A Série “Adolescência” e Seus Impactos: Reflexões de Aline Graffiette
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A série Adolescência tem gerado intensas discussões devido à sua trama envolvente e perturbadora. A história segue a família Miller, após Jamie, um adolescente de 13 anos, ser acusado de matar uma colega de escola. A produção, desenvolvida por Stephen Graham, que também interpreta o pai de Jamie, Eddie Miller, explora as influências do ambiente familiar, social e digital na formação dos jovens, destacando o impacto de discursos misóginos e conservadores. Com quatro episódios, a série aborda como a internet pode intensificar comportamentos violentos, exemplificados por um crime brutal e a investigação sobre o garoto acusado.
Aline Graffiette, psicóloga e CEO da Mental One, compartilhou suas reflexões sobre a série, destacando aspectos fundamentais da trama. Para Aline, o que mais chama a atenção na série não é o crime em si, mas a indiferença demonstrada pelas crianças em relação à violência. “Eles justificam a violência, a pena imposta à menina, como se fosse algo natural, sem qualquer empatia ou pesar pela vida do outro”, afirma Aline. A psicóloga ressalta também a falta de empatia entre as crianças e a relação distante entre pais e filhos, temas abordados de forma intensa na produção. Ela traz à tona um caso real de um menino de 12 anos, que ao ser confrontado pela mãe sobre o uso de drogas, expressou total desinteresse por qualquer orientação parental. “Ele disse: ‘Eu quero que ela se de mal. Ela não sabe nem o que eu gosto de comer e quer mandar em tudo’.”
Para Aline, essa falta de proximidade no relacionamento entre pais e filhos é algo preocupante. “Será que não estamos tratando os filhos como se o quarto deles fosse um espaço seguro onde não precisamos mais nos aproximar?”, questiona. Ela ainda faz um convite aos pais: “Assistam à série com seus filhos, deem pausas durante os episódios para discutir certos comportamentos. Isso ajuda a exercitar a empatia e a refletir sobre as ações e sentimentos do outro.”
Aline também compartilha experiências profissionais, destacando situações semelhantes que vivenciou com pacientes. “Já tive pacientes que passaram por centros de detenção nos Estados Unidos e enfrentaram situações parecidas com as apresentadas na série. Essa violência contra o outro é uma realidade muito mais próxima do que muitos imaginam.”
A série Adolescência vai além de uma simples narrativa sobre crime, propondo uma reflexão profunda sobre as relações familiares e os efeitos de um ambiente social e digital tóxico na formação dos jovens.
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