Atendimentos relacionados a vício em bets crescem 140% no SUS em 5 anos

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Atendimentos relacionados a vício em bets crescem 140% no SUS em 5 anos

A procura por serviços de saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS) por vício em bets cresceu 140% entre 2018 e 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde no último mês de maio. O aumento levou a pasta federal a criar uma plataforma de atendimento on-line no Meu SUS Digital para pessoas com problemas relacionados a esses jogos. Nela, o usuário faz um autoteste para verificar o nível de dependência antes do atendimento na rede de saúde.

Dados do Ministério da Fazenda apontam que havia mais de 25 milhões de apostadores no Brasil em 2025, o equivalente a cerca de 18% da população adulta. A maioria era homem, de 18 a 50 anos. Juntos, esses jogadores perderam aproximadamente R$ 38 bilhões no ano passado.

Segundo Davi Tomasi, psicólogo e diretor do Hospital Saúde Premium, especializado em saúde mental, localizado em Capela do Alto (SP), o principal sinal de vício em bets é a perda de controle sobre o próprio comportamento.

O especialista informa que a pessoa passa a ter dificuldade para reduzir ou interromper as apostas, mesmo quando percebe prejuízos financeiros, familiares, profissionais ou emocionais. Ainda de acordo com ele, alguns fatores ligados às plataformas on-line podem aumentar o risco de dependência. Entre os principais estão a facilidade de acesso 24 horas por dia, a possibilidade de apostar em poucos segundos, os estímulos constantes por meio de notificações e promoções, além da falsa percepção de que é possível recuperar rapidamente o dinheiro perdido.

Os indícios de dependência são:

Necessidade de apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção;

Tentativas repetidas e sem sucesso de parar ou reduzir as jogadas;

Inquietação, irritabilidade ou ansiedade quando tenta interromper o comportamento;

Preocupação constante com apostas ou planejamento de novas jogadas;

Apostar para aliviar sentimentos negativos, como tristeza, ansiedade ou estresse;

Tentar recuperar perdas financeiras jogando novamente;

Esconder de familiares e amigos o tempo ou o dinheiro gastos com bets;

Comprometer estudos, trabalho ou relacionamentos;

Recorrer a empréstimos ou vender bens.

Consequências do vício

O vício em bets, conforme o diretor do Hospital Saúde Premium, pode estar associado a diversos problemas de saúde mental ou desencadear outros. Os mais comuns são ansiedade, depressão, transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas, insônia e outras alterações do sono, aumento do estresse crônico, assim como maior risco de pensamentos e comportamentos suicidas.

Também pode haver consequências em outras áreas da vida, como prejuízos financeiros, conflitos e afastamento familiar e social, além de queda no rendimento no trabalho ou nos estudos. Outras possíveis consequências são complicações físicas devido ao estresse contínuo gerado pela dependência, como alterações do sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e piora da saúde em geral.

Procura por atendimento

Caso perceba algum desses sintomas de sofrimento emocional, perda do controle ou prejuízos financeiros, a pessoa deve procurar atendimento especializado em saúde mental o quanto antes. “Quanto mais desses sinais estiverem presentes e quanto maior o impacto na vida cotidiana, maior a necessidade de avaliação profissional. O tratamento precoce reduz os impactos na saúde mental, nas relações familiares e na qualidade de vida”, diz o diretor e psicólogo do Hospital Saúde Premium.

O especialista explica que o tratamento é individualizado, podendo envolver psicólogo, psiquiatra, se necessário, e outros profissionais de multiprofissionais. “Também é fundamental contar com o apoio da família, quando possível, reorganizar a vida financeira, restringir o acesso às plataformas de apostas e fortalecer atividades sociais, esportivas e de lazer que ajudem a substituir o comportamento de apostar.”

O autocontrole também é essencial. Segundo o diretor e psicólogo do Hospital Saúde Premium, apostar não é proibido, mas isso deve ser feito de maneira saudável. “A forma mais segura de evitar o transtorno do jogo é compreender que apostas são uma forma de entretenimento, e não uma estratégia para ganhar dinheiro ou resolver problemas financeiros”, ressalta.

 

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