Bruno Guimarães, planejador financeiro CFP pela Planejar, fala da queda recente do Ibovespa, marcada pela saída de investidores estrangeiros, juros elevados no Brasil e nos Estados Unidos, além das incertezas fiscais, eleitorais e geopolíticas.

Para Bruno Guimarães, planejador financeiro CFP pela Planejar:

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Na minha visão, a saída recente de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira está muito relacionada a uma mudança na percepção de risco e retorno do Brasil em comparação com outros mercados.

No início do ano, tínhamos uma combinação bastante favorável: Bolsa negociando a preços atrativos, expectativa de queda mais significativa dos juros no Brasil e maior interesse global por mercados emergentes. Agora, parte desse cenário mudou.

Ibovespa e a Selic

Ibovespa e a Selic

Um dos principais fatores é justamente a trajetória dos juros. Enquanto a Selic permanecer elevada, a renda fixa brasileira continuará sendo uma concorrente muito forte da Bolsa. Mais importante ainda é a expectativa sobre os próximos cortes: se o mercado passa a enxergar juros altos por mais tempo, isso tende a pressionar a precificação das empresas e reduzir o apetite pela renda variável.

Ao mesmo tempo, os juros americanos ainda elevados aumentam o retorno disponível em ativos considerados de menor risco e fazem com que países emergentes precisem oferecer um prêmio maior para atrair capital. Na prática, o investidor estrangeiro não avalia apenas se a Bolsa brasileira está barata, mas se o retorno esperado aqui compensa os riscos adicionais em relação às alternativas que ele já possui.

Também vejo a geopolítica como um componente importante. O aumento das tensões internacionais pode pressionar o petróleo e a inflação, dificultar a queda dos juros globais e aumentar a aversão ao risco.

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Internamente, a percepção sobre a trajetória fiscal e o ambiente eleitoral também entra nessa conta, pois, quanto maior a incerteza sobre a dívida pública, a inflação e a condução econômica dos próximos anos, maior tende a ser o prêmio exigido pelo investidor estrangeiro para manter seu fluxo de capital direcionado ao mercado brasileiro.

Por isso, acredito que uma reversão realmente estrutural desse movimento dependeria de uma combinação de fatores: maior previsibilidade fiscal, continuidade do ciclo de queda dos juros no Brasil, juros menores nos Estados Unidos e redução das tensões geopolíticas. Caso contrário, via de regra, o capital estrangeiro tende a continuar apresentando um comportamento mais especulativo e de curto prazo.

No fim, o investidor internacional não olha para o Brasil isoladamente, mas o compara com outras oportunidades globais, analisando a relação entre risco e retorno.

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