Aquele cão “gordinho” que costuma ser associado a saúde, carinho e boa alimentação pode, na verdade, estar carregando um importante fator de risco. O sobrepeso e a obesidade não são apenas questões estéticas: estão relacionados a alterações metabólicas, problemas articulares, dificuldades respiratórias e outras condições capazes de comprometer a qualidade e a expectativa de vida dos animais.
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Dois estudos ajudam a dimensionar esse impacto. Uma pesquisa publicada em 2002 no Journal of the American Veterinary Medical Association acompanhou 48 Labradores Retriever ao longo da vida e observou que os animais submetidos à restrição alimentar apresentaram maior longevidade mediana e atraso no aparecimento de sinais de doenças crônicas.
Outro levantamento, publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine, avaliou 50.787 cães castrados, de meia-idade, pertencentes a 12 raças. Os pesquisadores identificaram associação entre estar acima do peso e uma vida mais curta em todas as raças analisadas. A diferença estimada na mediana da expectativa de vida variou de cerca de cinco meses, em machos Pastor Alemão, a até dois anos e seis meses, em machos Yorkshire Terrier. O dado chama atenção porque o estudo considerou cães classificados como sobrepeso, mostrando que o cuidado com o peso deve começar antes mesmo de o animal chegar a um quadro de obesidade.
Segundo a Dra. Celina Okamoto, médica-veterinária com atuação em nutrologia e nutrição clínica, mestre em Biotecnologia pela UNESP/FMVZ e consultora técnica da Botupharma Pet, manter o peso adequado deve fazer parte da rotina de prevenção. “Ainda existe a ideia de que um animal gordinho é mais saudável, mas isso não é verdade. O excesso de gordura interfere no funcionamento do organismo e aumenta o risco de diversas doenças. O objetivo não é apenas fazer o pet viver mais, mas proporcionar mais anos de vida com saúde e qualidade”, afirma.

Gordura também é metabolicamente ativa
Um dos motivos pelos quais a obesidade preocupa os especialistas é que o tecido adiposo não funciona apenas como um depósito de energia. A gordura corporal participa ativamente do metabolismo e pode contribuir para um estado de inflamação crônica de baixo grau, associado a alterações que afetam diferentes sistemas do organismo.
Na prática, o excesso de peso pode favorecer problemas articulares, alterações metabólicas e respiratórias, além de comprometer a mobilidade e a disposição do animal. “Quando o animal permanece acima do peso por períodos prolongados, não estamos falando apenas de uma questão relacionada à aparência. Existe um impacto sobre todo o organismo. Por isso, o controle do peso deve ser encarado como uma medida de prevenção”, explica a especialista.
Os sinais podem passar despercebidos (sobrepeso)
Os primeiros sinais de excesso de peso nem sempre são reconhecidos pelos tutores. Cansaço durante os passeios, dificuldade para correr ou subir em móveis, respiração mais ofegante, redução das brincadeiras e menor disposição podem indicar que o animal está carregando mais peso do que deveria.
Nos gatos, a dificuldade para realizar a própria higiene também merece atenção. O excesso de gordura pode dificultar o acesso a determinadas regiões do corpo, favorecendo pelos opacos e descamação.
Nos felinos, o excesso de peso também está associado a maior risco de diabetes mellitus e pode favorecer a ocorrência de lipidose hepática quando um animal obeso deixa de se alimentar. “Um gato com excesso de peso não deve ser colocado em jejum ou submetido a uma dieta radical por conta própria. A perda de peso precisa ser planejada e acompanhada pelo médico-veterinário”, alerta a Dra. Celina.
Emagrecer não significa simplesmente colocar menos comida no pote
A obesidade geralmente resulta da combinação de fatores como excesso de alimento, petiscos, restos de comida, pouca atividade física e falta de controle sobre a quantidade total ingerida ao longo do dia. O período após a castração também merece atenção, já que mudanças metabólicas e comportamentais podem favorecer o ganho de peso.
Para a especialista, um erro comum é simplesmente reduzir a quantidade da alimentação habitual sem orientação profissional. Dependendo da dieta, uma redução indiscriminada pode diminuir também a ingestão de proteínas, vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais. “Uma restrição calórica adequada precisa preservar a oferta dos nutrientes necessários ao animal. O objetivo não é simplesmente colocar menos comida no pote, mas oferecer uma estratégia nutricional adequada à necessidade daquele paciente”, explica.
O acompanhamento veterinário deve considerar fatores como peso atual, peso ideal, idade, nível de atividade física, condição corporal e possíveis doenças associadas. A combinação entre alimentação equilibrada, quantidade adequada de alimento e atividade física ajuda a manter o animal dentro de uma condição corporal saudável. “Quanto antes o tutor perceber uma mudança no peso, mais fácil tende a ser corrigir o problema. Não é preciso esperar o animal chegar à obesidade para começar a cuidar da alimentação”, conclui a Dra. Celina.
10 dicas para ajudar a prevenir o excesso de peso
1. Meça a quantidade de alimento
Pese a porção diária de ração ou alimentação caseira, de preferência com uma balança de cozinha.
2. Evite alimentar “no olho”
A quantidade deve considerar as necessidades do animal e a orientação do médico-veterinário.
3. Controle os petiscos
Eles também fazem parte da ingestão energética diária e devem ser oferecidos com moderação.
4. Evite restos de comida
Pães, massas, embutidos, doces e alimentos muito gordurosos não devem fazer parte da rotina dos pets.
5. Estimule a atividade física
Passeios e brincadeiras adequados à idade e às condições de saúde ajudam a manter o animal ativo.
6. Enriqueça o ambiente dos gatos
Brinquedos, arranhadores, prateleiras, circuitos e comedouros interativos estimulam movimento e comportamento exploratório.
7. Redobre a atenção após a castração
Converse com o médico-veterinário sobre possíveis ajustes na alimentação e na quantidade oferecida.
8. Observe a condição corporal
Mais do que o peso na balança, o escore de condição corporal ajuda a identificar se o animal está dentro da faixa adequada.
9. Evite dietas radicais
Especialmente no caso dos gatos, períodos de jejum podem representar riscos importantes.
10. Faça acompanhamento periódico
Consultas veterinárias permitem acompanhar peso, condição corporal e possíveis alterações de saúde antes que o problema avance.
Sobre a Botupharma
A Botupharma® atua no segmento de saúde animal, desenvolvendo soluções voltadas à saúde e ao bem-estar dos pets e ao suporte à atuação dos médicos-veterinários.
Na área de nutrição, a linha Botupharma Pet conta com suplementos destinados ao uso em alimentação natural, fornecendo vitaminas e minerais para auxiliar no balanceamento de dietas caseiras, de acordo com a orientação e formulação do profissional responsável.
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