Dependência química em adolescentes: os sinais começam em casa

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A dependência química na juventude raramente começa de forma evidente. Nos estágios iniciais, o uso de substâncias pode passar despercebido por pais e responsáveis, já que muitas mudanças de comportamento são frequentemente atribuídas às transformações naturais da adolescência. Essa dificuldade em reconhecer os primeiros sinais é um dos principais obstáculos para o diagnóstico e a intervenção precoce. No Brasil, o primeiro contato com álcool e outras drogas tem ocorrido cada vez mais cedo, muitas vezes em ambientes familiares ou entre grupos de amigos. Dados do IBGE mostram que mais da metade dos adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentou bebidas alcoólicas, cerca de um em cada quatro relata consumo regular de álcool e aproximadamente 12% afirmam já ter experimentado drogas ilícitas, como maconha ou cocaína.

 

Dependência química em adolescentes: os sinais começam em casa

“Quanto mais precoce é a experimentação, maior o risco de desenvolver padrões de consumo abusivo e dependência ao longo da vida. O grande desafio é que os primeiros sinais são sutis e acabam sendo interpretados como uma fase passageira. Essa leitura equivocada das famílias atrasa o diagnóstico e o tratamento, e é esse atraso que aumenta o risco de agravamento da dependência nos adolescentes”, alerta a Dra. Samira Calil, psiquiatra e coordenadora da equipe médica da Clínica Maia.

A médica lista cinco categorias de sinais que merecem atenção das famílias:

  • Mudanças comportamentais e emocionais: isolamento no quarto, uso constante de fones de ouvido, oscilações bruscas de humor e mentiras frequentes sobre onde esteve ou com quem estava.
  • Alterações físicas e na rotina: mudanças no sono, variações de peso e apetite, descuido com a aparência e olhos avermelhados ou pupilas alteradas, muitas vezes disfarçados com colírios ou balas.
  • Mudanças sociais: troca repentina de amizades, afastamento da família e perda de interesse por atividades que antes eram importantes.
  • Queda no desempenho escolar: faltas injustificadas, queda no rendimento e conflitos com professores ou colegas.
  • Sinais no ambiente familiar: desaparecimento de dinheiro ou objetos de valor e ausências prolongadas sem explicação coerente.

“Esses sinais são alertas de que algo pode estar acontecendo, que gere mudanças de comportamento, e devem ser analisados dentro do contexto de vida daquele indivíduo, podendo sinalizar também outras condições psicopatológicas, como depressão. Ao identificar esses sinais, é importante que a família evite confrontos, acusações ou julgamentos no calor do momento. O mais indicado é propiciar ambiente para diálogo e buscar a orientação de um profissional especializado, como um médico ou psicólogo. A avaliação precoce permite compreender a gravidade da situação e orientar a família sobre a melhor forma de abordar o jovem, acolhê-lo e iniciar o tratamento, quando necessário”, explica a médica psiquiatra.
SOBRE A CLÍNICA MAIA
Fundado em 1967, o Grupo Maia é referência nacional no tratamento de transtornos mentais e da dependência química para adultos, crianças e adolescentes. Com quase seis décadas de atuação, consolidou-se como o maior grupo privado de atendimento psiquiátrico do Brasil, com uma estrutura composta por quatro unidades de internação, totalizando 350 leitos, além de um Hospital Dia e um ambulatório especializado, oferecendo atendimento integrado e multidisciplinar em todas as etapas do cuidado em saúde mental. Reconhecido pela excelência clínica, o Grupo Maia é referência para médicos, operadoras de planos de saúde e pacientes, com forte atuação na Grande São Paulo e compromisso permanente com um tratamento baseado em evidências científicas, acolhimento e cuidado humanizado.

 

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