Após emagrecimentos como os de Jojo Todynho e Thais Carla, médico explica como diferenciar gordura de lipedema

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Jojo Todynho e Thais Carla: Como diferenciar gordura de lipedema

Transformações corporais expressivas como as vividas por Jojo Todynho e Thais Carla colocaram o emagrecimento de muitos quilos no centro das conversas nas redes sociais. Mas, quando o peso diminui significativamente e determinadas regiões do corpo continuam apresentando um volume desproporcional, surge uma dúvida: como saber o que é gordura corporal e o que pode ser lipedema?

A questão não pode ser respondida apenas pela balança. O lipedema e a obesidade são condições distintas, embora possam existir ao mesmo tempo. O próprio Consenso Brasileiro de Lipedema aponta que o índice de massa corporal, o IMC, tem valor limitado para diferenciar as duas condições.

Para o Dr. Guthyerres Carvalho, especialista que acompanha pacientes com lipedema, observar como o corpo responde ao emagrecimento pode levantar sinais que merecem investigação.

“Quando uma pessoa emagrece muitos quilos, esperamos uma redução de gordura em diferentes regiões do corpo. No lipedema, porém, pode existir uma desproporção persistente, principalmente nos membros inferiores. Isso não significa que toda gordura resistente seja lipedema, mas é um sinal que, associado a outros sintomas, merece avaliação”, explica.

Gordura localizada ou lipedema?

Uma das principais dificuldades é justamente diferenciar uma característica natural da distribuição de gordura de uma condição que necessita de acompanhamento.

No lipedema, o aumento desproporcional do volume dos membros pode apresentar maior resistência à perda de peso convencional. O consenso brasileiro também destaca que medidas como relação cintura-altura e cintura-quadril podem ajudar na avaliação da composição corporal, em vez de depender exclusivamente do IMC.

“Não podemos olhar para uma perna mais volumosa e diagnosticar lipedema. O formato corporal sozinho não fecha diagnóstico. Precisamos saber se existe desproporção, dor, sensibilidade, facilidade para desenvolver hematomas e como esse tecido se comportou durante o processo de emagrecimento”, afirma Guthyerres.

Essa diferença pode ficar mais perceptível após grandes perdas de peso, mas isso não significa que o emagrecimento seja um “teste” para descobrir a doença.

“Às vezes, depois de um emagrecimento importante, a desproporção corporal fica mais evidente porque outras regiões diminuíram bastante. Isso pode levar a paciente a procurar ajuda e descobrir uma condição que já existia anteriormente”, acrescenta o médico.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame capaz de, sozinho, confirmar todos os casos de lipedema. De acordo com o Consenso Brasileiro, o diagnóstico clínico considera o histórico médico, o exame físico e a exclusão de outros diagnósticos que possam explicar os sintomas.

“O diagnóstico não é feito simplesmente por uma fotografia, pelo peso ou por um exame laboratorial. É uma avaliação clínica. Nós reunimos a história da paciente, a distribuição da gordura, os sintomas, o exame físico e avaliamos outras condições que também podem provocar aumento de volume nos membros”, explica Dr. Guthyerres Carvalho.

Dor, sensibilidade aumentada e desconforto estão entre os elementos que podem fazer parte do quadro, mas a intensidade dos sintomas varia entre pacientes.

Emagrecer não necessariamente elimina o lipedema

Outro ponto importante é que obesidade e lipedema podem coexistir. O consenso brasileiro aponta que, quando isso acontece, sintomas relacionados ao lipedema podem persistir mesmo depois de cirurgia bariátrica.

“Uma paciente pode ter obesidade e lipedema ao mesmo tempo. Tratar a obesidade continua sendo importante para a saúde e pode inclusive contribuir para o controle do quadro, mas perder peso não significa necessariamente que todas as alterações provocadas pelo lipedema desaparecerão”, esclarece o médico.

Para Guthyerres, a principal mensagem é evitar tanto o autodiagnóstico quanto a ideia de que toda gordura localizada seja sinal da doença.

“Nem toda gordura que permanece depois do emagrecimento é lipedema. Da mesma forma, não devemos dizer para uma paciente que sente dor, apresenta desproporção e outros sinais que aquilo é simplesmente gordura porque ela ainda está acima do peso. O diagnóstico precisa olhar para o conjunto”, finaliza.

 

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