Vendas de CD superam o Vinil com aumento de 16%. É o fim do streaming?

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Vendas de CD superam o Vinil com aumento de 16%. É o fim do streaming?

Durante muitos anos, o vinil foi o principal símbolo da volta da música em mídia física. Agora, porém, um antigo protagonista começa a surpreender o mercado, o CD.

Segundo o Relatório de Meio de Ano de 2026 da Luminate, as vendas de CDs cresceram 16% no primeiro semestre deste ano, alcançando 16,3 milhões de unidades comercializadas. O desempenho superou com folga o crescimento registrado pelo vinil no mesmo período, que foi de 2,4%.

Os dados mostram ainda uma mudança importante no comportamento do público mais jovem. Atualmente, 60% dos ouvintes da Geração Z afirmam ouvir principalmente músicas das décadas de 1990 ou anteriores, um salto expressivo em relação aos 18% registrados em 2021.

Mas afinal, esse crescimento significa que o streaming está perdendo espaço?

“O aumento das vendas físicas mostra que existe um público disposto a investir em uma experiência diferente, mas isso acontece de forma complementar ao streaming. O digital continua sendo a principal forma de consumo, enquanto os físicos têm um papel cada vez mais ligado ao colecionismo e ao relacionamento entre artistas e fãs”, explica Jeff NunoCEO da LUJO NETWORK e especialista em distribuição digital.

Muito além de ouvir música
Hoje, comprar um CD nem sempre significa utilizá-lo como principal forma de reprodução. Para muitos consumidores, principalmente os mais jovens, o produto passou a representar uma forma de demonstrar identidade, apoiar um artista ou possuir um item exclusivo.

“Quando alguém compra um CD hoje, muitas vezes está adquirindo uma lembrança física daquela era do artista. O objeto ganhou um valor emocional muito maior do que apenas servir para tocar músicas”.

Outro fator que impulsiona esse movimento é a nostalgia. Mesmo quem não viveu a época de ouro dos CDs demonstra interesse pelos formatos físicos como forma de experimentar uma relação diferente com a música. Capas, encartes, fotografias, letras impressas e edições especiais oferecem uma experiência que o streaming, por natureza, não consegue reproduzir.

Streaming continua liderando
Apesar do crescimento dos formatos físicos, o streaming permanece como a principal plataforma de consumo musical. Sua praticidade, enorme catálogo, personalização por algoritmos e facilidade de acesso fazem com que continue dominando o mercado.

De acordo com Jeff Nuno, o crescimento dos CDs representa uma expansão do mercado, não uma substituição e que as estratégias de lançamento musical ainda devem ver o streaming como uma peça importante.

“O consumidor de hoje não escolhe necessariamente entre streaming ou mídia física. Muitos utilizam o streaming diariamente e compram CDs ou vinis para fortalecer sua conexão com determinados artistas”.

Esse comportamento mostra que ouvir música deixou de ser apenas uma atividade funcional. Shows, produtos exclusivos, edições limitadas e itens físicos fazem parte de uma estratégia mais ampla de construção de comunidade entre artistas e fãs. Nesse cenário, o CD passa a ocupar um espaço semelhante ao do merchandising, um objeto que representa pertencimento.

 

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