígida defendida por Trump. Na prática, a ordem não atingiria apenas famílias em situação migratória irregular, mas também pessoas que vivem legalmente nos Estados Unidos de forma temporária, como estudantes, trabalhadores com visto, turistas e solicitantes de residência permanente.

Caso tivesse entrado em vigor, a medida poderia criar um cenário de insegurança jurídica, com impactos sobre registros de nascimento, emissão de passaportes, acesso a documentos, reconhecimento da nacionalidade e outros direitos vinculados à cidadania americana.

A decisão da Suprema Corte também reforça a importância do precedente estabelecido no caso United States v. Wong Kim Ark, de 1898. Na ocasião, o tribunal reconheceu a cidadania americana de uma pessoa nascida nos Estados Unidos, filha de pais chineses que não eram cidadãos americanos. Desde então, esse julgamento se tornou uma das principais referências para a interpretação da cláusula de cidadania prevista na 14ª Emenda.

Embora a Corte tenha mantido o entendimento histórico sobre a cidadania por nascimento, o julgamento evidenciou divergências entre os ministros. A maioria concluiu que a 14ª Emenda protege esse direito de forma ampla, enquanto os votos dissidentes defenderam que haveria espaço para uma interpretação mais restritiva da Constituição.

Para Murtaz, a decisão oferece segurança jurídica às famílias imigrantes, mas não encerra o debate sobre imigração nos Estados Unidos.

“O resultado dá segurança às famílias imigrantes neste momento, mas o tema certamente continuará no centro da disputa política americana. Por isso, é importante que imigrantes acompanhem as mudanças com cautela e busquem orientação profissional antes de tomar decisões baseadas em anúncios políticos ou interpretações generalizadas”, explica.

A decisão também tem repercussão internacional, especialmente entre famílias estrangeiras que vivem, estudam, trabalham ou pretendem imigrar para os Estados Unidos. Para muitos imigrantes, a cidadania por nascimento representa um importante fator de estabilidade para filhos nascidos em solo americano, independentemente da situação migratória dos pais.

Na prática, o entendimento permanece inalterado: crianças nascidas nos Estados Unidos continuam sendo reconhecidas como cidadãs americanas desde o nascimento, salvo as exceções constitucionais já previstas.

O julgamento também reforça o papel da Suprema Corte como intérprete da Constituição em temas que envolvem direitos fundamentais e os limites do poder presidencial. Ao mesmo tempo, evidencia que, embora o governo federal detenha ampla autoridade para conduzir a política migratória, essa competência não pode se sobrepor a garantias constitucionais consolidadas.

Sobre Murtaz Navsariwala e o Murtaz Law

Advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, Murtaz Navsariwala combina formação em Economia e História pela Northwestern University com doutorado em Direito pela Indiana University Bloomington.

Com 18 anos de atuação na área, e uma taxa de aprovação de 99,5%, Murtaz lidera o Murtaz Law, escritório sediado em Illinois (EUA) e reconhecido por sua excelência em vistos de trabalho, com destaque para o EB-2 NIW. Sua formação multidisciplinar, que combina Direito, Economia e História, contribui para uma abordagem sistêmica e estratégica dos temas migratórios, oferecendo interpretações claras e fundamentadas mesmo diante de assuntos complexos ou controversos.

Leia + sobre  turismo e notícias internacionais