Bad Bunny no Super Bowl: análise de sentimentos revela como o espetáculo reverberou nas redes sociais

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Bad Bunny no Super Bowl: como o espetáculo reverberou nas redes sociais

Bad Bunny tornou-se o primeiro artista latino solo a liderar o palco em uma apresentação quase inteiramente em espanhol, levando ritmos, símbolos e mensagens da cultura latino-americana a uma audiência global de mais de 135 milhões de espectadores.

Para além do repertório musical, que reuniu alguns de seus maiores sucessos, a apresentação contou com participações de nomes como Lady Gaga e Ricky Martin, que interpretou “Lo Que Le Pasó a Hawái”, canção marcada por fortes referências culturais. A presença de celebridades como Pedro Pascal, Karol G e Jessica Alba também ampliou a repercussão do espetáculo, reforçando o clima de celebração em torno da emblemática “casita”, elemento central da identidade visual do artista.

Embora o design do palco estivesse impregnado da cultura e da linguagem do Caribe e da América Latina, a própria apresentação transmitiu mensagens contundentes sobre unidade, diversidade e pertencimento, o que gerou uma variedade de reações na mídia e nas redes sociais. Nas redes e nos veículos de comunicação dos Estados Unidos, o espetáculo foi amplamente elogiado, tanto por seu mérito artístico quanto por sua representatividade. Ainda assim, também provocou críticas e controvérsias. Um dos protagonistas do debate público foi o presidente dos Estados Unidos. Na rede Truth Social, Donald Trump classificou o show como “um dos piores” e “um tapa na cara do nosso país”.

A Análise de Clima Emocional, desenvolvida pela Delta Analytics para a Latam Intersect, mostrou que a fala de um presidente pode não refletir o que a maioria sente ou pensa.

Nos Estados Unidos, o sentimento predominante nas redes sociais em inglês foi felicidade, presente em 49,84% das menções — tendência também observada na cobertura midiática, onde esse sentimento atingiu 33,81%. Em contraste com a posição de Trump, menos de 1% das menções relacionadas a Bad Bunny expressaram desagrado, sugerindo uma recepção majoritariamente positiva do público em geral.

Na América Latina, as reações emocionais apresentaram maior diversidade e profundidade, mantendo, porém, um tom amplamente positivo.

No Brasil, a análise do clima emocional aponta uma recepção amplamente positiva à participação de Bad Bunny no Super Bowl, com felicidade (41,5%) e expectativa (30,49%) liderando de forma expressiva, refletindo entusiasmo, interesse e elevado engajamento em torno do espetáculo. Emoções associadas à rejeição ou desconforto foram quase nulas no ambiente digital brasileiro, reforçando que a conversa no país foi majoritariamente orientada por aprovação, curiosidade e interesse cultural, e não por tensão ou polarização.

Na Argentina, 26,48% dos usuários do TikTok expressaram melancolia, enquanto 23,9% demonstraram surpresa — combinação comum quando eventos culturais despertam orgulho, mas também refletem sobre identidade e representação. Padrão semelhante foi observado no Brasil, onde a felicidade também liderou com 48,2%.

Na Colômbia, no México e no Peru, a melancolia e a surpresa também ocuparam posição central. No México, além disso, 21,5% das menções indicaram receio, assim como no Peru (30,6%), possivelmente associado a leituras críticas sobre como a mídia norte-americana abordou a participação do artista e os elementos culturais do espetáculo.

O caso de Porto Rico merece destaque especial

Na terra natal de Bunny, 27,9% dos usuários expressaram melancolia, possivelmente relacionada ao peso simbólico de ver, pela primeira vez, um show de intervalo liderado em espanhol. Já 21,8% reagiram com surpresa, talvez em resposta ao momento em que o artista mencionou, com orgulho, os 35 países que compõem o continente americano, gesto interpretado como afirmação de identidade e orgulho coletivo.

Por fim, a análise das notícias publicadas na América Latina reforça essa leitura: os sentimentos predominantes foram surpresa, felicidade e melancolia. Isso confirma que a apresentação de Bad Bunny não foi apenas um espetáculo musical, mas também um evento cultural de forte carga emocional e simbólica para a região.

“O elemento único desses relatórios de Análise Emocional é que eles se baseiam, simplesmente, em ouvir. Diferentemente das pesquisas de mercado tradicionais, baseadas em questionários, que podem condicionar ou influenciar respostas, aqui tratamos de emoções reais e espontâneas, expressas publicamente sobre Bad Bunny no Super Bowl. O que elas significam? Essa já é outra questão. Oferecemos nossa interpretação, complementada pelo uso de inteligência artificial e pela análise de parte dos conteúdos. Mas essa é justamente a beleza das emoções: cada pessoa terá sua própria leitura”, afirmou Roger Darashah, cofundador e diretor da Latam Intersect, agência de comunicação com atuação em toda a América Latina.

Com essa apresentação, Bad Bunny assegurou não apenas uma posição de destaque como um dos artistas mais relevantes da música contemporânea, mas também consolidou um impacto cultural no Super Bowl, demonstrando que a música latina e o espanhol podem ocupar papel central nos maiores palcos do entretenimento global.

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