Economistas e especialistas do mercado comentam decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Seguem abaixo:

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Para Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos:

A decisão do Copom de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual era amplamente esperada e também correspondia ao nosso cenário-base. O último IPCA-15, que ficou bem abaixo das projeções, foi o dado que deu mais margem e convicção para o início da flexibilização monetária. Apesar do resultado favorável, parte relevante da desaceleração veio de componentes mais voláteis, enquanto as medidas subjacentes de inflação ainda apresentam alguma pressão.

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Diante desse quadro, o comunicado do Copom será determinante para orientar as expectativas do mercado. Esperamos uma sinalização aberta, sem antecipar necessariamente novos cortes nem indicar uma interrupção do ciclo. Os dados mais recentes de atividade já mostram uma perda de fôlego de maneira mais clara, mas o comportamento da inflação ainda exige cautela.

A tendência, portanto, é que o Comitê mantenha flexibilidade para as próximas reuniões, deixando espaço tanto para a continuidade dos cortes quanto para a manutenção da taxa, conforme a evolução dos indicadores, sem se comprometer previamente com um movimento específico.


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Para Eduardo Marocke, head de renda fixa da Faz Capital:

O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14%, concluindo o quarto corte consecutivo. A decisão veio totalmente em linha com as expectativas do mercado e não trouxe surpresa em relação à magnitude. O que abriu espaço para esse movimento foi o conjunto de dados divulgado desde a última reunião, principalmente o IPCA-15 abaixo das projeções e os sinais de uma desinflação mais disseminada entre os diferentes setores.

O cenário também foi favorecido pelo comportamento do câmbio, pelo saldo positivo da balança comercial e pela entrada de investimentos diretos no Brasil. Esses fatores permitiram que o Banco Central desse continuidade ao ciclo de flexibilização. O principal ponto de atenção, agora, está no comunicado. Embora o corte tenha sido consensual, o Copom deixou os próximos passos em aberto e condicionados à evolução dos indicadores, sem antecipar novas reduções.

Nosso cenário-base contempla uma pausa em setembro para que o Comitê avalie se inflação e atividade continuarão surpreendendo para baixo. A expectativa é que uma flexibilização mais intensa fique para 2027. Ainda existem riscos relevantes no radar, especialmente as expectativas de inflação acima da meta, a incerteza no ambiente internacional e os próximos movimentos do Federal Reserve, que podem dificultar a condução da política monetária brasileira.

Para o investidor, a renda fixa continua oferecendo taxas historicamente elevadas e atrativas. À medida que o ciclo de cortes avançar, títulos prefixados e indexados à inflação, além de outros ativos de risco, poderão ganhar maior apelo. Em resumo, a decisão veio conforme o esperado, mas permanece uma incerteza significativa sobre os próximos movimentos do Copom, principalmente na reunião de setembro e no início de 2027.

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Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos:

O Comitê de Política Monetária reduziu, por decisão unânime, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,00% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado, mas o verdadeiro foco esteve na comunicação. O Banco Central manteve um discurso de cautela e reforçou que seguirá calibrando o nível de restrição monetária conforme a evolução dos dados. Cortar juros é uma decisão. Convencer o mercado de que ela continuará é outra completamente diferente.

copom

As novas projeções mostram um cenário que melhora apenas parcialmente. A expectativa para o IPCA de 2026 caiu de 5,2% para 5,1%, enquanto a inflação projetada para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, permaneceu em 3,2%, ainda acima da meta contínua de 3%. Ao mesmo tempo, a projeção para 2027 avançou de 3,7% para 3,8%, lembrando que a batalha contra a inflação ainda está longe do fim. Inflação não precisa explodir para impedir cortes. Basta se recusar a morrer.

Os detalhes da ata mostram um Banco Central que continua desconfortável com o ambiente fiscal e externo. Nos preços livres houve melhora para 2026, passando de 5,3% para 5,1%, mas deterioração em 2027. Já os preços administrados seguem pressionados por energia, combustíveis e demais componentes sensíveis ao cenário internacional. O Comitê foi explícito ao afirmar que continuará acompanhando os riscos para manter uma política monetária suficientemente restritiva. Quem lê apenas a taxa perdeu metade da reunião. Quem lê o comunicado entende a outra metade.

Para os mercados, a consequência é imediata. A redução da Selic tende a aliviar o custo de capital, favorecendo setores mais sensíveis aos juros, como varejo, construção civil, consumo e parte do mercado imobiliário. Em contrapartida, o comunicado menos otimista reduz a convicção de que haverá um ciclo acelerado de flexibilização monetária. O mercado raramente discute o presente. Ele sempre negocia a próxima frase do Banco Central.

Na Magno Investimentos, esse episódio reforça uma convicção que carregamos há anos: patrimônio consistente não pode depender de acertar a próxima decisão do Copom. Estruturas patrimoniais sólidas são construídas para prosperar em diferentes cenários de juros, inflação e política econômica. A Selic muda oito vezes por ano. Uma arquitetura patrimonial bem construída atravessa décadas.

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