Nova edição do Balanço Energético Estadual reforça o protagonismo das fontes renováveis em SP
Em 2024, 59% da oferta interna bruta de energia do estado teve origem renovável; No transporte rodoviário, o etanol foi mais consumido do que a gasolina
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O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), divulgou nesta terça-feira (30), o Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP) 2025, ano-base 2024. O objetivo do estudo, elaborado anualmente pela Semil, é organizar e divulgar dados energéticos do estado. Esta edição consolida a força das fontes renováveis na matriz energética paulista e permite compreender a importância das infraestruturas de produção e transformação de energia presentes no estado.
Um dos principais resultados do BEESP é representado pela oferta interna bruta de energia, indicador que quantifica toda a energia disponível no estado para ser submetida aos processos de transformação e/ou consumo final. Em 2024, 59% da oferta interna bruta teve origem renovável. Como comparação, o Brasil, destaque global por sua elevada participação de renováveis, teve metade (50%) de sua oferta interna oriunda dessas fontes, no mesmo ano, de acordo com dados do Balanço Energético Nacional 2025 – documento publicado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Países desenvolvidos da Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) registraram 13,2% de renováveis na média no ano de 2023, segundo o levantamento da EPE.
A composição da oferta interna bruta evidencia o papel fundamental da cana-de-açúcar no suprimento energético paulista: os produtos do setor sucroenergético responderam por um terço do total no ano de 2024. Destaca-se o etanol, cuja utilização é destinada primordialmente ao transporte rodoviário, especialmente automóveis e motocicletas. Nesse setor, o biocombustível atendeu a 28,5% do consumo de energia, quando somados o etanol anidro (misturado à gasolina) e o etanol hidratado (comercializado diretamente no posto de combustíveis). O etanol foi responsável por um atendimento energético maior do que a gasolina, derivado do petróleo, que registrou participação de 22,4% no setor.
Segundo o BEESP, o estado de São Paulo foi exportador líquido de etanol em 2024 – isto é, produziu mais do que consumiu internamente. Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) colocam SP na liderança nacional da produção do biocombustível: dos 37 bilhões de litros produzidos no país em 2024, 13,8 bilhões (37%) saíram das usinas paulistas.
Ainda em relação à oferta interna bruta de energia, o balanço também evidencia a relevância da fonte hidráulica e eletricidade (17%), que contempla a energia elétrica gerada no estado e a importada do Sistema Interligado Nacional (SIN), bem como de uma diversidade de alternativas renováveis disponíveis no estado, que incluem a energia solar, o biogás, o licor negro da indústria de papel e celulose e a lenha.
Energia solar fotovoltaica
Em 2024, a energia solar fotovoltaica paulista manteve sua tendência de crescimento, representando 12% da energia elétrica gerada no estado. No recorte anual, a geração solar atingiu 10,4 TWh (terawatts-hora), crescendo 16% em relação aos 8,9 TWh registrados em 2023. Os números consolidam a fonte solar como a terceira em termos de geração de eletricidade, ficando atrás apenas da fonte hidráulica e da geração térmica a biomassa.
São Paulo é líder nacional na geração de energia solar fotovoltaica pelo sistema de geração distribuída (GD) e continua expandindo ainda mais o potencial energético sustentável do estado, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que São Paulo chegou a uma capacidade de 6,2 GW (gigawatts) da fonte solar no modelo de GD em dezembro de 2025, tendo instalado cerca de 1 GW ao longo do ano.
“O perfil renovável de geração de energia elétrica em São Paulo é resultado de uma combinação que representa as características do estado. Temos um legado de hidrelétricas estruturantes e simbólicas, construídas desde o início do século passado e que seguem como a nossa principal fonte; a geração a biomassa é um espelho da dinâmica da agroindústria paulista, principalmente no setor sucroenergético; e a geração fotovoltaica, puxada pela geração distribuída, revela uma população, comércios e indústrias ativos, antenados à sustentabilidade e com capacidade de investimento”, analisou a subsecretária de Energia e Mineração, Marisa Barros.
Energia hidráulica
A geração de energia elétrica a partir da fonte hidráulica apresentou, em 2024, um decréscimo de 15% em relação ao ano anterior. Essa variação negativa sucede a 2023, que havia registrado um aumento de 33% em relação a 2022. “Tais variações são intrínsecas à fonte hídrica e refletem sua dependência do regime de chuvas e das afluências aos reservatórios e os limites da capacidade de regularização e armazenamento. A geração hidrelétrica segue desempenhando papel central no sistema estadual, contribuindo para a segurança do suprimento, a flexibilidade operativa e a elevada participação de fontes renováveis na matriz energética”, explicou a subsecretária Marisa Barros.
O Balanço Energético do Estado de São Paulo é elaborado anualmente pela Semil, por meio da subsecretaria de Energia e Mineração, e tem o objetivo de apurar e divulgar dados sobre a produção, transformação e consumo energético no estado. A atualização anual e o registro da série histórica garantem uma valiosa fonte de informações para a análise da estrutura e evolução da matriz energética paulista, servindo de base para o planejamento, execução e monitoramento de políticas públicas para o setor de energia.
Confira aqui o Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP) 2025, ano-base 2024.

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