Pesquisa- Os adolescentes brasileiros dizem que precisam de ajuda na escola. Não só com as matérias, mas também com os celulares — esses dispositivos que vibram e notificam sem parar e que eles adoram tanto que não conseguem largar, mesmo quando deveriam. De acordo com pesquisa encomendada pelo Pinterest com a Ipsos-Ipec, 54% dos adolescentes entre 13 e 16 anos da Região Metropolitana de São Paulo concordam totalmente que gostariam de conseguir administrar melhor o tempo que passam nos seus dispositivos móveis, como o celular.
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Em um momento em que o debate sobre o impacto dos celulares na saúde mental e no aprendizado dos jovens ganha cada vez mais força no Brasil, o Pinterest passa a ajudar os adolescentes brasileiros com um novo aviso no aplicativo, incentivando-os a fechar o app durante o horário escolar e desativar todas as notificações do dispositivo.
O lançamento acontece em um momento decisivo: segundo dados do Pinterest, os adolescentes da Região Metropolitana de São Paulo passam, em média, seis horas por dia no celular. Sete em cada dez (70%) mencionam que sempre, frequentemente ou às vezes sentem que o celular atrapalha o tempo dedicado a experiências presenciais ao longo do dia. Além disso, a maioria dos jovens acreditam que viajar para lugares novos (93%) e ter hobbies criativos (86%) serão vistas como práticas melhores do que utilizar o celular por 8h diárias no futuro.
“As salas de aula brasileiras estão mudando — o país deu um passo ousado ao restringir o uso de celulares nas escolas, e os dados mostram que os próprios adolescentes estão pedindo ajuda para se desconectar”, afirmou Marcos Westphalen, vice-presidente do Pinterest para a América Latina. “Mas a legislação é só o começo. As empresas de tecnologia não podem ficar de fora. O Pinterest está comprometido em fazer parte da solução — oferecendo aos estudantes, pais e professores as ferramentas de que precisam para que não enfrentem esse desafio sozinhos.”
O Pinterest testou inicialmente o recurso no ano passado nos Estados Unidos e no Canadá, antes de expandir o teste para o Reino Unido, França e Alemanha. O Pinterest foi a primeira plataforma a adotar esse tipo de medida. Desde então, milhões de estudantes já viram o aviso, e a resposta tem sido expressiva: os avisos são clicados a uma taxa 3 vezes superior à média do mercado.
Veja como funciona: quando um adolescente abre o Pinterest durante o horário escolar, uma mensagem aparece incentivando-o a fechar o aplicativo e desativar todas as notificações do celular. Os adolescentes no Canadá e nos Estados Unidos receberam bem o recurso, mas disseram que as mensagens soavam como se viessem de um pai, uma mãe ou um professor. Para dar um tom mais entre pares, o Pinterest atualizou a linguagem para uma abordagem mais casual e próxima, com frases como “tem muitas coisas ocupando sua mente?” e “sai um pouco do aplicativo do Pinterest”.
Os maiores desafios enfrentados pelos adolescentes da Região Metropolitana de São Paulo ao tentar se afastar do celular são o tédio — seis em cada dez (60%) não sabem o que fazer longe do celular — e o medo de perder algo importante (44%), segundo dados do Pinterest. De forma animadora, quase dois em cada três (63%) dizem que ferramentas como avisos no aplicativo ou configurações de notificação para lembrá-los de fazer pausas os ajudariam a gerenciar melhor o tempo de tela.
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NOTA METODOLÓGICA- Pesquisa
A pesquisa teve como objetivo avaliar a percepção de adolescentes sobre o uso de celular. Foram investigados temas como tempo de tela, as barreiras para se desconectar, gerenciamento do uso do celular e as atitudes em relação a hábitos digitais mais saudáveis.
As entrevistas foram realizadas na Região Metropolitana de São Paulo entre 27 de julho e 09 de agosto de 2026. A seleção da amostra considerou setores na RM de São Paulo com base em dados do Censo e PNADC do IBGE a fim de garantir a representatividade do público.
A coleta de dados foi presencial com abordagem domiciliar, e foram entrevistados 608 adolescentes de 13 a 16 anos. Foram selecionados aleatoriamente setores censitários da RM de São Paulo, com base em dados do Censo e PNADC do IBGE, a fim de garantir a representatividade do público. Dentro dos setores, os adolescentes foram selecionados utilizando cotas de sexo, idade, escolaridade e raça/ cor. Aqueles com 13 e 14 anos precisaram ter autorização dos pais ou responsáveis para participação na pesquisa.
O questionário tinha duração aproximada de 10 minutos e era composto apenas por questões fechadas. Considerando um intervalo de confiança é de 95%, a margem de erro estimada é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.
No banco de dados final, fatores de ponderação foram calculados pela Ipsos-Ipec para correção de cotas populacionais, com base em dados da PNADC-IBGE.
PRINCIPAIS CONCLUSÕES
- O consumo de celular é alto e os adolescentes da RM de São Paulo sabem disso
Há consciência do problema, mas consciência não se converte automaticamente em mudança de comportamento.
- Média de 6,1h/dia no celular;
- 83% concordam totalmente ou em parte que querem gerenciar melhor o tempo de tela;
- 89% concordam totalmente que adolescentes passam tempo demais no celular.
2. Os adolescentes brasileiros querem desconectar, mas não sabem como
O problema não é falta de vontade, é falta de ferramentas e alternativas. O celular preencheu um vazio que antes era ocupado por outras atividades.
- 65% concordam totalmente ou em parte que gostariam de se desconectar mais facilmente
- Quando tentam pausar:
- 60% ficam entediados e não sabem o que fazer;
- 44% têm medo de perder algo (FOMO);
- 42% se sentem distantes dos amigos.
3. O celular compete com a vida real
O impacto não é abstrato, ele é sentido no dia a dia, em múltiplas dimensões da vida do adolescente.
- 70% sentem que o celular sempre, frequentemente ou às vezes interfere nas suas atividades cotidianas (escola, família, amigos, sono, hobbies);
- 54% concordam totalmente que gostariam de conseguir administrar melhor o seu tempo de tela.
4. Percepção de risco: o celular já compete com comportamentos perigosos
A grande maioria dos jovens veem que, no futuro, atividades como viajar ou ter hobbies criativos serão melhores do que o uso do celular por 8 horas diárias.
Por outro lado, até um terço dos jovens percebem que o uso do celular por 8 horas diárias será semelhante a atividades já reconhecidas como perigosas ou nocivas à saúde, como não usar o protetor solar ou comer alimentos que não são saudáveis o dia inteiro.
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5. Os adolescentes brasileiros pedem ajuda e sabem o que querem
A solução preferida é coletiva e social (desconectar com amigos), não individual. Isso desafia a narrativa de que basta dar autonomia ao jovem; eles querem estrutura e companhia.
- O que mais ajudaria a gerenciar o uso:
- 88% — atividades com amigos para desconectar juntos;
- 79% — espaços/atividades sem celular na escola;
- 63% — apps/notificações que lembrem de fazer pausas;
- 61% — limites diários de uso definidos por eles ou pelos pais.
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