Apenas 2,34% dos currículos mencionam inteligência artificial como habilidade

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Apenas 2,34% dos currículos mencionam IA como habilidade

A inteligência artificial já transformou processos, ferramentas e rotinas profissionais em diferentes setores, mas essa mudança ainda aparece pouco na forma como os candidatos apresentam suas competências ao mercado. Levantamento da Hubble, plataforma de people intelligence para recrutamento e seleção criada pelo Grupo Hub, mostra que apenas 2,34% dos currículos analisados mencionam inteligência artificial. O estudo considerou 41.488 currículos com data de nascimento válida, o que permitiu comparar a presença da tecnologia entre as gerações.

A maior incidência está entre profissionais da geração Z: 5,14% dos 7.414 currículos desse grupo mencionam IA. O percentual é quase três vezes o registrado entre os millennials, de 1,88%. Na geração X, a IA aparece em 1,37% dos currículos, enquanto entre os baby boomers o índice é de 0,66%.

Para a Hubble, a representatividade em cada geração está relacionada ao momento de entrada desses profissionais no mercado de trabalho. Os mais jovens estão construindo suas carreiras em um momento em que a IA já ganha espaço nas empresas, o que pode ajudar a explicar por que a tecnologia aparece com mais frequência nos currículos da geração Z.

“Ainda assim, mesmo entre esse grupo, apenas cerca de 5% dos currículos fazem referência à IA. Esse resultado pode estar relacionado a diferentes fatores: muitos profissionais podem já utilizar essas ferramentas no dia a dia, mas ainda não enxergá-las como uma competência a ser apresentada no currículo; outros podem ter dificuldade em transformar esse uso em uma habilidade profissional descrita de forma clara; e, por ser uma tecnologia transversal, a IA ainda pode ser percebida mais como um recurso aplicado ao trabalho do que como uma competência isolada. O mercado ainda está construindo uma linguagem para reconhecer e comunicar esse conhecimento”, afirma Victor Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub e CEO da Hubble.

Novos critérios de avaliação

A questão ganha relevância à medida que ferramentas como Chat GPT, Claude e outras soluções de IA passam a fazer parte da rotina de diferentes profissões. Para a Hubble, a simples inclusão dessas plataformas entre as habilidades de um candidato diz pouco sobre seu nível de conhecimento. O ponto central passa a ser como esse domínio é apresentado e, posteriormente, avaliado em um processo seletivo.

Para os candidatos, isso significa ir além do nome da ferramenta e contextualizar sua aplicação, indicando em quais atividades a IA é utilizada e de que maneira contribui para o trabalho. Para as empresas, o desafio está em distinguir a familiaridade com uma plataforma da capacidade de utilizá-la com autonomia, senso crítico e conhecimento da própria área de atuação.

“Duas pessoas podem colocar Chat GPT no currículo e ter níveis de domínio completamente diferentes. O nome da ferramenta, sozinho, não mostra como aquele profissional a utiliza no trabalho, em quais atividades consegue aplicá-la ou que resultados obtém com esse uso. É essa capacidade de aplicação que tende a ganhar peso na avaliação dos candidatos”, explica Fazzio.

Metodologia

O levantamento foi realizado pela Hubble, empresa de tecnologia do Grupo Hub, a partir da análise de 41.488 currículos com data de nascimento válida. Desse total, 972, ou 2,34%, mencionam inteligência artificial. Para a análise geracional, foram comparadas as incidências de menções à tecnologia entre as diferentes faixas etárias.

 

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